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Casal de moradores de rua de Diadema morre soterrado

Valdir Lopes/Especial para o Diário  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Homem e mulher de Diadema são as primeiras
vítimas das chuvas no Grande ABC desde 2011


Vanessa de Oliveira
Do Diário do Grande ABC

27/11/2014 | 07:00


Deslizamento de terra matou um casal de moradores de rua na madrugada de ontem, em terreno particular na Avenida Alda, 640, na região central de Diadema. Eles foram as primeiras vítimas da chuva neste ano. As últimas mortes em decorrência de deslizamentos e alagamentos registradas na região ocorreram no fim de 2011, quando quatro pessoas morreram no morro do Macuco, em Mauá. Em fevereiro de 2013, mulher veio a óbito no km 52 da Rodovia dos Imigrantes, em Cubatão, após uma encosta ceder devido ao temporal (leia mais ao lado).

Por volta da meia-noite, o barranco não suportou a infiltração de água causada pela chuva do dia anterior e cedeu, soterrando homem e uma mulher que dormiam próximo ao muro de arrimo do local. Eles não foram identificados.

Segundo a Prefeitura, a GCM (Guarda Civil Municipal) foi acionada apenas por volta das 11h de ontem e enviou três viaturas, além de duas equipes da Defesa Civil. Para atender a ocorrência, também foi deslocada viatura do Corpo de Bombeiros. Ao chegar ao local, porém, o casal já havia morrido.

O comerciante César Carignano, 36, que é proprietário de um depósito de material de construção nas proximidades do terreno e morador do andar de cima da loja, ouviu o estrondo do deslizamento. “Escutei barulho de um muro caindo. Como tem uma obra ao lado, imaginei que era algo ali. Saí na varanda, mas não dava visão. Só pela manhã vi a movimentação e os vizinhos deram conta de que a menina que vivia ali com um rapaz não buscou o café que pegava do outro lado da rua.”

Os bombeiros iniciaram a retirada dos corpos das duas vítimas por volta das 11h30, trabalho concluído às 15h. O boletim de ocorrência foi registrado no 1º DP (Centro) de Diadema. Não há residência ou imóvel no entorno do local. Após o deslizamento, o perfil do terreno está estável e não há risco de outro acidente, segundo a Defesa Civil.

Desde o início de 2014, a Prefeitura informou ter removido cerca de 30 moradias em situação de risco. A Secretaria de Habitação e Desenvolvimento Urbano está em processo de interdição de 14 moradias com o mesmo problema, a fim de remover as famílias. Os moradores serão inclusos no Programa Auxílio Moradia, que atende hoje 1.200 pessoas no município.

A remoção, porém, enfrenta dificuldades diante da resistência das famílias, segundo o prefeito Lauro Michels (PV). “É um trabalho difícil convencer as pessoas a saírem desses locais. Elas ficam apreensivas de deixarem para trás tudo o que construíram. Mas estamos fazendo o plano de remoção, o cadastramento para unidades habitacionais, a inclusão no auxílio-aluguel e esperamos removê-las até o fim do ano”, fala ele, acrescentando que equipes da Guarda Ambiental e da GCM atuam constantemente na fiscalização dessas áreas para evitar ocupações.

A Defesa Civil da cidade realiza atualmente visitas a áreas do Plano Municipal de Redução de Risco para atualizar o mapeamento geotécnico, documento que indica os principais locais com risco de alagamentos e deslizamentos. As vistorias são necessárias para realizar ações preventivas para evitar acidentes. Também foi elaborado um plano de contingência, no qual estão previstas ações integradas de prevenção e atendimento às ocorrências.

Para os próximos três dias, a previsão é de pancadas de chuvas e trovoadas isoladas, de acordo com o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia).

TRANSTORNO

A tempestade da tarde de ontem também causou transtornos – de menor proporção – em Santo André. Na Rua Coronel Fernando Prestes, na Vila Assunção, tubulações se romperam e houve a queda de um muro, além do afundamento de dois postes e de um ponto de ônibus. A situação deixou o trânsito local prejudicado.

Mauá foi palco das últimas mortes

As últimas tragédias registradas na região em decorrência da chuva aconteceram quase todas no mesmo lugar: morro do Macuco, em Mauá. As duas vítimas morreram em deslizamento no dia 5 de janeiro de 2011. O garoto Tauã Trindade dos Santos Lima, 11 anos, e a sua mãe, Deise Trindade dos Santos, 34, foram soterrados dentro do barraco em que moravam. A irmã e o tio da criança, que também estavam na casa, conseguiram escapar e sofreram ferimentos leves.

Na madrugada do dia 11 de janeiro do mesmo ano, as vítimas foram o adolescente Paulo dos Santos, 16, e o aposentado Marcos Antônio Marosticon, 58. Os corpos dos dois vizinhos só foram encontrados pelo Corpo de Bombeiros pela manhã.

A cidade também registrou outra morte causada por deslizamento de terra na Rua Vereador Alberto Ratti, no Jardim Rosina. Outra morte provocada pela chuva em 2011 foi a da aposentada Antonia Avelaneda Grande, 63. A vítima morreu afogada dentro de casa após salvar o pai e dois netos de uma enchente.

Vítima mais recente de temporais foi uma mulher que morreu após uma encosta desabar na altura do km 52 da Rodovia dos Imigrantes, em Cubatão, em fevereiro de 2013.

REMOÇÕES

Neste ano, as prefeituras da região alegaram dificuldades em remover famílias de áreas de risco devido à falta de chuvas no último verão. Segundo informações do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, das 630 famílias que se encontravam em áreas de risco crítico na região, 353 foram removidas, mas restam ainda 277 vivendo em locais suscetíveis a tragédias.  



