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ABC também vira pólo em pesquisa


William Glauber
Do Diário do Grande ABC

12/02/2006 | 08:25


Tradicional pólo de produção industrial do País, o Grande ABC passa também a ganhar destaque no setor de inovação tecnológica. Empresas nacionais e multinacionais instaladas na região investem crescentemente em pesquisa para desenvolver produtos e aprimorar processos.  

Com a estratégia, indústrias como EMS Sigma Pharma, Rhodia, Arteb, DaimlerChrysler e General Motors fecham o ciclo de produção em plantas da região, estabelecendo em centros tecnológicos próprios a concepção dos produtos e no chão de fábrica a finalização dos manufaturados.  

Milhões de reais estão sendo aplicados por ano em pesquisa na região, o que resulta na contratação de mão-de-obra brasileira qualificada e, sobretudo, de baixo custo se comparada com a remuneração de países desenvolvidos. No fim de todo o processo, objetivos claros: otimização de custos, aumento de produtividade e conquista de novos mercados.  

Nesse caminho tecnológico encontra-se a EMS Sigma Pharma, indústria farmacêutica brasileira com origem no Grande ABC, que mantém unidades em São Bernardo e Hortolândia, interior de São Paulo. Com centros de pesquisa nas duas fábricas, a empresa conta com 250 pesquisadores que desenvolvem mensalmente quatro fórmulas de medicamentos genéricos.   

O trabalho resultou em crescimento, consolidando a EMS no terceiro lugar do ranking da indústria farmacêutica. Dos R$ 983 milhões faturados – 35% a mais que em 2004 –, a empresa destina 5% para pesquisa (quase R$ 50 milhões). “Vamos investir nas fórmulas que a propriedade intelectual permitir. Já são mais de 250 produtos”, conta Daniel Ferreira, diretor da Divisão de Desenvolvimento de Negócios.  

Em fábricas de diversos setores produtivos, a Rhodia também segue na esteira de inovação tecnológica em Santo André e São Bernardo. Com 60 pesquisadores em laboratórios na região, a multinacional francesa cria e também produz insumos para indústrias química, têxtil e de perfumaria. Para isso, a empresa reserva R$ 30 milhões por ano.  

O diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Rhodia, Richard Macret, aponta o lançamento de produtos para as especificidades do mercado brasileiro como a principal vantagem das pesquisas. Mas as inovações tecnológicas surgidas no Grande ABC conquistam espaço em outros mercados. “Vários produtos concebidos e fabricados no Brasil são exportados. Existem linhas têxteis feitas somente aqui”, ressalta.  

A indústria automotiva nacional também recorre à pesquisa. A Arteb, com unidade em São Bernardo, inaugurou há pouco mais de um ano na cidade um centro tecnológico e já comemora resultados dos R$ 4 milhões investidos. Com tecnologia própria para fabricar lanternas, a empresa estima redução de até 50% nos custos que antes eram encarecidos pelos royalties.  

O diretor do Centro Tecnológico da Arteb, Domenico Montone, conta que os 120 especialistas da unidade desenvolvem design, aprimoram processos plásticos e executam pesquisas de novos materiais para adequar baixos custos. “Trabalhamos com sigilo principalmente porque manipulamos design de produtos de grandes montadoras. Temos equipe experiente e até fazemos recomendações aos clientes em relação às áreas externas”, diz.

Montadoras – A DaimlerChrysler, fabricante de caminhões e ônibus da marca Mercedes-Benz, transformou a unidade de São Bernardo em centro mundial de desenvolvimento de chassis de ônibus há cinco anos. “Detemos o desenvolvimento da tecnologia de todos os novos produtos”, conta Curt Axthelm, gerente de Marketing de Ônibus da multinacional alemã.

Além de atender ao mercado interno, a planta industrial brasileira cria e produz soluções exportadas para América Latina, África e Oceania. No ano passado, a montadora investiu mais de R$ 270 milhões em novos produtos e melhoramento do processo produtivo em toda a unidade brasileira, sempre mantendo-se alinhada à matriz.  

Outras montadoras na região também contam com produtos nacionais. A alemã Volkswagen concebeu na unidade de São Bernardo os modelos Gol e Fox, hoje exportados para o mercado europeu. Fortalecendo a pesquisa na região, a norte-americana General Motors, em São Caetano, pretende contratar 600 engenheiros nos próximos cinco anos, saltando para 1,2 mil profissionais no centro. O novo Vectra é o principal expoente desse capítulo de criação.

Universidades – Instituições de ensino superior como FEI (Fundação Educacional Inaciana), de São Bernardo, e Instituto Mauá de Tecnologia, em São Caetano, também contam com centros tecnológicos e atendem sob encomenda principalmente as pequenas empresas. Tradicionais em ensino de engenharia, as faculdades realizam testes e também fecham parcerias que vão desde o aprimoramento de injeção eletrônica até a invenção de geléias para a indústria alimentícia. Só o CT da Mauá contou com receita de R$ 8 milhões no ano passado.


