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CIA ordenou assassinato de Prats, diz general


Do Diário do Grande ABC

10/05/2000 | 09:40


O general Manuel Contreras, ex-chefe da polícia secreta do ex-ditador chileno Augusto Pinochet, responsabilizou a Central de Inteligência norte-americana (CIA) de ordenar, em 1974, o assassinato do general Carlos Prats na Argentina, negando envolvimento no crime.

``A ordem para que assassinassem o general Prats e sua esposa em Buenos Aires foi dada pela CIA'', afirmou Contreras, numa entrevista telefônica concedida ao canal 13 de tevê do Chile, falando da prisao onde cumpre pena.

Perguntado sobre que interesse poderia ter a CIA no caso, Contreras respondeu que era ``desestabilizar o governo militar e para isso ordenou assassiná-lo em 30 de setembro de 1974, em circunstâncias que Townley nao tinha nenhum contato com a Dina naquele tempo''.

Ele denunciou ainda que o norte-americano Michael Townley, que confessou ser o autor material do assassinato de Prats e sua esposa, cometido em 30 de setembro de 1974, na capital argentina, ``era um agente da CIA'' que nao integraba os quadros da polícia secreta que ele comandava. ``Em primeiro lugar, jamais conheci Townley. Em segundo lugar, Townley jamais foi agente da Dina (polícia secreta de Pinochet), porque para isso necessitava ser membro da força de Defesa Nacional e ele nao o era. Por outro lado, ele era agente da CIA desde fevereiro de 1971'', afirmou Contreras.

O ex-chefe da polícia secreta de Pinochet se encontra detido desde 1995 no presídio de segurança máxima de Punta Peuco, a cerca de 40 km ao Norte de Santiago, onde cumpre sete anos de prisao como autor intelectual do assassinato do ex-chanceler Orlando Letelier e sua secretária americana Ronnie Moffit, ocorrido em 21 de setembro de 1976, em Washington.

O testemunho de Townley, que vive nos Estados Unidos sob proteçao federal, foi tomado há um ano, pela juíza argentina do caso, María Servini de Cubría, mas só esta semana, após a traduçao do texto em inglês, foi incorporado aos autos do processo, informaram esta terça-feira os jornais de Santiago.

Townley disse ter colocado e ativado a bomba que matou Prats e sua esposa Sofía Cuthbert, numa rua de Buenos Aires, após receber ordens de seus chefes da Dina.

Por sua vez, o presidente Ricardo Lagos expressou a esperança de chegar a um pronto esclarecimento sobre a morte de Prats, ex-comandante-em-chefe do exército chileno e opositor do regimen pinochetista. ``Eu espero, pelo bem do Chile, que o assassinato de um comandante-em-chefe do Exército possa ser elucidado'', disse Lagos numa breve coletiva à imprensa.

Até o momento, além de Townley, sao apontados como acusados pela juíza Servini de Cubría os irmaos Jorge e Raúl Iturriaga (atual coronel do Exército), o ex-general José Zara, Mariana Callejas (esposa de Townley), o general Contreras, o brigadeiro Pedro Espinoza - ex-chefe de operaçoes da Dina - e o próprio Pinochet.

Contreras apontou Mariana Callejas como a responsável pela detonaçao da bomba que matou Prats e sua mulher, em Buenos Aires. ``Efetivamente, foi assim e assim me foi informado por um general chefe do SIDE (Serviço de Inteligência de Estado Argentino), que me visitou aqui (na penitenciária de) em Punta Peuco, em 1996'', disse o general preso.



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CIA ordenou assassinato de Prats, diz general

Do Diário do Grande ABC

10/05/2000 | 09:40


O general Manuel Contreras, ex-chefe da polícia secreta do ex-ditador chileno Augusto Pinochet, responsabilizou a Central de Inteligência norte-americana (CIA) de ordenar, em 1974, o assassinato do general Carlos Prats na Argentina, negando envolvimento no crime.

``A ordem para que assassinassem o general Prats e sua esposa em Buenos Aires foi dada pela CIA'', afirmou Contreras, numa entrevista telefônica concedida ao canal 13 de tevê do Chile, falando da prisao onde cumpre pena.

Perguntado sobre que interesse poderia ter a CIA no caso, Contreras respondeu que era ``desestabilizar o governo militar e para isso ordenou assassiná-lo em 30 de setembro de 1974, em circunstâncias que Townley nao tinha nenhum contato com a Dina naquele tempo''.

Ele denunciou ainda que o norte-americano Michael Townley, que confessou ser o autor material do assassinato de Prats e sua esposa, cometido em 30 de setembro de 1974, na capital argentina, ``era um agente da CIA'' que nao integraba os quadros da polícia secreta que ele comandava. ``Em primeiro lugar, jamais conheci Townley. Em segundo lugar, Townley jamais foi agente da Dina (polícia secreta de Pinochet), porque para isso necessitava ser membro da força de Defesa Nacional e ele nao o era. Por outro lado, ele era agente da CIA desde fevereiro de 1971'', afirmou Contreras.

O ex-chefe da polícia secreta de Pinochet se encontra detido desde 1995 no presídio de segurança máxima de Punta Peuco, a cerca de 40 km ao Norte de Santiago, onde cumpre sete anos de prisao como autor intelectual do assassinato do ex-chanceler Orlando Letelier e sua secretária americana Ronnie Moffit, ocorrido em 21 de setembro de 1976, em Washington.

O testemunho de Townley, que vive nos Estados Unidos sob proteçao federal, foi tomado há um ano, pela juíza argentina do caso, María Servini de Cubría, mas só esta semana, após a traduçao do texto em inglês, foi incorporado aos autos do processo, informaram esta terça-feira os jornais de Santiago.

Townley disse ter colocado e ativado a bomba que matou Prats e sua esposa Sofía Cuthbert, numa rua de Buenos Aires, após receber ordens de seus chefes da Dina.

Por sua vez, o presidente Ricardo Lagos expressou a esperança de chegar a um pronto esclarecimento sobre a morte de Prats, ex-comandante-em-chefe do exército chileno e opositor do regimen pinochetista. ``Eu espero, pelo bem do Chile, que o assassinato de um comandante-em-chefe do Exército possa ser elucidado'', disse Lagos numa breve coletiva à imprensa.

Até o momento, além de Townley, sao apontados como acusados pela juíza Servini de Cubría os irmaos Jorge e Raúl Iturriaga (atual coronel do Exército), o ex-general José Zara, Mariana Callejas (esposa de Townley), o general Contreras, o brigadeiro Pedro Espinoza - ex-chefe de operaçoes da Dina - e o próprio Pinochet.

Contreras apontou Mariana Callejas como a responsável pela detonaçao da bomba que matou Prats e sua mulher, em Buenos Aires. ``Efetivamente, foi assim e assim me foi informado por um general chefe do SIDE (Serviço de Inteligência de Estado Argentino), que me visitou aqui (na penitenciária de) em Punta Peuco, em 1996'', disse o general preso.

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