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Telê era um brasileiro de corpo, alma e bola nos pés


Fernando Cappelli
Do Diário OnLine

21/04/2006 | 12:50


Mais um brasileiro de corpo, alma e bola nos pés, Telê Santana da Silva, mineiro de Itabirito, faleceu nesta sexta-feira, aos 74 anos, vítima de uma infecção abdominal, no hospital Felício Roxo, em Belo Horizonte.

Jogador visionário para sua época e treinador que estabeleceu novos horizontes para o futebol ofensivo, todas as características do legado de Telê puderam ser melhor apreciadas em seus anos no comando do São Paulo, no início da década de 1990. Mas por cada time que passou, conseguiu deixar registrada sua marca pessoal calcada no trabalho intenso e planejamento minucioso como segredo para o sucesso.

O primeiro clube foi o Itabirense, em 1945. Depois, defendeu o América recreativo de São João Del Rey (MG). Como jogador, nunca teve como vantagem um físico privilegiado para a prática de esportes. Mas descontava no talento. Era considerado um atacante aplicado, habilidoso, rápido e foi o primeiro ponta-direita preocupado em ajudar taticamente a equipe (recuava para ajudar no setor defensivo).

Com isso, rapidamente despertou olheiros dos grandes clubes e logo se transferiu para o Fluminense. Em 1951, venceu o Campeonato Carioca, com atuação brilhante – e dois gols – na final contra o Bangu, o que lhe rendeu o apelido de ‘Fio da Esperança’ (em alusão a um filme em cartaz na época), pela sua aplicação constante e persistência em campo até o último segundo de jogo. Após doze anos no Tricolor carioca, Telê também defendeu o Vasco da Gama e o Guarani.

Tanto perfeccionismo, aplicação e conhecimento funcional em campo certamente foram motivos que colaboraram para a próxima empreitada de Telê e a transição para o cargo de treinador ocorreu naturalmente. As equipes juvenis do Fluminense foram o primeiro desafio, em 1967. Dois anos mais tarde, assumiu a equipe profissional do clube de forma interina e sagrou-se campeão carioca. Foi também campeão mineiro com o Atlético em 1970, 1988 e ainda faturou, pelo Galo, a primeira edição do Campeonato Brasileiro, em 1971 e, com o Grêmio, foi campeão gaúcho em 1977.

Mas foi em terras paulistas que a carreira de Telê como treinador ganhou novo brilho. Após discretas passagens pelo São Paulo, em 1973, e Palmeiras, em 1979, Telê aceitou novamente comandar o Tricolor no início da década de 1990 e se eternizou no coração da torcida. Ficou cinco anos no Morumbi: foi bicampeão Paulista (1991 e 1992), campeão brasileiro (1991), bicampeão mundial interclubes (1992 e 1993), bicampeão da Copa Libertadores da América (1992 e 1993), bicampeão da Recopa Sul-americana (1993 e 1994), campeão da Supercopa (1993) e campeão da Conmebol (1995).

Fino Trato - No comando da Seleção, Telê teve oportunidade de comandar uma geração mágica de craques, que infelizmente ficou estigmatizada de forma negativa em Copas do Mundo. Adepto de uma filosofia ofensiva ao extremo, encantou o mundo com times de técnica refinada. Quem não se lembra da equipe de 1982, que encantou o mundo com o ‘quadrado mágico’, formação exclusiva de meio-campo elaborada por Telê, que tinha como base Toninho Cerezo, Falcão, Sócrates, Zico e que demoliu todos os adversários, só parando na inspiração divina do atacante Paolo Rossi, talvez o principal algoz do futebol brasileiro de todos os tempos.

Mas nem a derrota trágica de 1982 diminuiu a credibilidade do treinador. Em 1986, após passagem pela Arábia Saudita, Telê voltou para a Seleção e ficou conhecido como o único técnico não-campeão mundial que voltou a comandar o Brasil em uma Copa do Mundo. Contratado como uma espécie de ‘salvador da pátria’, conseguiu dar uma cara nova para uma seleção desacreditado nas eliminatórias. Mas a campanha no México foi apenas satisfatória. A derrota nas quartas-de-final, nos pênaltis, para a França,ficou marcada como a despedida de Telê no comando da Seleção.

O treinador estava longe dos campos há dez anos em virtude da saúde debilitada por um acidente vascular cerebral.


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