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Depois da Lei Seca

Quando a Lei Seca entrou em vigor, muita gente parou de beber e dirigir durante alguns meses


Cristina Baddini

25/06/2010 | 00:00


Criada em 20 de junho de 2008, a Lei Seca determina que motoristas flagrados com níveis de álcool de até dois decigramas por litro de sangue podem ser detidos de seis meses a três anos, estão sujeitos à infração gravíssima de trânsito com multa de R$ 957,70, além da suspensão do direito de dirigir.

Quando a Lei Seca entrou em vigor, muita gente parou de beber e dirigir durante alguns meses, mas com o passar do tempo e o afrouxamento da fiscalização, muitos motoristas que nunca foram pegos tendem a voltar à antiga rotina. "Estou bem para dirigir" é o que ouvimos muitas vezes de pessoas que beberam e insistem em pegar o carro. "Eu bebo e dirijo desde os 15 anos. Nunca aconteceu nada comigo e não tenho medo de ser pega."

As mortes provocadas por acidentes de trânsito no período de 12 meses anterior à Lei Seca tiveram redução de 6,2% no mesmo período de 12 meses após a lei. Esse índice representou 2.302 mortes a menos em todo o país, com a redução de 36.924 para 34.597 os óbitos causados pelo trânsito, segundo os dados divulgados em um balanço do Ministério da Saúde.

O risco de morrer por acidentes de trânsito no Brasil também diminuiu 7,4% no ano seguinte à lei. Dessa maneira, a taxa de mortalidade (divisão do número de óbitos por grupo de habitantes) passou de 18,7 mortes por 100 mil habitantes para 17,3.

Pode se atribuir o avanço à Lei Seca, uma vez que havia uma tendência histórica de crescimento da violência e a lei sancionada pelo presidente Lula foi o único fator novo registrado no período analisado.

Em 17 Estados, houve redução no número de mortes. Além do Rio, os resultados mais expressivos foram alcançados no Espírito Santo (18,6% a menos), em Alagoas (menos 15,8%), No Distrito Federal (menos 15,1%) e em Santa Catarina (menos 11,2%). Os demais registraram aumento, com destaque para Rondônia (10,6% a mais), Sergipe (mais 9,1%), Amapá (mais 6,9%) e Paraíba (mais 6,5%). A taxa de mortalidade caiu em 15 Estados além do Rio, mas cresceu principalmente em Rondônia (10%), Sergipe (8,6%), Amapá (5,6%) e Amazonas (5,5%).

O que se observa no país é que o engajamento dos órgãos de fiscalização ao cumprimento da lei não é uniforme. O Rio conseguiu redução que representa quase o dobro da redução obtida pelo Estado do Espírito Santo, que aparece em segundo lugar. Ainda assim isso é muito positivo e só foi possível de alcançar porque houve uma decisão de tratar a lei como uma política pública, de governo. O Estado de São Paulo precisa se esforçar mais, já que apresentou pequena redução, com uma queda registrada de 6,5%.

No Japão, a lei, que era muito rigorosa, só começou a ser abrandada depois que a sociedade passou a corresponder espontaneamente. Ainda não chegamos a essa fase. Conforme os levantamentos apresentados, o comportamento de risco é maior entre homens, embora esteja em tendência de queda. Adultos de 25 a 44 anos são os que mais dirigem depois de beberem.

As pessoas precisam entender que a lei não é contra elas, mas a favor da vida. Recorra ‘ao amigo da vez' e a outros meios de transporte como vans, metrô, ônibus e táxis. Os taxistas têm motivos de sobra para comemorar a Lei Seca. Segundo o governo federal, o rendimento deles aumentou, em média, 30%.

Durante toda a Copa do Mundo, cuidado! Se beber durante a partida peça carona logo após o juiz apitar o final do jogo.



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