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Menos diferença e mais respeito

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Crianças aproveitam o Dia da Consciência Negra para debater e refletir sobre o tema social


Tauana Marin
Diário do Grande ABC

18/11/2018 | 07:00


O debate sobre raça e preconceito precisa ser constante, mas o tema ganha força na terça-feira, com o Dia da Consciência Negra. A data reforça a luta pelos direitos dos negros e foi instituída em 2003. Apesar de não ser feriado nacional, as sete cidades da região aderem à comemoração. O momento serve como homenagem à memória de Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares (lugar para onde os escravos fugiam e podiam viver livres). O personagem histórico foi morto em 20 de novembro de 1695 pelas forças coloniais portuguesas.

O Diarinho conversou com crianças de São Caetano cujas mães participam do grupo Igualdade Racial do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, instalado em Santo André. No encontro, elas revelam o que pensam sobre o assunto e o que sentem em relação a preconceito e representatividade.

“O Dia da Consciência Negra é o momento em que temos que debater sobre o respeito. Quanto mais falarmos sobre isso, mais vamos melhorar as relações entre as pessoas. Às vezes, acabo levando na ‘zueira’ comentários que são desrespeitosos. É preciso mudar”, afirma Rian de Souza Nogueira, 11 anos. “Estamos subindo um degrau de cada vez, mas temos a escada inteira.”

O cabelo estiloso de Flor de Maria Nogueira Souza, 5, irmã de Rian, tem como referência o pai, adepto do estilo black power. “Gosto de usar tiaras turbantes porque fico bonita”, diz a menina. Ela se diverte com bonecas negras e é encantada pela personagem Tiana, da animação A Princesa e o Sapo (2009). “Ela é como eu!”, explica.

Para Hugo Jones Pereira, 11, o respeito à raça se assemelha ao que devemos ter diante das variadas religiões. “Não é porque acreditamos em coisas diferentes e pensamos de outra forma que estamos certos ou errados. E não é porque o outro fala coisas ruins a você que se deve fazer o mesmo”, comenta o estudante, que também é mestre-sala mirim de uma escola de samba. “A forma de tocar os instrumentos tem relação com a cultura afro. Faz parte de nossas raízes.”

Filmes com figuras negras, brinquedos temáticos e ligação com estilos musicais que possuem conexões históricas com a comunidade negra ajudam, principalmente as novas gerações, a melhorarem sua autoestima e a compreender mais sobre representatividade.

‘Eu tenho orgulho da minha cor/Do meu cabelo e do meu nariz/Sou assim e sou feliz/Índio, caboclo, cafuso, criolo!/Sou brasileiro!’ O trecho da música Sucrilhos, do rapper Criolo, é a preferida do pequeno Noah Nogueira Santos, 6 anos. Apesar da idade, o menino confessa já ter passado por situações difíceis na escola e deixou de brincar com colegas por conta de seu tom. “É ruim quando isso acontece. Sou igual a qualquer pessoa. Apenas a cor da minha pele é diferente. Os pais do meu amigo devem conversar com ele e explicar que somos iguais”, afirma.

Crianças buscam referências dentro de casa. Conhecer o certo e o errado sobre diferenças faz parte do cotidiano de Noah e as conversas com familiares o ajudam a ter orgulho de si mesmo. “Meu pai é meu cabeleireiro e gosto quando faz cortes diferentes. Fica legal, personalizado.”

Segundo Melissa da Silva Diniz, 6, terça-feira é o momento de refletir sobre a consciência em torno dos desafios dos negros. Para ela, a amizade entre todos precisa prevalecer. “Não é a cor da pele que vai fazer eu escolher meus amigos.”

Escolas precisam falar sobre cultura afro-brasileira

Lei federal em vigor há 15 anos determina que as instituições de ensino incluam e desenvolvam no currículo escolar a temática História e Cultura Afro-Brasileira. Apesar da norma, a regra não é contemplada da melhor forma.

O ideal é que todos os alunos tenham acesso a referências bibliográficas, por exemplo, com grandes personagens e mitos heróicos negros. Não apenas Zumbi dos Palmares, mas também há espaço para Lélia Gonzalez (intelectual, política, professora e antropóloga), Carolina Maria de Jesus (escritora), João da Cruz e Sousa (poeta), Luís Gonzaga Pinto da Gama (advogado, jornalista, escritor e o patrono da Abolição da Escravidão do Brasil), além de muitos outros. São figuras que fizeram muito pela comunidade negra e por toda a população brasileira.

ESCRAVIDÃO - A escravidão no País correu oficialmente até 1888. Durante esse período, vieram para o País cerca de 4 milhões de negros da África. Eles eram vendidos como produtos em grandes mercados e avaliados por suas condições físicas e eram separados de suas famílias. A maioria dessas pessoas foi comprada para trabalhar nas lavouras ou como empregados domésticos. Quem desobedecia era castigado ou morto.

No século 19, a industrialização na Europa começou a mudar os costumes do continente. A Inglaterra passou a ser contra a escravidão por acreditar que o preço dos escravos estava muito caro. A ideia de abolição chegou ao Brasil e, em 13 de maio de 1888, a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, que dava fim à escravidão no País.

O cabelo ‘black power’ ganhou fama entre os anos 1960 e 1970 e leva nome de mesmo movimento cultural

Consultoria de Luciana Xavier de Oliveira, professora adjunta do Centro de Engenharia, Modelagem e Ciências Sociais Aplicadas da UFABC (Universidade Federal do ABC).



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