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Casal de moradores de rua de Diadema morre soterrado

Homem e mulher de Diadema são as primeiras
vítimas das chuvas no Grande ABC desde 2011

Vanessa de Oliveira
Do Diário do Grande ABC

27/11/2014 | 07:00


Deslizamento de terra matou um casal de moradores de rua na madrugada de ontem, em terreno particular na Avenida Alda, 640, na região central de Diadema. Eles foram as primeiras vítimas da chuva neste ano. As últimas mortes em decorrência de deslizamentos e alagamentos registradas na região ocorreram no fim de 2011, quando quatro pessoas morreram no morro do Macuco, em Mauá. Em fevereiro de 2013, mulher veio a óbito no km 52 da Rodovia dos Imigrantes, em Cubatão, após uma encosta ceder devido ao temporal (leia mais ao lado).

Por volta da meia-noite, o barranco não suportou a infiltração de água causada pela chuva do dia anterior e cedeu, soterrando homem e uma mulher que dormiam próximo ao muro de arrimo do local. Eles não foram identificados.

Segundo a Prefeitura, a GCM (Guarda Civil Municipal) foi acionada apenas por volta das 11h de ontem e enviou três viaturas, além de duas equipes da Defesa Civil. Para atender a ocorrência, também foi deslocada viatura do Corpo de Bombeiros. Ao chegar ao local, porém, o casal já havia morrido.

O comerciante César Carignano, 36, que é proprietário de um depósito de material de construção nas proximidades do terreno e morador do andar de cima da loja, ouviu o estrondo do deslizamento. “Escutei barulho de um muro caindo. Como tem uma obra ao lado, imaginei que era algo ali. Saí na varanda, mas não dava visão. Só pela manhã vi a movimentação e os vizinhos deram conta de que a menina que vivia ali com um rapaz não buscou o café que pegava do outro lado da rua.”

Os bombeiros iniciaram a retirada dos corpos das duas vítimas por volta das 11h30, trabalho concluído às 15h. O boletim de ocorrência foi registrado no 1º DP (Centro) de Diadema. Não há residência ou imóvel no entorno do local. Após o deslizamento, o perfil do terreno está estável e não há risco de outro acidente, segundo a Defesa Civil.

Desde o início de 2014, a Prefeitura informou ter removido cerca de 30 moradias em situação de risco. A Secretaria de Habitação e Desenvolvimento Urbano está em processo de interdição de 14 moradias com o mesmo problema, a fim de remover as famílias. Os moradores serão inclusos no Programa Auxílio Moradia, que atende hoje 1.200 pessoas no município.

A remoção, porém, enfrenta dificuldades diante da resistência das famílias, segundo o prefeito Lauro Michels (PV). “É um trabalho difícil convencer as pessoas a saírem desses locais. Elas ficam apreensivas de deixarem para trás tudo o que construíram. Mas estamos fazendo o plano de remoção, o cadastramento para unidades habitacionais, a inclusão no auxílio-aluguel e esperamos removê-las até o fim do ano”, fala ele, acrescentando que equipes da Guarda Ambiental e da GCM atuam constantemente na fiscalização dessas áreas para evitar ocupações.

A Defesa Civil da cidade realiza atualmente visitas a áreas do Plano Municipal de Redução de Risco para atualizar o mapeamento geotécnico, documento que indica os principais locais com risco de alagamentos e deslizamentos. As vistorias são necessárias para realizar ações preventivas para evitar acidentes. Também foi elaborado um plano de contingência, no qual estão previstas ações integradas de prevenção e atendimento às ocorrências.

Para os próximos três dias, a previsão é de pancadas de chuvas e trovoadas isoladas, de acordo com o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia).

TRANSTORNO

A tempestade da tarde de ontem também causou transtornos – de menor proporção – em Santo André. Na Rua Coronel Fernando Prestes, na Vila Assunção, tubulações se romperam e houve a queda de um muro, além do afundamento de dois postes e de um ponto de ônibus. A situação deixou o trânsito local prejudicado.

Mauá foi palco das últimas mortes

As últimas tragédias registradas na região em decorrência da chuva aconteceram quase todas no mesmo lugar: morro do Macuco, em Mauá. As duas vítimas morreram em deslizamento no dia 5 de janeiro de 2011. O garoto Tauã Trindade dos Santos Lima, 11 anos, e a sua mãe, Deise Trindade dos Santos, 34, foram soterrados dentro do barraco em que moravam. A irmã e o tio da criança, que também estavam na casa, conseguiram escapar e sofreram ferimentos leves.

Na madrugada do dia 11 de janeiro do mesmo ano, as vítimas foram o adolescente Paulo dos Santos, 16, e o aposentado Marcos Antônio Marosticon, 58. Os corpos dos dois vizinhos só foram encontrados pelo Corpo de Bombeiros pela manhã.

A cidade também registrou outra morte causada por deslizamento de terra na Rua Vereador Alberto Ratti, no Jardim Rosina. Outra morte provocada pela chuva em 2011 foi a da aposentada Antonia Avelaneda Grande, 63. A vítima morreu afogada dentro de casa após salvar o pai e dois netos de uma enchente.

Vítima mais recente de temporais foi uma mulher que morreu após uma encosta desabar na altura do km 52 da Rodovia dos Imigrantes, em Cubatão, em fevereiro de 2013.

REMOÇÕES

Neste ano, as prefeituras da região alegaram dificuldades em remover famílias de áreas de risco devido à falta de chuvas no último verão. Segundo informações do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, das 630 famílias que se encontravam em áreas de risco crítico na região, 353 foram removidas, mas restam ainda 277 vivendo em locais suscetíveis a tragédias.  

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