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Filme mostra os dias D para Hitler


Alessandro Soares
Do Diário do Grande ABC

10/09/2005 | 08:00


A polêmica surgida no lançamento de A Queda! - As Últimas Horas de Hitler nos cinemas foi sobre a suavização da monstruosidade de Adolf Hitler, mostrado como um ser humano de atitudes ternas e paternais no filme de Oliver Hirschbiegel que chega agora em DVD nas locadoras. Primeiro, é uma polêmica sem sentido. Por mais paternal que ele pareça com alguns funcionários do 3º Reich alemão, sua insanidade e sua perda de senso da realidade exalam por todos os poros, por obra e arte da ótima caracterização do ator Bruno Ganz (de Asas do Desejo). Segundo, porque o filme mostra o ditador alemão, bem abrigado em seu bunker em Berlim, sem nenhuma pena da população alemã ("o que são civis em uma guerra?"), que sofria o maciço ataque dos Aliados enquanto o castelo de sonhos nazistas ruía, e Hitler rumava para o suicídio ao lado de sua mulher Eva Braun (Juliane Köhler). Portanto, nada suave.

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Cercado por seus generais, o ditador dá ordens histriônicas para o contra-ataque. Ver todos ali cientes de que era uma ação impossível e o fim da guerra inevitável, mas fiéis à palavra do Führer, é patético e trágico.

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Fechado em seu bunker subterrâneo, Hitler alternava serenidade com explosões de fúria. Em breves momentos do lado de fora, distribuía medalhas a crianças que lutavam na defesa de Berlim ao lado de soldados adultos. Dentro do bunker, Hitler não mostra pudores em condenar o povo alemão como ingrato e se vangloriava de ter livrado o país dos judeus, a quem acusou até o fim de complô para derrubar o Reich. Poucos assessores lúcidos - como o arquiteto Albert Speer (Heino Ferch) - tentam convencê-lo de que tudo acabou, mas é sua insanidade que permanece.

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Para evitar que o filme se tornasse um documentário encenado, o diretor optou pela narrativa clássica, opção que valorizou o drama e o subtexto. A exatidão histórica tem como crédito o testemunho da secretária Traudl Junge (interpretada por Alexandra Maria Lara), que viveu até 2002 e dá os depoimentos que abrem e fecham o filme: "Ser jovem não era desculpa para não tomar conhecimento do que acontecia", diz, na remissão de uma culpa que nos dias de Hitler era impensável.",1]);//-->

Alternando entre as quatro paredes do Bunker de Hitler, nos últimos dias de sua vida, e as ruas arrasadas de Berlim, o diretor Hirschbiegel promove um reencontro dos alemães com sua história e seu personagem mais emblemático, concentrando o drama no dia em que ele se matou, sem omitir nem a tragédia da situação nem o ridículo do personagem. Não é o caráter de monstruosidade ou humanidade da personalidade de Hitler que convida à reflexão. É o culto ao ícone, a fé inabalável no Führer como pai da pátria. É a sedução que a loucura desse monstro exercia sobre toda uma população que o filme reverbera, num reencontro com um triste passado e com pessoas que eram capazes de matar ou se matar apenas em nome do que acreditavam - vide Magda Goebbels, mulher do ministro nazista Joseph Goebbels, que não queria ver seu filhos crescerem num mundo sem nazismo e envenenou-os, sendo morta depois pelo marido suicida.

Cercado por seus generais, o ditador dá ordens histriônicas para o contra-ataque. Ver todos ali cientes de que era uma ação impossível e o fim da guerra inevitável, mas fiéis à palavra do Führer, é patético e trágico.

Fechado em seu bunker subterrâneo, Hitler alternava serenidade com explosões de fúria. Em breves momentos do lado de fora, distribuía medalhas a crianças que lutavam na defesa de Berlim ao lado de soldados adultos. Dentro do bunker, Hitler não mostra pudores em condenar o povo alemão como ingrato e se vangloriava de ter livrado o país dos judeus, a quem acusou até o fim de complô para derrubar o Reich. Poucos assessores lúcidos - como o arquiteto Albert Speer (Heino Ferch) - tentam convencê-lo de que tudo acabou, mas é sua insanidade que permanece.

Para evitar que o filme se tornasse um documentário encenado, o diretor optou pela narrativa clássica, opção que valorizou o drama e o subtexto. A exatidão histórica tem como crédito o testemunho da secretária Traudl Junge (interpretada por Alexandra Maria Lara), que viveu até 2002 e dá os depoimentos que abrem e fecham o filme: "Ser jovem não era desculpa para não tomar conhecimento do que acontecia", diz, na remissão de uma culpa que nos dias de Hitler era impensável.



