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Mauá encerra contrato com empresa e já falta carne na merenda escolar


Sérgio Vieira e Miriam Gimenes
Do Diário do Grande ABC

31/08/2006 | 23:48


Uma manobra mal-explicada do prefeito de Mauá, Leonel Damo (PV), tem deixado estudantes de pratos vazios. Carne já não tem sido servida. E em no máximo 10 dias os alunos ficarão sem arroz, feijão e outros itens que compõem o cardápio. O caos na merenda pode se instalar já na volta do feriado de 7 de setembro. Pais já têm reclamado que os filhos estão voltando para casa com fome. Até mesmo funcionários estão se queixando do desabastecimento. Isso porque a Prefeitura está há um mês sem fornecedor de alimentos para as escolas.

Até o mês passado, a administração era atendida pela empresa Cathita, de São Caetano, mas o contrato venceu em 29 de julho e a Prefeitura não renovou. Boa parte dos 22 mil alunos da rede municipal de ensino só está se alimentando ainda porque a empresa tem um “residual” (produtos restantes) para entregar ao Executivo, mas que deve acabar até o dia 12. “Quando eu parar, o abastecimento cai em pelo menos 70%, isso se eles tiverem um pequeno estoque”, avisa o empresário Otávio Gottardi Filho, proprietário da Cathita. Além da carne, alguns produtos, como farinha de trigo e aveia em flocos já não estão mais sendo entregues.

Em entrevista concedida ao Diário ontem à tarde, Damo entrou em contradição diversas vezes. Primeiro, revela que a licitação já foi feita: “Já foi feito o edital. Foi feito.... deixa eu ver..... não saberia te dizer agora. Mas fala com o Moisés (Vicente Pereira, chefe da Coordenadoria de Segurança Alimentar). Ele está mais por dentro do que o prefeito”. Logo depois, afirmou que já há uma empresa definida para ocupar o lugar da Cathita – a SP Alimentação, de São Paulo –, mas não sabe explicar como: “É ela. Ainda não entrou, mais vai entrar”. Em seguida, voltou a se contradizer: “Ainda não houve licitação. A informação que eu tenho é que a empresa vai concorrer”.

Assustado, o diretor-presidente da SP Alimentação, Eloizio Afonso, negou o acordo. “Não estou fornecendo nada. De jeito nenhum”. Mesmo assim, não descartou participar de uma futura licitação na cidade. Sem apresentar números, Damo afirmou, de forma reticente, que o novo contrato custará menos. Mas não é o que diz Gottardi Filho: “A terceirização vai triplicar os custos. Deve chegar perto de R$ 12 milhões”.

O contrato entre Cathita e Prefeitura de Mauá, de 12 meses, foi realizado por meio da concorrência pública 006/2005, pelo então prefeito interino Diniz Lopes (PL), atual presidente da Câmara. No documento, o valor para fornecimento de produtos perecíveis e estocáveis foi fixado em R$ 3.427.420,69, mas a administração deixou de pagar cerca de R$ 645 mil. Damo confirmou a dívida, deixando evidente a atual crise financeira enfrentada pela administração: “Se fosse só a Cathita estava bom. A Prefeitura está em situação muito difícil, por causa dos seqüestros de receitas. Então muitas empreiteiras estão em a ver e a Prefeitura não tem como saldar de uma vez”.

Gottardi Filho conta que, dias antes de vencer o contrato, esteve com Damo em seu gabinete para tratar da possível renovação e dos débitos da Prefeitura com a empresa. “O prefeito me disse que ia pensar nas duas questões. Mas dias depois fui informado que o contrato não iria ser renovado”, disse, sem entender o motivo. Damo, ao contrário, negou ter realizado encontro com o empresário. “Eu nem o conheço”.


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