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Onde há fumaça sem fogo

Fernando Cavendish, presidente da Delta, disse numa gravação que os políticos são venais e que ele compra senadores.


Carlos Brickmann

25/04/2012 | 00:00


Fernando Cavendish, presidente da Delta, disse numa gravação que os políticos são venais e que ele compra senadores. A Delta é a maior empreiteira do PAC, que é PT; Cavendish é amigo de fé do governador do Rio, PMDB; colocou quase 1/4 de suas doações a políticos de todo o País na campanha à prefeitura paulistana do PT, em 2004. O bicheiro Carlinhos Cachoeira é um dos melhores amigos do senador Demóstenes Torres, ex-DEM. Pediu emprego para sua sobrinha (e conseguiu) ao então governador de Minas, PSDB. Nas gravações, é citado como seu contato o ex-prefeito de Uberaba, PSD; e também o secretário do governo de Minas, PSDB. Há gravações com o ex-governador de Goiás e hoje prefeito de Aparecida de Goiânia, PMDB, e o prefeito de Goiânia, PT.

O senador pernambucano Jarbas Vasconcelos, expoente da reduzidíssima ‘ala ética' do PMDB, diz que a CPI de Carlinhos Cachoeira deve investigar o crime organizado. "Temos a oportunidade de chegar aos corruptos e corruptores".

Será uma agitação fantástica, cheia de som e fúria, significando nada. Um épico como o de Shakespeare. Somado a outro épico, de Ascenso Ferreira, parafraseando Cervantes: "Triscando os cavalos!/Tinindo as esporas!/Través das coxilhas!/Saí de meus pagos em louca arrancada!/ Para quê? Para nada!"

Tudo pode acontecer - até mesmo a CPI dar certo. Mas a tendência não é essa: sobrando lama para todo lado, quem é que tem interesse em transformar o barulho em conclusões? O que vale é a fumaça nos olhos.

É o calor, não a luz.

LIVRE-PENSAR

Mas, como a imaginação é livre, suponhamos que os políticos interessados em investigar o caso lotem uma Kombi e consigam liderar a CPI, levando-a a apurar o que há e o que houve. O prazo regimental é de 180 dias, prorrogáveis por mais 180. Imaginemos que fique comprovado que o empresário zoológico pagou propinas, fez tráfico de influência, operou ilegalmente em conjunto com empreiteiras e promoveu evasão de divisas. Sonhemos até com o impossível: que se apurem os dados da conta internacional que recebe o dinheiro sujo.

E daí, nada. Daqui a 360 dias, a CPI envia seu relatório ao Ministério Público. Nesse período, todo o teatro terá sido montado: julgamentos em conselhos de ética, expulsões de partidos, furibundos discursos em defesa da moral e dos bons costumes. Punições, se houver, apenas as políticas - lembre-se do ministro afastado pelas acusações de malfeitos que reassumiu o mandato e está até no Conselho de Ética. E o caso já estará velho.

No outono de 2013, o assunto será a Copa.

CIPÓ DE AROEIRA

Um bom exemplo da confusão que a teia de relacionamentos de Carlinhos Cachoeira está causando é o Paraná. O senador Roberto Requião, do PMDB, quer convocar o ex-deputado Gustavo Fruet, hoje no PDT, partido que apoia o governo, para saber se ele mantém a opinião que manifestou sobre os petistas no caso do Mensalão. Fruet já reuniu os dados para mostrar que Requião, hoje crítico do bicheiro, recebeu-o duas vezes em palácio quando era governador e acumulava o cargo de secretário da Segurança.

A GRANDE FRASE

De autor desconhecido: "Quem compra drogas financia o crime organizado. Quem paga impostos, também".

JUSTIÇA QUE TARDA, FALHA

Antônio Maria, cronista e compositor (Ninguém me Ama, Manhã de Carnaval, Valsa de uma Cidade) morreu em 1964. Seu seguro de vida, sabe-se lá por que, só foi pago à viúva e aos filhos em 2001. Tinha sido estipulado em cruzeiros, mas foi pago em reais, convertido por critérios que a seguradora escolheu. A família recorreu. Em 2006, cinco anos depois, o caso chegou a Brasília. O STJ levou quase seis anos para julgá-lo. E acabou decidindo, agora, 48 anos após a morte de Antônio Maria, que o processo deve voltar ao Rio para ser novamente analisado pelo Tribunal de Justiça. O caso vem sendo acompanhado pelo excelente portal gaúcho Espaço Vital (www.espacovital.com.br).

Detalhe curioso: Antônio Maria morreu aos 43 anos. A demora no pagamento do seguro contratado é mais longa que sua vida.



