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Chuvas de MG favorecem Itamar Franco


Do Diário do Grande ABC

15/01/2000 | 12:52


No rastro das enchentes que arrasaram cidades inteiras no Sul do estado, o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (sem partido), e o vice-governador Newton Cardoso (PMDB) colhem frutos políticos.

Prefeitos da regiao, inclusive adversários, avalizam a atuaçao do governo estadual no auge da crise e prevêem um ganho eleitoral. Mas a vantagem inicial pode ser seguida de desgaste, diz o prefeito Benedito Sinval Caputo (PSDB), de Careaçu, um dos municípios mais devastados pelas águas. "Quando você está salvando vidas, vira santo. Mas agora as pessoas estao tomando consciência das perdas e a preocupaçao passa a ser com lado material. Se o governo nao tiver como atender, como é que ficamos?" indaga.

A reaçao de Itamar Franco à visita de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) à regiao das enchentes - o governador chamou o presidente de demagogo - acabou sendo encarada pelos prefeitos como "natural".

Mesmo os tucanos nao poupam críticas ao governo federal, ao qual acusam de lento para a apresentaçao de ajuda aos municípios atingidos. "Do federal nao recebemos nada ainda, está muito devagar", queixa-se o prefeito de Itajubá, José Francisco Marques Ribeiro (PSDB). A cidade teve 60% de sua área inundada.

Em contraposiçao às críticas à Uniao, os prefeitos se derretem ao elogiar Itamar Franco e avaliam como muito positiva a transferência do governo estadual para o centro das enchentes, na cidade de Pouso Alegre.

Durante quatro dias, o governador e seus secretários trabalharam no Sul de Minas. Os prefeitos elogiam, também, o socorro às primeiras necessidades da populaçao desabrigada.

"A resposta do estado foi rápida, prática", ressalta o prefeito Marques Ribeiro. "Foi de suma importância para a gente a presença deles por aqui. Isso dá sempre um ânimo maior para a populaçao, que sente que o governo pode ser uma salva-guarda", analisa Benedito Caputo.

"Estou gostando muito da atuaçao do governo, que está sensível aos problemas. Apoiei Azeredo (o ex-governador tucano Eduardo Azeredo), mas sempre achei Itamar Franco um político muito importante para Minas e para o Brasil", salienta o prefeito de Pouso Alegre, Jair Siqueira (PPB).

Itamar Franco e Newton Cardoso nao estao, evidentemente, alheios á repercussao da atuaçao do governo diante das enchentes. Domingo, o governador promete anunciar outras medidas para atender as cidades do Sul de Minas. O governo tem procurado sempre ressaltar o que já foi feito.

Da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec), as cidades receberam, em meio às inundaçoes, milhares de cestas básicas e de cobertores, além de remédios.

Quando as chuvas pararam e o governador voltou para o Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte, o vice-governador assumiu a coordenaçao dos trabalhos junto às prefeituras.

Conhecido como trator, Cardoso nao perdeu sequer uma oportunidade de estreitar os laços com os prefeitos. E os recebeu separadamente no 20º Batalhao da Polícia Militar de Pouso Alegre. "Foi uma conversa de pé de ouvido", conta o assessor da Prefeitura de Sao Lourenço Jodil Duarte. "Fiquei impressionado", atesta.

Em tais conversas, Newton Cardoso prometeu ajuda maior, além do atendimento inicial, que inclui a disponibilizaçao de máquinas e veículos para a limpeza das cidades e recuperaçao de ruas e estradas, a agilizaçao de créditos junto ao Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais e até a distribuiçao de ambulâncias para quatro cidades.

Mas, diante das marcas das enchentes, os prefeitos querem mais, muito mais. A principal reivindicaçao no momento é de que o governo estadual abra mao dos 50% que lhe cabem do Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) para os 15 municípios que decretaram estado de calamidade pública.

O imposto é considerado uma espécie de salvaçao para o governo no mês de janeiro. A razao do pedido é óbvia, pois todos alegam que o caixa das prefeituras está zerado. Sao Lourenço, por exemplo, fez uma lista de pedidos que soma R$ 3,7 milhoes. "O caixa está baixo e a populaçao, apertada, nao deve nem pagar os impostos", resume o prefeito Clóvis Aparecido Nogueira (PFL).

