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As mortes que as águas lavam

Carlinhos Cachoeira e bicho, Carlinhos Cachoeira e políticos, Carlinhos Cachoeira e empresários.

Carlos Brickmann
23/05/2012 | 00:00
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Carlinhos Cachoeira e bicho, Carlinhos Cachoeira e políticos, Carlinhos Cachoeira e empresários. Aqui, uma nova visão de seus múltiplos braços: Carlinhos Cachoeira e o silêncio de quem deveria estar fazendo barulho. Há pouco mais de um ano, em 6 de abril de 2011, o empresário Valterci Melo, dono do Laboratório Teuto, de Goiás, dirigindo seu Bentley - um dos carros mais caros do mundo - atingiu uma motocicleta, matando os três ocupantes: Wandeir Marino Alves, seu sobrinho de 12 anos, seu filho de 2 anos. Mas não se trata de procurar o responsável pelo acidente: é contar o fato como o fato foi.

A Polícia Federal gravou o telefonema entre uma moça, Márcia, falando em nome de Valterci, e Carlinhos Cachoeira. A moça perguntou se era ele o dono do jornal O Anápolis. Cachoeira disse que não, que na região ajudava outro jornal, e deu o primeiro nome do dono de O Anápolis. Márcia explicou: "Aquele acidente do Valterci. Eu consegui, não foi nada para lugar nenhum. Mas, o Google... Como O Anápolis é vinculado ao Google, eles puseram a matéria falando que (...). E aí eu tenho que pedir para esse cara tirar do site dele, do jornal dele. Porque se ele tirar sai imediatamente do Google (...)" Mas O Anápolis deu a notícia (www.oanapolis.com.br/v2/coluna.asp?name=POL%CDCIA&id=10696); o Opção, de Goiânia, também. Entretanto, o esforço de Márcia teve resultado: no resto da imprensa, nem a gravação da Polícia Federal foi publicada.

Já Valterci mandou consertar o Bentley e comprou um Rolls-Royce zerinho.

SAIBA TUDO

Veja em www.jornalopcao.com.br/colunas/anapolis/dono-do-teuto-envolvido-em-acidente-com-3-mortes-e-versoes-contraditorias a notícia do jornal Opção. E não esqueça um detalhe: os demais veículos de comunicação noticiaram amplamente não apenas o grande Réveillon promovido por Valterci como também sua separação da mulher. Apenas o caso das mortes ficou restrito a poucos jornais.

OI EU AQUI, GENTE!

Do deputado federal Fernando Francischini, tucano do Paraná, em Twitter enviado na hora em que deveria estar concentrado em ouvir os depoimentos da CPI: "Estou ao vivo agora falando na CPMI, acompanhem pela Globo News!" Antes, frase assim só aparecia no estádio, para atrair a atenção do Galvão Bueno.

ENVELHECEU, VIROU JÂNIO

Deliciosa nota da coluna de Ancelmo Gois, em O Globo:

Fernando Collor, na CPI do Cachoeira, tem chamado mais atenção pelo... linguajar circuncisfláutico. Quinta, ao justificar a estapafúrdia tentativa de convocação do coleguinha Policarpo Jr., da Veja, declamou: "Não se me acoime de ter comportamento alapado, lançadiço ou rafeiro em relação ao hebdomadário em tela". Hã? Góis explica: ‘Acoimar', segundo o Aurélio, é castigar, punir, censurar. ‘Alapado' é escondido. ‘Lançadiço' é desprezível. ‘Rafeiro' é o indivíduo que acompanha sempre o outro, como cão de guarda, vigiando-o, defendendo-o. ‘Hebdomadário' é semanário, caso da Veja. E ‘circuncisfláutico' quer dizer rebuscado, pretensioso.

SAÍDA POSSÍVEL

Caso o senador Collor, que distingue com seu apoio a curul presidencial, não consiga seu objetivo na CPI, sempre lhe restará deprecar ao Pretório Excelso.

PAPO-CABEÇA

Está decidido: o Banco do Brasil aprovou a liberação de empréstimo de R$ 3,6 bilhões ao governo fluminense, para uso em 14 programas prioritários do governador Sérgio Cabral - que vão de novas estradas à extensão do Metrô. E, certamente, a estimular a indústria do Estado. As indústrias de bons guardanapos, de tecidos finos, que se preparem para novas encomendas.




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