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Tortorello tenta manter sua rotina


Giba Bergamim Jr.
Do Diário do Grande ABC

09/11/2004 | 09:56


No primeiro dia útil após a divulgação da enfermidade que o acomete, o prefeito de São Caetano, Luiz Tortorello (PTB), procurou manter uma rotina no seu gabinete. Nesta segunda pela manhã, Tortorello esteve no Palácio Cerâmica. Aparentemente mais magro, o prefeito foi visto pela reportagem caminhando pelos corredores da sede do executivo, no Parque Chico Mendes. Tortorello tentou mostrar que seu governo transcorre dentro da normalidade e que os problemas de saúde não afetam sua atuação. Ele conversou com funcionários, participou de reuniões, deu ordens, mas não quis falar com o Diário. "Depois eu vejo", teria dito a um de seus assessores, após ser informado que a reportagem havia lhe solicitado uma entrevista.

O Diário tentou, durante todo o dia desta segunda, conversar com o prefeito. Para isso, permaneceu das 8h45 às 12h55 na Prefeitura. À tarde houve plantão em frente à residência de Tortorello, no bairro Olímpico. Nesse período, o prefeito descansou. A intenção da reportagem era esclarecer as informações disseminadas pela cidade às quais dão conta de que Tortorello seria vítima de uma doença grave. Assessores do prefeito disseram que também não têm domínio das informações sobre o estado de saúde de Tortorello.

Durante a manhã, o prefeito teve reuniões rápidas com seu sucessor, o prefeito eleito José Auricchio Júnior, com o vereador Jorge Salgado (PTB) e com o diretor de Assuntos Jurídicos, João da Costa Faria. Segundo sua assessoria, a agenda desta segunda do prefeito era livre, ou seja, não havia nenhuma atividade externa de trabalho, nem reuniões de diretoria marcadas.

Por volta das 12h40, ciente de que o prefeito trabalhava normalmente, a reportagem foi à recepção do gabinete de Tortorello, onde foi recebida pela assessoria de imprensa do petebista. Neste momento, o prefeito passou pela recepção e seguiu para a diretoria da Fazenda. Informado da intenção do Diário de entrevistá-lo, ele disse que não pretendia falar e que teria outros compromissos. Em seguida, dirigiu-se ao carro oficial - um Vectra prata - que o aguardava. O veículo o transportou até sua casa. Às 14h, a assessoria de imprensa da prefeitura informou que o prefeito não voltaria mais para o gabinete.

A reportagem deslocou-se, então, para a residência de Tortorello. Entre 14h30 e 17h houve um entra-e-sai de seguranças e parentes do prefeito no local. Eram 17h45 quando Tortorello, sozinho, passou pelo portão de sua casa e entrou no mesmo Vectra que o havia deixado em casa. O carro, que chegara poucos minutos antes, partiu com o prefeito no banco da frente.

A equipe do Diário seguiu o veículo, que em seguida entrou numa rua à esquerda. A reportagem foi despistada por um Santana azul - que seria usado por seguranças do prefeito e trafegava em baixa velocidade - e perdeu o veículo do prefeito de vista.

Às 18h10, o prefeito participou de uma reunião no auditório do colégio Pueri Domus para a criação do Conselho Municipalista de Estudos Políticos. Compareceram ao encontro cerca de 200 pessoas. O objetivo do conselho, segundo o discurso do prefeito, é dinamizar a política na cidade. Trata-se de uma instituição apartidária, não ligada a partidos específicos. A cerimônia durou cerca de uma hora. Tortorello falou ao microfone por aproximadamente 30 minutos. É possível que nesta quarta-feira o prefeito Luiz Tortorello receba a reportagem do Diário para uma entrevista. Não se definiu o local. O irmão do prefeito, Antonio de Pádua Tortorello, um de seus mais importantes assessores, assegurou que o encontro será possível. Em contra-partida, solicitou à reportagem que deixasse de fazer plantões nas proximidades da residência do prefeito. O Diário aceitou a proposta.

A doença de Luiz Tortorello, na região estomacal, já não consta mais como boato. O próprio filho, deputado Marquinho Tortorello, disse domingo que o prefeito está em tratamento médico, embora minimizasse a suposta gravidade. Marquinho chegou a afirmar que seu pai estivera em Campinas para acompanhar o jogo do São Caetano contra a Ponte Preta, pelo Campeonato Brasileiro. A informação foi desmentida por dirigentes do clube.

A insistência com que o Diário atua no caso está circunscrita ao conceito de que Luiz Tortorello, como qualquer dirigente, perde a individualidade pessoal na medida em que atua publicamente. O movimento de transição político-administrativa em São Caetano é extremamente importante. Tortorello fez seu sucessor, o médico José Auricchio Júnior, que vai tomar posse em 1º de janeiro. Até lá, todas as eventuais mudanças gerenciais serão decididas pelo grupo político majoritário, do qual Tortorello é a principal liderança.

Sua eventual ausência, por força de tratamento clínico, poderá determinar mudanças de rumo na administração previamente concertada com o vencedor da disputa de 3 de outubro. Portanto, a importância política e institucional do prefeito Luiz Tortorello praticamente exige transparência nas informações sobre seu estado de saúde. Uma alternativa bem melhor do que deixar o barco ético à deriva das especulações.