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Onde há fumaça sem fogo

Fernando Cavendish, presidente da Delta, disse numa gravação que os políticos são venais e que ele compra senadores.

Carlos Brickmann

25/04/2012 | 00:00


Fernando Cavendish, presidente da Delta, disse numa gravação que os políticos são venais e que ele compra senadores. A Delta é a maior empreiteira do PAC, que é PT; Cavendish é amigo de fé do governador do Rio, PMDB; colocou quase 1/4 de suas doações a políticos de todo o País na campanha à prefeitura paulistana do PT, em 2004. O bicheiro Carlinhos Cachoeira é um dos melhores amigos do senador Demóstenes Torres, ex-DEM. Pediu emprego para sua sobrinha (e conseguiu) ao então governador de Minas, PSDB. Nas gravações, é citado como seu contato o ex-prefeito de Uberaba, PSD; e também o secretário do governo de Minas, PSDB. Há gravações com o ex-governador de Goiás e hoje prefeito de Aparecida de Goiânia, PMDB, e o prefeito de Goiânia, PT.

O senador pernambucano Jarbas Vasconcelos, expoente da reduzidíssima ‘ala ética' do PMDB, diz que a CPI de Carlinhos Cachoeira deve investigar o crime organizado. "Temos a oportunidade de chegar aos corruptos e corruptores".

Será uma agitação fantástica, cheia de som e fúria, significando nada. Um épico como o de Shakespeare. Somado a outro épico, de Ascenso Ferreira, parafraseando Cervantes: "Triscando os cavalos!/Tinindo as esporas!/Través das coxilhas!/Saí de meus pagos em louca arrancada!/ Para quê? Para nada!"

Tudo pode acontecer - até mesmo a CPI dar certo. Mas a tendência não é essa: sobrando lama para todo lado, quem é que tem interesse em transformar o barulho em conclusões? O que vale é a fumaça nos olhos.

É o calor, não a luz.

LIVRE-PENSAR

Mas, como a imaginação é livre, suponhamos que os políticos interessados em investigar o caso lotem uma Kombi e consigam liderar a CPI, levando-a a apurar o que há e o que houve. O prazo regimental é de 180 dias, prorrogáveis por mais 180. Imaginemos que fique comprovado que o empresário zoológico pagou propinas, fez tráfico de influência, operou ilegalmente em conjunto com empreiteiras e promoveu evasão de divisas. Sonhemos até com o impossível: que se apurem os dados da conta internacional que recebe o dinheiro sujo.

E daí, nada. Daqui a 360 dias, a CPI envia seu relatório ao Ministério Público. Nesse período, todo o teatro terá sido montado: julgamentos em conselhos de ética, expulsões de partidos, furibundos discursos em defesa da moral e dos bons costumes. Punições, se houver, apenas as políticas - lembre-se do ministro afastado pelas acusações de malfeitos que reassumiu o mandato e está até no Conselho de Ética. E o caso já estará velho.

No outono de 2013, o assunto será a Copa.

CIPÓ DE AROEIRA

Um bom exemplo da confusão que a teia de relacionamentos de Carlinhos Cachoeira está causando é o Paraná. O senador Roberto Requião, do PMDB, quer convocar o ex-deputado Gustavo Fruet, hoje no PDT, partido que apoia o governo, para saber se ele mantém a opinião que manifestou sobre os petistas no caso do Mensalão. Fruet já reuniu os dados para mostrar que Requião, hoje crítico do bicheiro, recebeu-o duas vezes em palácio quando era governador e acumulava o cargo de secretário da Segurança.

A GRANDE FRASE

De autor desconhecido: "Quem compra drogas financia o crime organizado. Quem paga impostos, também".

JUSTIÇA QUE TARDA, FALHA

Antônio Maria, cronista e compositor (Ninguém me Ama, Manhã de Carnaval, Valsa de uma Cidade) morreu em 1964. Seu seguro de vida, sabe-se lá por que, só foi pago à viúva e aos filhos em 2001. Tinha sido estipulado em cruzeiros, mas foi pago em reais, convertido por critérios que a seguradora escolheu. A família recorreu. Em 2006, cinco anos depois, o caso chegou a Brasília. O STJ levou quase seis anos para julgá-lo. E acabou decidindo, agora, 48 anos após a morte de Antônio Maria, que o processo deve voltar ao Rio para ser novamente analisado pelo Tribunal de Justiça. O caso vem sendo acompanhado pelo excelente portal gaúcho Espaço Vital (www.espacovital.com.br).

Detalhe curioso: Antônio Maria morreu aos 43 anos. A demora no pagamento do seguro contratado é mais longa que sua vida.

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