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Filme mostra os dias D para Hitler

Alessandro Soares
Do Diário do Grande ABC

10/09/2005 | 08:00


A polêmica surgida no lançamento de A Queda! - As Últimas Horas de Hitler nos cinemas foi sobre a suavização da monstruosidade de Adolf Hitler, mostrado como um ser humano de atitudes ternas e paternais no filme de Oliver Hirschbiegel que chega agora em DVD nas locadoras. Primeiro, é uma polêmica sem sentido. Por mais paternal que ele pareça com alguns funcionários do 3º Reich alemão, sua insanidade e sua perda de senso da realidade exalam por todos os poros, por obra e arte da ótima caracterização do ator Bruno Ganz (de Asas do Desejo). Segundo, porque o filme mostra o ditador alemão, bem abrigado em seu bunker em Berlim, sem nenhuma pena da população alemã ("o que são civis em uma guerra?"), que sofria o maciço ataque dos Aliados enquanto o castelo de sonhos nazistas ruía, e Hitler rumava para o suicídio ao lado de sua mulher Eva Braun (Juliane Köhler). Portanto, nada suave.

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Cercado por seus generais, o ditador dá ordens histriônicas para o contra-ataque. Ver todos ali cientes de que era uma ação impossível e o fim da guerra inevitável, mas fiéis à palavra do Führer, é patético e trágico.

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Fechado em seu bunker subterrâneo, Hitler alternava serenidade com explosões de fúria. Em breves momentos do lado de fora, distribuía medalhas a crianças que lutavam na defesa de Berlim ao lado de soldados adultos. Dentro do bunker, Hitler não mostra pudores em condenar o povo alemão como ingrato e se vangloriava de ter livrado o país dos judeus, a quem acusou até o fim de complô para derrubar o Reich. Poucos assessores lúcidos - como o arquiteto Albert Speer (Heino Ferch) - tentam convencê-lo de que tudo acabou, mas é sua insanidade que permanece.

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Para evitar que o filme se tornasse um documentário encenado, o diretor optou pela narrativa clássica, opção que valorizou o drama e o subtexto. A exatidão histórica tem como crédito o testemunho da secretária Traudl Junge (interpretada por Alexandra Maria Lara), que viveu até 2002 e dá os depoimentos que abrem e fecham o filme: "Ser jovem não era desculpa para não tomar conhecimento do que acontecia", diz, na remissão de uma culpa que nos dias de Hitler era impensável.",1]);//-->

Alternando entre as quatro paredes do Bunker de Hitler, nos últimos dias de sua vida, e as ruas arrasadas de Berlim, o diretor Hirschbiegel promove um reencontro dos alemães com sua história e seu personagem mais emblemático, concentrando o drama no dia em que ele se matou, sem omitir nem a tragédia da situação nem o ridículo do personagem. Não é o caráter de monstruosidade ou humanidade da personalidade de Hitler que convida à reflexão. É o culto ao ícone, a fé inabalável no Führer como pai da pátria. É a sedução que a loucura desse monstro exercia sobre toda uma população que o filme reverbera, num reencontro com um triste passado e com pessoas que eram capazes de matar ou se matar apenas em nome do que acreditavam - vide Magda Goebbels, mulher do ministro nazista Joseph Goebbels, que não queria ver seu filhos crescerem num mundo sem nazismo e envenenou-os, sendo morta depois pelo marido suicida.

Cercado por seus generais, o ditador dá ordens histriônicas para o contra-ataque. Ver todos ali cientes de que era uma ação impossível e o fim da guerra inevitável, mas fiéis à palavra do Führer, é patético e trágico.

Fechado em seu bunker subterrâneo, Hitler alternava serenidade com explosões de fúria. Em breves momentos do lado de fora, distribuía medalhas a crianças que lutavam na defesa de Berlim ao lado de soldados adultos. Dentro do bunker, Hitler não mostra pudores em condenar o povo alemão como ingrato e se vangloriava de ter livrado o país dos judeus, a quem acusou até o fim de complô para derrubar o Reich. Poucos assessores lúcidos - como o arquiteto Albert Speer (Heino Ferch) - tentam convencê-lo de que tudo acabou, mas é sua insanidade que permanece.

Para evitar que o filme se tornasse um documentário encenado, o diretor optou pela narrativa clássica, opção que valorizou o drama e o subtexto. A exatidão histórica tem como crédito o testemunho da secretária Traudl Junge (interpretada por Alexandra Maria Lara), que viveu até 2002 e dá os depoimentos que abrem e fecham o filme: "Ser jovem não era desculpa para não tomar conhecimento do que acontecia", diz, na remissão de uma culpa que nos dias de Hitler era impensável.

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