Nogueira admite o ganho eleitoral de Itamar Franco, mas diz que nao é hora para se preocupar com isso. "Ele convenceu a populaçao com o gesto dele, da mesma forma que vou ter que convencê-la com o meu", ressalta, afirmando que o governo estadual foi "muito eficiente no primeiro momento".

O prefeito diz estar seguro de que continuará recebendo o auxílio do governo, que agora terá que ser traduzido em verbas. "Tenho certeza de que, de uma maneira ou outra, eles vao continuar nos ajudando", reflete.

O repasse de recursos ainda nao foi feito nem pelo governo estadual nem pelo federal. "Ainda nao recebemos dinheiro algum", conta José Francisco Marques Ribeiro de Itajubá. A reconstruçao da cidade, diz ele, depende de R$ 20 milhoes. "Três pontes foram danificadas, 15 escolas atingidas, sete postos de saúde perderam tudo, até equipamento de dentista e quatro creches registram danos materiais", contabiliza. Como pólo eletrônico do estado, Itajubá reúne mais de 60 indústrias, a maioria sofrendo com os estragos da enchente.

Marques Ribeiro destaca que o governo estadual nao discriminou qualquer prefeito por causa da coloraçao partidária. Tucano, ele diz: "Muito pelo contrário. Itajubá recebeu ajuda prontamente". Mas o prefeito acredita que a segunda fase, a da recuperaçao das cidades, pode trazer problemas, ao invés de benefícios eleitorais. "Pode haver é desgaste, porque a quantidade de pedidos é enorme e a gente sabe das dificuldades financeiras do estado", alerta, acrescentando que é preciso o governo federal se fazer presente. "O estadual tem sido muito mais ágil", compara.

A crítica é repetida por Benedito Sinval Caputo, de Careaçu: "Nao temos nem condiçoes de manter um engenheiro para avaliar os estragos. O governo federal podia mandar equipes da Caixa Econômica, do DNER ou da Defesa Civil", diz o prefeito. No município, as águas ainda nao baixaram totalmente e 1,8 mil pessoas nao puderam voltar para suas casas. "Estou preocupado com o que vem agora. O apoio moral é muito importante, mas agora temos que recompor os danos materiais", afirma.



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Chuvas de MG favorecem Itamar Franco

Do Diário do Grande ABC

15/01/2000 | 12:52


No rastro das enchentes que arrasaram cidades inteiras no Sul do estado, o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (sem partido), e o vice-governador Newton Cardoso (PMDB) colhem frutos políticos.

Prefeitos da regiao, inclusive adversários, avalizam a atuaçao do governo estadual no auge da crise e prevêem um ganho eleitoral. Mas a vantagem inicial pode ser seguida de desgaste, diz o prefeito Benedito Sinval Caputo (PSDB), de Careaçu, um dos municípios mais devastados pelas águas. "Quando você está salvando vidas, vira santo. Mas agora as pessoas estao tomando consciência das perdas e a preocupaçao passa a ser com lado material. Se o governo nao tiver como atender, como é que ficamos?" indaga.

A reaçao de Itamar Franco à visita de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) à regiao das enchentes - o governador chamou o presidente de demagogo - acabou sendo encarada pelos prefeitos como "natural".

Mesmo os tucanos nao poupam críticas ao governo federal, ao qual acusam de lento para a apresentaçao de ajuda aos municípios atingidos. "Do federal nao recebemos nada ainda, está muito devagar", queixa-se o prefeito de Itajubá, José Francisco Marques Ribeiro (PSDB). A cidade teve 60% de sua área inundada.

Em contraposiçao às críticas à Uniao, os prefeitos se derretem ao elogiar Itamar Franco e avaliam como muito positiva a transferência do governo estadual para o centro das enchentes, na cidade de Pouso Alegre.

Durante quatro dias, o governador e seus secretários trabalharam no Sul de Minas. Os prefeitos elogiam, também, o socorro às primeiras necessidades da populaçao desabrigada.

"A resposta do estado foi rápida, prática", ressalta o prefeito Marques Ribeiro. "Foi de suma importância para a gente a presença deles por aqui. Isso dá sempre um ânimo maior para a populaçao, que sente que o governo pode ser uma salva-guarda", analisa Benedito Caputo.

