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Pipoca de canjica faz 50 anos de calçadão em Sto.André


Maíra Sanches
Do Diário do Grande ABC

15/02/2011 | 07:02


Pipoca de milho de canjica. É da venda desse produto que desde fevereiro de 1961, João Salles, 81 anos, popularmente conhecido como Seu João, tira o sustento de sua família. Com seis filhos criados e há 12 anos casado com Irene Salles, 65, o vendedor mais antigo do Centro de Santo André ainda atrai clientes pela simplicidade no atendimento e a tradição do produto oferecido.

É difícil quem não conheça Seu João pelas redondezas. De jovens a adultos, a preferência é a mesma: pipoca de canjica, doce ou salgada. Cobrando R$ 2 o saquinho, o vendedor, natural de Catanduva, no interior de São Paulo, fatura em média R$ 80 por dia, geralmente das 11h30 até 19h.

"Meus filhos foram criados com a renda do meu trabalho. Dá pra viver tranquilamente", disse. O aposentado começou suas vendas em Dracena, cidade do Oeste paulista. Foram quatro meses de tentativa, mas o negócio não engrenou por conta do baixo movimento. Em 1960, ele resolveu mudar-se para Santo André, onde já tinha alguns familiares, e deu continuidade à ideia.

"Quando cheguei no calçadão, aqui era o começo de uma viela que dava acesso ao clube Primeiro de Maio", conta. Hoje, o carrinho de pipoca fica no mesmo local, mas o acesso foi fechado. Ao lado, está o Shopping Santo André. O vendedor estaciona seu carrinho na porta de uma loja de bolsas e acessórios. Na época, Seu João precisou de autorização para continuar trabalhando no local, já que o comércio de ambulantes é proibido no meio da via.

De acordo com ele, um dos entraves para o crescimento das vendas ultimamente é o hábito da população de usar o cartão em compras pequenas. "Às vezes, as pessoas querem comprar a pipoca e não têm dinheiro. Mas está bom assim. O movimento era fraco no começo, mas a quantidade de gente é maior, Já chegou até a formar filas. Posso dizer que estou contente com o que tenho. Não me falta nada", garante.

Apaixonado pelo público, Seu João diz que não conseguiria viver sem lidar com as pessoas diariamente. "Se eu for embora daqui, morro. Não sei trabalhar sem ter o público por perto. Agradeço ao povo de Santo André pela colaboração. Me considero quase igual a um artista, porque se não tivesse o apoio do público, não teria renda."

COMEMORAÇÃO
Para comemorar os 50 anos de trabalho no local, Seu João irá distribuir pipocas gratuitamente no mês que vem, durante um dia inteiro. A data ainda não foi escolhida, mas os fregueses poderão experimentar a pipoca temperada com óleo e sal que vem sob encomenda de Campinas. A fama do produto é tão grande que alguns clientes que se mudaram para o Exterior não deixaram de consumir. "Já exportamos para o Japão, Espanha e Portugal. A família compra aqui e manda pra lá", conta a mulher. Entre a clientela, só elogios e satisfação. O advogado Davi Crepaldi, 38, há 20 anos não dispensa a pipoca durante o trabalho. "Quando passo para ir ao Fórum aproveito e compro um pacote. É bem melhor que as que vendem no supermercado. Está sempre quentinha", finalizou.



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