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ABC também vira pólo em pesquisa

William Glauber
Do Diário do Grande ABC

12/02/2006 | 08:25


Tradicional pólo de produção industrial do País, o Grande ABC passa também a ganhar destaque no setor de inovação tecnológica. Empresas nacionais e multinacionais instaladas na região investem crescentemente em pesquisa para desenvolver produtos e aprimorar processos.  

Com a estratégia, indústrias como EMS Sigma Pharma, Rhodia, Arteb, DaimlerChrysler e General Motors fecham o ciclo de produção em plantas da região, estabelecendo em centros tecnológicos próprios a concepção dos produtos e no chão de fábrica a finalização dos manufaturados.  

Milhões de reais estão sendo aplicados por ano em pesquisa na região, o que resulta na contratação de mão-de-obra brasileira qualificada e, sobretudo, de baixo custo se comparada com a remuneração de países desenvolvidos. No fim de todo o processo, objetivos claros: otimização de custos, aumento de produtividade e conquista de novos mercados.  

Nesse caminho tecnológico encontra-se a EMS Sigma Pharma, indústria farmacêutica brasileira com origem no Grande ABC, que mantém unidades em São Bernardo e Hortolândia, interior de São Paulo. Com centros de pesquisa nas duas fábricas, a empresa conta com 250 pesquisadores que desenvolvem mensalmente quatro fórmulas de medicamentos genéricos.   

O trabalho resultou em crescimento, consolidando a EMS no terceiro lugar do ranking da indústria farmacêutica. Dos R$ 983 milhões faturados – 35% a mais que em 2004 –, a empresa destina 5% para pesquisa (quase R$ 50 milhões). “Vamos investir nas fórmulas que a propriedade intelectual permitir. Já são mais de 250 produtos”, conta Daniel Ferreira, diretor da Divisão de Desenvolvimento de Negócios.  

Em fábricas de diversos setores produtivos, a Rhodia também segue na esteira de inovação tecnológica em Santo André e São Bernardo. Com 60 pesquisadores em laboratórios na região, a multinacional francesa cria e também produz insumos para indústrias química, têxtil e de perfumaria. Para isso, a empresa reserva R$ 30 milhões por ano.  

O diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Rhodia, Richard Macret, aponta o lançamento de produtos para as especificidades do mercado brasileiro como a principal vantagem das pesquisas. Mas as inovações tecnológicas surgidas no Grande ABC conquistam espaço em outros mercados. “Vários produtos concebidos e fabricados no Brasil são exportados. Existem linhas têxteis feitas somente aqui”, ressalta.  

A indústria automotiva nacional também recorre à pesquisa. A Arteb, com unidade em São Bernardo, inaugurou há pouco mais de um ano na cidade um centro tecnológico e já comemora resultados dos R$ 4 milhões investidos. Com tecnologia própria para fabricar lanternas, a empresa estima redução de até 50% nos custos que antes eram encarecidos pelos royalties.  

O diretor do Centro Tecnológico da Arteb, Domenico Montone, conta que os 120 especialistas da unidade desenvolvem design, aprimoram processos plásticos e executam pesquisas de novos materiais para adequar baixos custos. “Trabalhamos com sigilo principalmente porque manipulamos design de produtos de grandes montadoras. Temos equipe experiente e até fazemos recomendações aos clientes em relação às áreas externas”, diz.

Montadoras – A DaimlerChrysler, fabricante de caminhões e ônibus da marca Mercedes-Benz, transformou a unidade de São Bernardo em centro mundial de desenvolvimento de chassis de ônibus há cinco anos. “Detemos o desenvolvimento da tecnologia de todos os novos produtos”, conta Curt Axthelm, gerente de Marketing de Ônibus da multinacional alemã.

Além de atender ao mercado interno, a planta industrial brasileira cria e produz soluções exportadas para América Latina, África e Oceania. No ano passado, a montadora investiu mais de R$ 270 milhões em novos produtos e melhoramento do processo produtivo em toda a unidade brasileira, sempre mantendo-se alinhada à matriz.  

Outras montadoras na região também contam com produtos nacionais. A alemã Volkswagen concebeu na unidade de São Bernardo os modelos Gol e Fox, hoje exportados para o mercado europeu. Fortalecendo a pesquisa na região, a norte-americana General Motors, em São Caetano, pretende contratar 600 engenheiros nos próximos cinco anos, saltando para 1,2 mil profissionais no centro. O novo Vectra é o principal expoente desse capítulo de criação.

Universidades – Instituições de ensino superior como FEI (Fundação Educacional Inaciana), de São Bernardo, e Instituto Mauá de Tecnologia, em São Caetano, também contam com centros tecnológicos e atendem sob encomenda principalmente as pequenas empresas. Tradicionais em ensino de engenharia, as faculdades realizam testes e também fecham parcerias que vão desde o aprimoramento de injeção eletrônica até a invenção de geléias para a indústria alimentícia. Só o CT da Mauá contou com receita de R$ 8 milhões no ano passado.

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