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Tortorello tenta manter sua rotina

Giba Bergamim Jr.
Do Diário do Grande ABC

09/11/2004 | 09:56


No primeiro dia útil após a divulgação da enfermidade que o acomete, o prefeito de São Caetano, Luiz Tortorello (PTB), procurou manter uma rotina no seu gabinete. Nesta segunda pela manhã, Tortorello esteve no Palácio Cerâmica. Aparentemente mais magro, o prefeito foi visto pela reportagem caminhando pelos corredores da sede do executivo, no Parque Chico Mendes. Tortorello tentou mostrar que seu governo transcorre dentro da normalidade e que os problemas de saúde não afetam sua atuação. Ele conversou com funcionários, participou de reuniões, deu ordens, mas não quis falar com o Diário. "Depois eu vejo", teria dito a um de seus assessores, após ser informado que a reportagem havia lhe solicitado uma entrevista.

O Diário tentou, durante todo o dia desta segunda, conversar com o prefeito. Para isso, permaneceu das 8h45 às 12h55 na Prefeitura. À tarde houve plantão em frente à residência de Tortorello, no bairro Olímpico. Nesse período, o prefeito descansou. A intenção da reportagem era esclarecer as informações disseminadas pela cidade às quais dão conta de que Tortorello seria vítima de uma doença grave. Assessores do prefeito disseram que também não têm domínio das informações sobre o estado de saúde de Tortorello.

Durante a manhã, o prefeito teve reuniões rápidas com seu sucessor, o prefeito eleito José Auricchio Júnior, com o vereador Jorge Salgado (PTB) e com o diretor de Assuntos Jurídicos, João da Costa Faria. Segundo sua assessoria, a agenda desta segunda do prefeito era livre, ou seja, não havia nenhuma atividade externa de trabalho, nem reuniões de diretoria marcadas.

Por volta das 12h40, ciente de que o prefeito trabalhava normalmente, a reportagem foi à recepção do gabinete de Tortorello, onde foi recebida pela assessoria de imprensa do petebista. Neste momento, o prefeito passou pela recepção e seguiu para a diretoria da Fazenda. Informado da intenção do Diário de entrevistá-lo, ele disse que não pretendia falar e que teria outros compromissos. Em seguida, dirigiu-se ao carro oficial - um Vectra prata - que o aguardava. O veículo o transportou até sua casa. Às 14h, a assessoria de imprensa da prefeitura informou que o prefeito não voltaria mais para o gabinete.

A reportagem deslocou-se, então, para a residência de Tortorello. Entre 14h30 e 17h houve um entra-e-sai de seguranças e parentes do prefeito no local. Eram 17h45 quando Tortorello, sozinho, passou pelo portão de sua casa e entrou no mesmo Vectra que o havia deixado em casa. O carro, que chegara poucos minutos antes, partiu com o prefeito no banco da frente.

A equipe do Diário seguiu o veículo, que em seguida entrou numa rua à esquerda. A reportagem foi despistada por um Santana azul - que seria usado por seguranças do prefeito e trafegava em baixa velocidade - e perdeu o veículo do prefeito de vista.

Às 18h10, o prefeito participou de uma reunião no auditório do colégio Pueri Domus para a criação do Conselho Municipalista de Estudos Políticos. Compareceram ao encontro cerca de 200 pessoas. O objetivo do conselho, segundo o discurso do prefeito, é dinamizar a política na cidade. Trata-se de uma instituição apartidária, não ligada a partidos específicos. A cerimônia durou cerca de uma hora. Tortorello falou ao microfone por aproximadamente 30 minutos. É possível que nesta quarta-feira o prefeito Luiz Tortorello receba a reportagem do Diário para uma entrevista. Não se definiu o local. O irmão do prefeito, Antonio de Pádua Tortorello, um de seus mais importantes assessores, assegurou que o encontro será possível. Em contra-partida, solicitou à reportagem que deixasse de fazer plantões nas proximidades da residência do prefeito. O Diário aceitou a proposta.

A doença de Luiz Tortorello, na região estomacal, já não consta mais como boato. O próprio filho, deputado Marquinho Tortorello, disse domingo que o prefeito está em tratamento médico, embora minimizasse a suposta gravidade. Marquinho chegou a afirmar que seu pai estivera em Campinas para acompanhar o jogo do São Caetano contra a Ponte Preta, pelo Campeonato Brasileiro. A informação foi desmentida por dirigentes do clube.

A insistência com que o Diário atua no caso está circunscrita ao conceito de que Luiz Tortorello, como qualquer dirigente, perde a individualidade pessoal na medida em que atua publicamente. O movimento de transição político-administrativa em São Caetano é extremamente importante. Tortorello fez seu sucessor, o médico José Auricchio Júnior, que vai tomar posse em 1º de janeiro. Até lá, todas as eventuais mudanças gerenciais serão decididas pelo grupo político majoritário, do qual Tortorello é a principal liderança.

Sua eventual ausência, por força de tratamento clínico, poderá determinar mudanças de rumo na administração previamente concertada com o vencedor da disputa de 3 de outubro. Portanto, a importância política e institucional do prefeito Luiz Tortorello praticamente exige transparência nas informações sobre seu estado de saúde. Uma alternativa bem melhor do que deixar o barco ético à deriva das especulações.

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