Política Titulo Sem apoio
Aliados deixam Leonel Damo na mão

Sem apoio para aprovar as contas da Prefeitura de 2008,
ex-prefeito de Mauá pode ser enquadrado na Ficha Limpa

Mark Ribeiro
Do Diário do Grande ABC
16/04/2012 | 07:00
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Orlando Filho/DGABC


Ex-prefeito de Mauá por dois mandatos (1983 a 1988 e 2005 a 2008), Leonel Damo (PMDB) é pivô de jogo de empurra protagonizado por aliados à sua última gestão, que terão de votar, no dia 24, as contas de 2008 da Prefeitura, reprovadas pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado). Na Câmara, ninguém assume a responsabilidade de articular a aprovação das finanças. Em caso de revés no plenário, o peemedebista será enquadrado na Lei da Ficha Limpa, ficará inelegível por oito anos e terá de abdicar da pré-candidatura a vereador.

Apesar de a Comissão de Finanças do Legislativo, presidida pelo líder do governo Damo, Luiz Alfredo Simão (PSB), ter emitido parecer pela aprovação das contas, o aval está longe de ser alcançado. Prova disso é que o socialista teve de pedir adiamento da votação da peça na terça-feira. Para derrubar o parecer do TCE e aprovar as finanças serão necessários os votos de pelo menos 12 dos 17 vereadores.

Segundo Manoel Lopes (DEM), aliado histórico de Damo (sua mulher, Ângela Donatiello, foi secretária de Educação na gestão passada), o responsável por manobrar a salvação política do ex-prefeito é Simão. "Quem fazia a defesa da administração passada na tribuna era ele. Eu não era o líder do governo", esquiva-se. Sobre o fato de ser casado com então integrante do primeiro escalão, reconheceu ter "responsabilidade de votar a favor por Ângela ter sido secretária, mas não de assumir a tarefa (de conquistar apoios e livrar o peemedebista)".

As declarações foram rebatidas por Simão, atualmente alinhado com o governo Oswaldo Dias (PT), adversário de Damo. "Então o Leonel vai perder a votação", disparou, ao repassar o papel ao democrata e a Edgard Grecco (PMDB), cuja irmã, Silvia Prin Grecco, foi secretária de Assistência Social da administração passada. "Minha esposa e minha irmã nunca foram secretárias. Faz três anos que o governo passou e ainda tenho que defender? Isso só pode ser piada."

Recuperando-se de crise de hipertensão, Edgard não concedeu entrevista. Apesar do imbróglio sobre quem irá assumir o papel de salvar Damo, os três votarão a favor das contas, bloco que tem outros seis vereadores. Grupo independente com Professor Betinho (PSDC), Edimar da Reciclagem (PSDB) e Batoré (PP) decidirá o placar. O trio está em primeiro mandato, sem ter, portanto, ligação com o ex-prefeito. A bancada do PT (com quatro vereadores) e Irmão Ozelito (PTB) deverão votar pela reprovação das contas, acatando o parecer do TCE.

PROBLEMAS

Para embasar o parecer contrário às contas de 2008 da Prefeitura, o TCE apontou o empenho de apenas 16,68% do Orçamento na Educação (o mínimo exigido pela Constituição é 25%), a aplicação de somente 86,84% dos recursos destinados ao Fundeb, pagamentos insuficientes de precatórios, deficit orçamentário de 10,53% e falta de recolhimento do INSS e Pasep.

A maioria dos itens constaram também nas contas de 2006 e 2007, reprovadas pelo TCE e aprovadas pela Câmara. Desta vez, contudo, pesa no julgamento político de Damo o fato de ele ser pré-candidato a vereador, se tornando ameaça aos atuais ocupantes das cadeiras que tentarão a reeleição.

Apesar da sinalização de que será abandonado por aliados, Damo não admite cenário desfavorável. "Não tenho receio (de ficar inelegível). Confio nos vereadores. São meus amigos."




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