"Estou gostando muito da atuaçao do governo, que está sensível aos problemas. Apoiei Azeredo (o ex-governador tucano Eduardo Azeredo), mas sempre achei Itamar Franco um político muito importante para Minas e para o Brasil", salienta o prefeito de Pouso Alegre, Jair Siqueira (PPB).

Itamar Franco e Newton Cardoso nao estao, evidentemente, alheios á repercussao da atuaçao do governo diante das enchentes. Domingo, o governador promete anunciar outras medidas para atender as cidades do Sul de Minas. O governo tem procurado sempre ressaltar o que já foi feito.

Da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec), as cidades receberam, em meio às inundaçoes, milhares de cestas básicas e de cobertores, além de remédios.

Quando as chuvas pararam e o governador voltou para o Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte, o vice-governador assumiu a coordenaçao dos trabalhos junto às prefeituras.

Conhecido como trator, Cardoso nao perdeu sequer uma oportunidade de estreitar os laços com os prefeitos. E os recebeu separadamente no 20º Batalhao da Polícia Militar de Pouso Alegre. "Foi uma conversa de pé de ouvido", conta o assessor da Prefeitura de Sao Lourenço Jodil Duarte. "Fiquei impressionado", atesta.

Em tais conversas, Newton Cardoso prometeu ajuda maior, além do atendimento inicial, que inclui a disponibilizaçao de máquinas e veículos para a limpeza das cidades e recuperaçao de ruas e estradas, a agilizaçao de créditos junto ao Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais e até a distribuiçao de ambulâncias para quatro cidades.

Mas, diante das marcas das enchentes, os prefeitos querem mais, muito mais. A principal reivindicaçao no momento é de que o governo estadual abra mao dos 50% que lhe cabem do Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) para os 15 municípios que decretaram estado de calamidade pública.

O imposto é considerado uma espécie de salvaçao para o governo no mês de janeiro. A razao do pedido é óbvia, pois todos alegam que o caixa das prefeituras está zerado. Sao Lourenço, por exemplo, fez uma lista de pedidos que soma R$ 3,7 milhoes. "O caixa está baixo e a populaçao, apertada, nao deve nem pagar os impostos", resume o prefeito Clóvis Aparecido Nogueira (PFL).

Nogueira admite o ganho eleitoral de Itamar Franco, mas diz que nao é hora para se preocupar com isso. "Ele convenceu a populaçao com o gesto dele, da mesma forma que vou ter que convencê-la com o meu", ressalta, afirmando que o governo estadual foi "muito eficiente no primeiro momento".

O prefeito diz estar seguro de que continuará recebendo o auxílio do governo, que agora terá que ser traduzido em verbas. "Tenho certeza de que, de uma maneira ou outra, eles vao continuar nos ajudando", reflete.

O repasse de recursos ainda nao foi feito nem pelo governo estadual nem pelo federal. "Ainda nao recebemos dinheiro algum", conta José Francisco Marques Ribeiro de Itajubá. A reconstruçao da cidade, diz ele, depende de R$ 20 milhoes. "Três pontes foram danificadas, 15 escolas atingidas, sete postos de saúde perderam tudo, até equipamento de dentista e quatro creches registram danos materiais", contabiliza. Como pólo eletrônico do estado, Itajubá reúne mais de 60 indústrias, a maioria sofrendo com os estragos da enchente.

Marques Ribeiro destaca que o governo estadual nao discriminou qualquer prefeito por causa da coloraçao partidária. Tucano, ele diz: "Muito pelo contrário. Itajubá recebeu ajuda prontamente". Mas o prefeito acredita que a segunda fase, a da recuperaçao das cidades, pode trazer problemas, ao invés de benefícios eleitorais. "Pode haver é desgaste, porque a quantidade de pedidos é enorme e a gente sabe das dificuldades financeiras do estado", alerta, acrescentando que é preciso o governo federal se fazer presente. "O estadual tem sido muito mais ágil", compara.

A crítica é repetida por Benedito Sinval Caputo, de Careaçu: "Nao temos nem condiçoes de manter um engenheiro para avaliar os estragos. O governo federal podia mandar equipes da Caixa Econômica, do DNER ou da Defesa Civil", diz o prefeito. No município, as águas ainda nao baixaram totalmente e 1,8 mil pessoas nao puderam voltar para suas casas. "Estou preocupado com o que vem agora. O apoio moral é muito importante, mas agora temos que recompor os danos materiais", afirma.

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