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Qual a importância do dólar no dia-a-dia do brasileiro II


Fernando Bortolin
Do Diário do Grande ABC

04/05/2006 | 07:48


Como é fixado o preço do dólar na economia? Os indicadores que definem o preço da moeda norte-americana são vários, desde o comportamento da economia brasileira, passando pelas determinações internas do governo dos Estados Unidos e crises internacionais, principalmente associadas ao petróleo.

Apesar disso, duas forças antagônicas estabelecem o seu valor no varejo do dia-a-dia. São elas: a oferta (quantidade de dólares que ingressam no mercado brasileiro através dos gastos realizados por turistas, de investimentos trazidos por estrangeiros – pessoas físicas e jurídicas –, de captações externas da parte de empresas nacionais e multinacionais e pelo próprio Tesouro Nacional, além das vendas de bens pelos exportadores) e procura (quantidade de dólares comprados pelas instituições financeiras e corretoras de valores, Banco Central, importadores, pessoas que precisam viajar ao exterior, empresas que fazem remessas de lucros e dividendos para suas matrizes, entre outros).

Todos os dias há uma montanha de dólares que deseja entrar no Brasil – para alimentar projetos industriais e comerciais, para aplicar nas ações negociadas na Bolsa de Valores – e outra que quer sair. Quando a oferta de moeda estrangeira é maior que a procura, o preço cai. Quando a procura supera a oferta, o dólar sobe.

Efeito exportação – Hoje, diante da intensidade das exportações brasileiras – que superam as importações mês-a-mês – e dos ingressos de investimentos estrangeiros, o dólar está caindo (a oferta é maior que a procura).

Num quadro como esse, o Banco Central, principal regulador da liquidez do mercado brasileiro – tende a comprar o máximo de dólares excedentes – que sobram sem compradores – para que assim se restabeleça o equilíbrio entre as duas pontas. Vale lembrar que os dólares excedentes comprados pela autoridade monetária direcionam-se para as reservas cambiais do país. Quanto mais sobram dólares na economia e os mesmos são adquiridos pelo BC, mais as reservas internacionais do Brasil engordam.

Como funciona – Mas como o Banco Central compra os dólares? O Tesouro Nacional emite papéis (as LFT – Letras Financeiras do Tesouro – as LTN – Letras do Tesouro Nacional, dentre outros papéis) e o Banco Central, em nome do Tesouro, oferece esses títulos através de leilões semanais, cuja principal demanda de compradores são os bancos. As instituições financeiras trocam seus dólares por esses títulos públicos em troca de uma taxa de remuneração (juros), que hoje é a Selic, de 15,75% ao ano. Portanto, quando o juro está alto e há excesso de dólares, bancos e empresas preferem vendê-los ao governo na troca dos títulos do Tesouro. É assim que a área econômica controla o volume de dinheiro que circula na economia, a chamada base monetária.

Ao agir assim, o Banco Central, em nome do Tesouro, esteriliza os dólares em excesso e enxuga o mercado. De outro lado, é nesse ambiente de muitos participantes que o preço do dólar é definido, minuto-a-minuto, sendo que a taxa expressa ao final do dia mostra o que foram as negociações de cada uma das partes: bancos, empresas, turistas, investidores e governo ao longo do dia.

Onde estamos – O Banco Central tem executado uma política deliberada de corte da taxa de juros e depreciação do dólar ante o real (a moeda brasileira). As duas ações visam a meta de inflação, de 3,5% para este ano. Quando o governo permite que o dólar caia – não desvaloriza o real ante a moeda americana –, ele faz com que os preços da economia (indexados ao dólar), caiam na mesma proporção. Com isso, a política cambial passa a ser uma política de inflação.

Além de usar o recuo do dólar para controlar a inflação, o governo está usando o dólar barato, para conter a enxurrada na entrada de investimentos e recursos em moeda estrangeira na economia. Ou seja, ele está controlando a liquidez do mercado, pois do jeito que a coisa está, há uma ampliação da base monetária (volume de dinheiro em circulação), algo que também afeta o controle da inflação.

O único erro do governo com a decisão de permitir o recuo do dólar é que isso derruba o lucro das exportações brasileiras, único canal para o escoamento da produção num ambiente de juro elevado (que inibe o consumo interno pelos consumidores brasileiros).

Resumo – O governo federal está engessando a economia brasileira ao manter a curva decrescente do dólar ante o real. Mas o que acontece se ele subir o dólar agora? Neste momento, a inflação começará a subir, mas a produção e as exportações crescerão. Em ano eleitoral, sai melhor na foto, controlar a inflação.



