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Sociologia e Filosofia dão novo tom


Fabio Berlinga
Do Diário do Grande ABC

31/07/2006 | 07:22


Ao que tudo indica, o currículo do ensino médio nas escolas vai ficar mais rico. Pelo menos, essa é a intenção. Depois da aprovação – pelo CNE (Conselho Nacional de Educação) – da inclusão obrigatória das disciplinas de Sociologia e Filosofia no ensino médio em escolas públicas e particulares, a discussão está em torno da adequação das instituições de ensino à nova regra. De acordo com o parecer 38/06, aprovado no começo de deste mês, as escolas terão um ano para apresentar um planejamento a respeito da aplicação das disciplinas em sala de aula.

A maior preocupação de quem lutou pelo projeto, porém, não é a rapidez com que a lei entrará em vigência, mas como o conteúdo será desenvolvido para causar o impacto desejado. Relator do parecer final, o sociólogo e membro do CNE Cesar Callegari afirma que a intenção é "desenvolver o espírito crítico dos alunos, ampliar sua visão de mundo e dar base ao exercício efetivo da cidadania". Ele também acredita que a inclusão representa um avanço na qualidade do ensino médio. "São disciplinas de conteúdos contextualizantes, que ajudam os alunos a construírem significados ma-iores, entenderem melhor as outras disciplinas. A Filosofia ajuda na compreensão lógica de fundamentos de Matemática, por exemplo. A Sociologia, por sua vez, contextualiza assuntos de História, Literatura. No lugar do estudante decorar, ele passa a entender".

Mas Callegari admite que é preciso preparar terreno para a implantação. "Precisamos ‘produzir’ professores. Eles precisam ser preparados e qualificados para ensinar de maneira adequada. Por isso, demos um ano para que os sistemas de ensino fixem metas para a implantação. Um prazo rígido não adiantaria", explica.

A pró-reitora da UFABC (Universidade Federal do ABC), Adelaide Faljoni-Alario, se diz a favor da inclusão das disciplinas, mas compartilha da preocupação de Callegari. Ela afirma que o vestibular da universidade, em sua primeira fase, apresentou uma prova mais baseada no entendimento das questões do que na memorização de fórmulas e datas históricas, mas alerta que se o planejamento não for correto, as disciplinas serão apenas alegorias. "As aulas precisam ser bem ministradas para surtir o efeito desejado. Caso contrário, só irão tirar o tempo de outras matérias necessárias, como Matemática e Física, por exemplo".

Reformulação – Se a idéia é transformar o sistema de ensino no país, a formação dos professores também deve passar por alterações. É o que afirma o coordenador do curso de Filosofia da USP (Universidade de São Paulo), Roberto Bolzani Filho. Segundo ele, quando a medida for posta em prática, haverá uma expansão do mercado de trabalho para professores ligados às áreas de Sociologia e Filosofia. "A demanda será maior que a oferta de profissionais. Vai levar tempo para darmos qualificação para mais gente. Hoje, poucos alunos de Filosofia querem a licenciatura (nível acadêmico exigido para se lecionar). A maioria quer o bacharelado. Essa proporção deve mudar. Por isso, já trabalhamos na reformulação do nosso processo de licenciatura, que incluirá a formação para o ensino médio".

No Estado de São Paulo, Filosofia já é disciplina obrigatória nos dois primeiros anos do ensino médio da rede estadu-al, enquanto Sociologia é optativa no terceiro e último ano. Segundo a Secretaria de Estado da Educação, 3.463 professores de Filosofia e 944 de Sociologia atuam na rede estadual no momento. A Secretaria não informou se serão abertas mais vagas.

De qualquer forma, o doutor em Educação pela USP e ex-professor das duas disciplinas no ensino médio Amaury Moraes também se preocupa não só com a quantidade de postos de trabalho como, principalmente, com a qualidade dos profissionais que estarão na linha de frente da mudança. Ele elaborou o parecer que deu base ao 38/06, onde propôs uma revisão do currículo do ensino médio – atualmente defasado, em sua opinião.

"O sucesso das mudanças vai depender da formação do professor, que precisa ser aprofundada. O desafio dele será transmitir conhecimentos a-gregados ao que o aluno já sabe. Usar fatos do dia-a-dia para explicar teoria sociológica ou ao contrário. Por exemplo, a violência que existe hoje pode ser reflexo de um sistema econômico e assim por diante", comenta Amaury Moraes.

"Teremos algumas dificuldades que podemos contornar. São mudanças para daqui alguns anos, não para amanhã. Mas temos certeza de que, se forem bem realizadas, causarão reflexos profundos não só na educação como na sociedade".



