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Brasil que ninguém quer ver


Ângela Corrêa
Do Diário do Grande ABC

08/08/2009 | 07:00


A Reserva de Dourados, no Mato Grosso do Sul, é a maior aldeia indígena do País, com cerca de 15 mil habitantes. Concentra também os maiores índices de suicídio e de violência em comparação às demais. As vítimas mais constantes são os jovens, a meio-caminho de uma cultura da qual não mais partilham e de uma sociedade que não os aceita fora dos limites da reserva. É pela produção fotográfica de seis representantes desse conflito que é composto o livro Olhares Sobre o Futuro (R$ 30, 108 páginas), organizado pela antropóloga Maria de Lourdes Beldi de Alcântara e pelo médico Carlos Eduardo Corbett, ambos docentes da pós-graduação da Faculdade de Medicina da USP. O projeto gráfico é da dupla André de Toledo Sader e Rafael dos Santos, diagramador do Diário. A obra estará disponível apenas na Livraria da Vila (Alameda Lorena,1.731 São Paulo. Tel.: 3062-1063), a partir do lançamento, na quarta-feira (12).

"A vivência deles é extremamente conflituosa. Pela tradição, deveriam ter se casado aos 12, 13 anos, mas optam por trabalhar fora, principalmente nas fazendas de cana-de-açúcar. Os mais velhos não aceitam isso, assim como eles não conseguem se integrar nas cidades vizinhas. É daí que surgem os casos de violência", explica Maria de Lourdes, que trabalha há dez anos com essa comunidade, por meio da AJI (Ação dos Jovens Indígenas), que oferece oficinas que trabalham com questões da autoimagem e de identidade.

No ano passado, houve 48 suicídios na reserva. Só neste ano, foram registrados 34 casos. Além do número crescente, assusta a faixa etária dos suicidas: de 10 a 20 anos.

Os seis fotógrafos - Ana Cláudia de Souza, 18 anos, Diana Davilâ da Silva, 19, Emerson Machado Cabrera, 20, Graciela Pereira de Souza, 19, Jaqueline Gonçalves Porto, 17, e Nilcimar Morales Cabrera, 26 - fazem parte das oficinas e são de alguma forma sobreviventes dessa realidade. "Cada um conta uma história de suicídio ou violência. Eles não foram escolhidos de forma aleatória", reforça Maria de Lourdes.



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Brasil que ninguém quer ver

Ângela Corrêa
Do Diário do Grande ABC

08/08/2009 | 07:00


A Reserva de Dourados, no Mato Grosso do Sul, é a maior aldeia indígena do País, com cerca de 15 mil habitantes. Concentra também os maiores índices de suicídio e de violência em comparação às demais. As vítimas mais constantes são os jovens, a meio-caminho de uma cultura da qual não mais partilham e de uma sociedade que não os aceita fora dos limites da reserva. É pela produção fotográfica de seis representantes desse conflito que é composto o livro Olhares Sobre o Futuro (R$ 30, 108 páginas), organizado pela antropóloga Maria de Lourdes Beldi de Alcântara e pelo médico Carlos Eduardo Corbett, ambos docentes da pós-graduação da Faculdade de Medicina da USP. O projeto gráfico é da dupla André de Toledo Sader e Rafael dos Santos, diagramador do Diário. A obra estará disponível apenas na Livraria da Vila (Alameda Lorena,1.731 São Paulo. Tel.: 3062-1063), a partir do lançamento, na quarta-feira (12).

"A vivência deles é extremamente conflituosa. Pela tradição, deveriam ter se casado aos 12, 13 anos, mas optam por trabalhar fora, principalmente nas fazendas de cana-de-açúcar. Os mais velhos não aceitam isso, assim como eles não conseguem se integrar nas cidades vizinhas. É daí que surgem os casos de violência", explica Maria de Lourdes, que trabalha há dez anos com essa comunidade, por meio da AJI (Ação dos Jovens Indígenas), que oferece oficinas que trabalham com questões da autoimagem e de identidade.

No ano passado, houve 48 suicídios na reserva. Só neste ano, foram registrados 34 casos. Além do número crescente, assusta a faixa etária dos suicidas: de 10 a 20 anos.

Os seis fotógrafos - Ana Cláudia de Souza, 18 anos, Diana Davilâ da Silva, 19, Emerson Machado Cabrera, 20, Graciela Pereira de Souza, 19, Jaqueline Gonçalves Porto, 17, e Nilcimar Morales Cabrera, 26 - fazem parte das oficinas e são de alguma forma sobreviventes dessa realidade. "Cada um conta uma história de suicídio ou violência. Eles não foram escolhidos de forma aleatória", reforça Maria de Lourdes.

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