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Qual a importância do dólar no dia-a-dia do brasileiro II

Fernando Bortolin
Do Diário do Grande ABC

04/05/2006 | 07:48


Como é fixado o preço do dólar na economia? Os indicadores que definem o preço da moeda norte-americana são vários, desde o comportamento da economia brasileira, passando pelas determinações internas do governo dos Estados Unidos e crises internacionais, principalmente associadas ao petróleo.

Apesar disso, duas forças antagônicas estabelecem o seu valor no varejo do dia-a-dia. São elas: a oferta (quantidade de dólares que ingressam no mercado brasileiro através dos gastos realizados por turistas, de investimentos trazidos por estrangeiros – pessoas físicas e jurídicas –, de captações externas da parte de empresas nacionais e multinacionais e pelo próprio Tesouro Nacional, além das vendas de bens pelos exportadores) e procura (quantidade de dólares comprados pelas instituições financeiras e corretoras de valores, Banco Central, importadores, pessoas que precisam viajar ao exterior, empresas que fazem remessas de lucros e dividendos para suas matrizes, entre outros).

Todos os dias há uma montanha de dólares que deseja entrar no Brasil – para alimentar projetos industriais e comerciais, para aplicar nas ações negociadas na Bolsa de Valores – e outra que quer sair. Quando a oferta de moeda estrangeira é maior que a procura, o preço cai. Quando a procura supera a oferta, o dólar sobe.

Efeito exportação – Hoje, diante da intensidade das exportações brasileiras – que superam as importações mês-a-mês – e dos ingressos de investimentos estrangeiros, o dólar está caindo (a oferta é maior que a procura).

Num quadro como esse, o Banco Central, principal regulador da liquidez do mercado brasileiro – tende a comprar o máximo de dólares excedentes – que sobram sem compradores – para que assim se restabeleça o equilíbrio entre as duas pontas. Vale lembrar que os dólares excedentes comprados pela autoridade monetária direcionam-se para as reservas cambiais do país. Quanto mais sobram dólares na economia e os mesmos são adquiridos pelo BC, mais as reservas internacionais do Brasil engordam.

Como funciona – Mas como o Banco Central compra os dólares? O Tesouro Nacional emite papéis (as LFT – Letras Financeiras do Tesouro – as LTN – Letras do Tesouro Nacional, dentre outros papéis) e o Banco Central, em nome do Tesouro, oferece esses títulos através de leilões semanais, cuja principal demanda de compradores são os bancos. As instituições financeiras trocam seus dólares por esses títulos públicos em troca de uma taxa de remuneração (juros), que hoje é a Selic, de 15,75% ao ano. Portanto, quando o juro está alto e há excesso de dólares, bancos e empresas preferem vendê-los ao governo na troca dos títulos do Tesouro. É assim que a área econômica controla o volume de dinheiro que circula na economia, a chamada base monetária.

Ao agir assim, o Banco Central, em nome do Tesouro, esteriliza os dólares em excesso e enxuga o mercado. De outro lado, é nesse ambiente de muitos participantes que o preço do dólar é definido, minuto-a-minuto, sendo que a taxa expressa ao final do dia mostra o que foram as negociações de cada uma das partes: bancos, empresas, turistas, investidores e governo ao longo do dia.

Onde estamos – O Banco Central tem executado uma política deliberada de corte da taxa de juros e depreciação do dólar ante o real (a moeda brasileira). As duas ações visam a meta de inflação, de 3,5% para este ano. Quando o governo permite que o dólar caia – não desvaloriza o real ante a moeda americana –, ele faz com que os preços da economia (indexados ao dólar), caiam na mesma proporção. Com isso, a política cambial passa a ser uma política de inflação.

Além de usar o recuo do dólar para controlar a inflação, o governo está usando o dólar barato, para conter a enxurrada na entrada de investimentos e recursos em moeda estrangeira na economia. Ou seja, ele está controlando a liquidez do mercado, pois do jeito que a coisa está, há uma ampliação da base monetária (volume de dinheiro em circulação), algo que também afeta o controle da inflação.

O único erro do governo com a decisão de permitir o recuo do dólar é que isso derruba o lucro das exportações brasileiras, único canal para o escoamento da produção num ambiente de juro elevado (que inibe o consumo interno pelos consumidores brasileiros).

Resumo – O governo federal está engessando a economia brasileira ao manter a curva decrescente do dólar ante o real. Mas o que acontece se ele subir o dólar agora? Neste momento, a inflação começará a subir, mas a produção e as exportações crescerão. Em ano eleitoral, sai melhor na foto, controlar a inflação.

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