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Sociologia e Filosofia dão novo tom

Fabio Berlinga
Do Diário do Grande ABC

31/07/2006 | 07:22


Ao que tudo indica, o currículo do ensino médio nas escolas vai ficar mais rico. Pelo menos, essa é a intenção. Depois da aprovação – pelo CNE (Conselho Nacional de Educação) – da inclusão obrigatória das disciplinas de Sociologia e Filosofia no ensino médio em escolas públicas e particulares, a discussão está em torno da adequação das instituições de ensino à nova regra. De acordo com o parecer 38/06, aprovado no começo de deste mês, as escolas terão um ano para apresentar um planejamento a respeito da aplicação das disciplinas em sala de aula.

A maior preocupação de quem lutou pelo projeto, porém, não é a rapidez com que a lei entrará em vigência, mas como o conteúdo será desenvolvido para causar o impacto desejado. Relator do parecer final, o sociólogo e membro do CNE Cesar Callegari afirma que a intenção é "desenvolver o espírito crítico dos alunos, ampliar sua visão de mundo e dar base ao exercício efetivo da cidadania". Ele também acredita que a inclusão representa um avanço na qualidade do ensino médio. "São disciplinas de conteúdos contextualizantes, que ajudam os alunos a construírem significados ma-iores, entenderem melhor as outras disciplinas. A Filosofia ajuda na compreensão lógica de fundamentos de Matemática, por exemplo. A Sociologia, por sua vez, contextualiza assuntos de História, Literatura. No lugar do estudante decorar, ele passa a entender".

Mas Callegari admite que é preciso preparar terreno para a implantação. "Precisamos ‘produzir’ professores. Eles precisam ser preparados e qualificados para ensinar de maneira adequada. Por isso, demos um ano para que os sistemas de ensino fixem metas para a implantação. Um prazo rígido não adiantaria", explica.

A pró-reitora da UFABC (Universidade Federal do ABC), Adelaide Faljoni-Alario, se diz a favor da inclusão das disciplinas, mas compartilha da preocupação de Callegari. Ela afirma que o vestibular da universidade, em sua primeira fase, apresentou uma prova mais baseada no entendimento das questões do que na memorização de fórmulas e datas históricas, mas alerta que se o planejamento não for correto, as disciplinas serão apenas alegorias. "As aulas precisam ser bem ministradas para surtir o efeito desejado. Caso contrário, só irão tirar o tempo de outras matérias necessárias, como Matemática e Física, por exemplo".

Reformulação – Se a idéia é transformar o sistema de ensino no país, a formação dos professores também deve passar por alterações. É o que afirma o coordenador do curso de Filosofia da USP (Universidade de São Paulo), Roberto Bolzani Filho. Segundo ele, quando a medida for posta em prática, haverá uma expansão do mercado de trabalho para professores ligados às áreas de Sociologia e Filosofia. "A demanda será maior que a oferta de profissionais. Vai levar tempo para darmos qualificação para mais gente. Hoje, poucos alunos de Filosofia querem a licenciatura (nível acadêmico exigido para se lecionar). A maioria quer o bacharelado. Essa proporção deve mudar. Por isso, já trabalhamos na reformulação do nosso processo de licenciatura, que incluirá a formação para o ensino médio".

No Estado de São Paulo, Filosofia já é disciplina obrigatória nos dois primeiros anos do ensino médio da rede estadu-al, enquanto Sociologia é optativa no terceiro e último ano. Segundo a Secretaria de Estado da Educação, 3.463 professores de Filosofia e 944 de Sociologia atuam na rede estadual no momento. A Secretaria não informou se serão abertas mais vagas.

De qualquer forma, o doutor em Educação pela USP e ex-professor das duas disciplinas no ensino médio Amaury Moraes também se preocupa não só com a quantidade de postos de trabalho como, principalmente, com a qualidade dos profissionais que estarão na linha de frente da mudança. Ele elaborou o parecer que deu base ao 38/06, onde propôs uma revisão do currículo do ensino médio – atualmente defasado, em sua opinião.

"O sucesso das mudanças vai depender da formação do professor, que precisa ser aprofundada. O desafio dele será transmitir conhecimentos a-gregados ao que o aluno já sabe. Usar fatos do dia-a-dia para explicar teoria sociológica ou ao contrário. Por exemplo, a violência que existe hoje pode ser reflexo de um sistema econômico e assim por diante", comenta Amaury Moraes.

"Teremos algumas dificuldades que podemos contornar. São mudanças para daqui alguns anos, não para amanhã. Mas temos certeza de que, se forem bem realizadas, causarão reflexos profundos não só na educação como na sociedade".

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