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Cacique Raoni se reúne com presidente francês


Do Diário do Grande ABC

08/05/2000 | 10:51


Raoni, o cacique da tribo amazônica Caiapó que se reunirá nesta terça-feira com o presidente francês, Jacques Chirac, é o símbolo de uma das grandes reservas indígenas do mundo, o parque do Xingu (184 mil km), localizado nos Estados do Mato Grosso e do Pará.

O cacique, 72 anos, diz que defendendo os índios e protegendo seu habitat ``protege também essa imensa selva de que eles sao guardiaes, em benefício de todos os homens''. Raoni só descobriu a existência de um mundo fora da selva amazônica nos anos 60.

O cacique já foi recebido pelo rei Juan Carlos, da Espanha, pelo príncipe Charles, da Inglaterra, pelo Papa Joao Paulo II e, há 11 anos, pelo entao presidente francês, François Mitterrand. Naquela ocasiao, interrompendo a conversa, tocou no chefe de Estado e perguntou-lhe: ``O que você fez com seu cabelo?''. Como Mitterrand nao respondia, Raoni pôs na cabeça do presidente seu cocar, para agradecer à França ``a ajuda que decidiu dar a seu povo e à proteçao de seu território.

Raoni é um combatente decidido contra os garimpeiros, os especuladores e os colonos - grandes proprietários ou pequenos camponeses brancos - que causam destruiçao e reduzem a cada dia a selva amazônica, além de ocupar, ignorando a lei, as terras dos índios.

O cacique também sabe defender o que é seu quando surge uma ocasiao. ``O dinheiro estava no Rio, em poder do distribuidor do filme. Fui sozinho, armado com uma maça, porque o homem nao queria pagar. Destruí a mesa do contador e saí com o cheque na mao'', conta Raoni no ``Diário de Viagem'', que confiou a Jean-Pierre Dutilleux, diretor belga e antigo amigo, que organizou sua primeira excursao pelo mundo, em 1989, ao lado do cantor de rock Sting.

O cacique é, atualmente, adepto da nao-violência. Quando visitou Sao Paulo pela primeira vez, ficou desconcertado ao ver que havia policiais armados nas esquinas e comentou o fato com Dutilleux, que lhe disse que os homens estavam ali para ``manter a ordem''. ``Se precisam de revólveres para manter a ordem, é porque nao têm bons chefes'', respondeu Raoni.

O cacique se encontra em Paris para divulgar sua luta pela defesa dos povos indígenas e da selva amazônica. Na última sexta-feira, Raoni foi recebido pela ministra francesa do Meio Ambiente, Dominique Voynet, que prometeu ajudar o seu instituto.



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Cacique Raoni se reúne com presidente francês

Do Diário do Grande ABC

08/05/2000 | 10:51


Raoni, o cacique da tribo amazônica Caiapó que se reunirá nesta terça-feira com o presidente francês, Jacques Chirac, é o símbolo de uma das grandes reservas indígenas do mundo, o parque do Xingu (184 mil km), localizado nos Estados do Mato Grosso e do Pará.

O cacique, 72 anos, diz que defendendo os índios e protegendo seu habitat ``protege também essa imensa selva de que eles sao guardiaes, em benefício de todos os homens''. Raoni só descobriu a existência de um mundo fora da selva amazônica nos anos 60.

O cacique já foi recebido pelo rei Juan Carlos, da Espanha, pelo príncipe Charles, da Inglaterra, pelo Papa Joao Paulo II e, há 11 anos, pelo entao presidente francês, François Mitterrand. Naquela ocasiao, interrompendo a conversa, tocou no chefe de Estado e perguntou-lhe: ``O que você fez com seu cabelo?''. Como Mitterrand nao respondia, Raoni pôs na cabeça do presidente seu cocar, para agradecer à França ``a ajuda que decidiu dar a seu povo e à proteçao de seu território.

Raoni é um combatente decidido contra os garimpeiros, os especuladores e os colonos - grandes proprietários ou pequenos camponeses brancos - que causam destruiçao e reduzem a cada dia a selva amazônica, além de ocupar, ignorando a lei, as terras dos índios.

O cacique também sabe defender o que é seu quando surge uma ocasiao. ``O dinheiro estava no Rio, em poder do distribuidor do filme. Fui sozinho, armado com uma maça, porque o homem nao queria pagar. Destruí a mesa do contador e saí com o cheque na mao'', conta Raoni no ``Diário de Viagem'', que confiou a Jean-Pierre Dutilleux, diretor belga e antigo amigo, que organizou sua primeira excursao pelo mundo, em 1989, ao lado do cantor de rock Sting.

O cacique é, atualmente, adepto da nao-violência. Quando visitou Sao Paulo pela primeira vez, ficou desconcertado ao ver que havia policiais armados nas esquinas e comentou o fato com Dutilleux, que lhe disse que os homens estavam ali para ``manter a ordem''. ``Se precisam de revólveres para manter a ordem, é porque nao têm bons chefes'', respondeu Raoni.

O cacique se encontra em Paris para divulgar sua luta pela defesa dos povos indígenas e da selva amazônica. Na última sexta-feira, Raoni foi recebido pela ministra francesa do Meio Ambiente, Dominique Voynet, que prometeu ajudar o seu instituto.

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