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'Máfia do Óbito': três são indiciados pela Polícia Civil


Sérgio Vieira
Do Diário do Grande ABC

09/08/2005 | 08:22


O delegado titular de São Caetano, Adilson da Silva Aquino, indiciou nesta segunda-feira o médico-cardiologista Eduardo Agostini por falsidade ideológica (artigo 299 do Código Penal), por ter assinado falsa declaração de óbito. Também foram indiciados como co-autores no crime o dono da funerária São Paulo, Maurílio Teixeira Martins, e o gerente da empresa, Pedro Azevedo Gazani.

O relatório final do delegado deve ficar pronto em 15 dias, quando será enviado à Justiça. Adilson ainda vai ouvir a funcionária de Agostini, Ana Maria Cherutti Battaggia. Também irá aguardar o resultado da sindicância realizada pela Corregedoria da Prefeitura. Em menos de um ano, este é o segundo indiciamento criminal de Agostini por falsificação de atestado de óbito.

Na última sexta-feira, a 4ª promotora de Justiça de Santo André, Iussara Brandão de Almeida, ofereceu denúncia por falsidade ideológica contra o médico. Agostini também é acusado de assinar declaração de óbito, em fevereiro de 2004, da aposentada Dulce Simplício de Arruda, sem ver o corpo, que estava no Hospital Municipal de Santo André. A polícia de Santo André havia indiciado o cardiologista em setembro do ano passado. Ainda foram denunciados pela promotoria o vendedor da funerária Abcel, de São Caetano, Marcelo Aparecido de Lyra – que intermediou a negociação com a família de Dulce – o outro funcionário da empresa, João Celso Filipini, que acompanhou Lyra no Pronto-Socorro Municipal de São Caetano para retirar a declaração de óbito em branco, além de Marcelo Foltran, sócio da Abcel, que autorizou o vendedor a realizar o negócio com a família. O outro sócio da Abcel, Domingos Sávio Roggério e as secretárias do cardiologista, Cristina Salas Salvo Quirino e Ana Maria Cherutti Battaggia também foram indiciados por falso testemunho no inquérito que investigou o caso.

No último dia 27, o Diário comprovou a ação da 'Máfia do Óbito' em São Caetano. A reportagem comprou falsa declaração, assinada por Agostini e intermediada pelo gerente da funerária, Pedro Azevedo Gazani. A negociação – realizada no interior da funerária – foi autorizada pelo dono da empresa, Maurílio Martins, com quem Pedro manteve contato telefônico por duas vezes naquela noite. Para isso, a reportagem pagou R$ 200, que o médico chamou de "consulta".

Na sexta-feira, Agostini prestou depoimento à Polícia, logo após depôr à Corregedoria da Prefeitura. Inicialmente marcada para sexta, o delegado remarcou a oitiva para esta segunda-feira à tarde, mesmo assim Agostini compareceu antecipadamente à delegacia, acompanhado do advogado Mauro Wilson Alves da Cunha. O médico confirmou que assinou a declaração de óbito em sua residência e que para isso cobrou R$ 200. Ele também disse que orientou Pedro a retirar a declaração de óbito em branco no PS de São Caetano.

Nesta segunda-feira, o médico voltou à delegacia para coleta de assinatura, que será enviada ao IC (Instituto de Criminalística), onde será feito exame grafotécnico com a declaração falsa de óbito. A gravação feita pelo Diário também foi enviada ao IC para análise. O laudo deve ficar pronto em 20 dias. Agostini novamente não quis dar entrevista. Perguntado sobre o que achava da decisão do Ministério Público de Santo André, que o denunciou pelo mesmo crime, foi lacônico: "Eu não vi."

A explicação dada por Agostini ao delegado Adilson Aquino é que assinou a declaração de óbito para facilitar o traslado do corpo que, segundo história contada pelo Diário, estaria em Ribeirão Pires. Ele ainda disse que quando o corpo chegasse iria realizar exame visual. Porém, em nenhum momento, Agostini disse ao Diário que gostaria de ver o corpo quando estivesse em São Caetano.

Os advogados de Eduardo Agostini e Maurílio Teixeira foram procurados para comentar a decisão do delegado de São Caetano. Mauro Wilson Alves da Cunha, defensor do cardiologista, não foi localizado em seu escritório e José Vilmar da Silva, da parte de Maurílio, disse que o sigilo profissional o impedia de tecer comentários sobre o caso. Maurílio novamente criticou a cobertura do caso e reafirmou que não cometeu crime algum, já que, segundo ele, não assinou nenhum documento ou prestou algum serviço à reportagem.



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'Máfia do Óbito': três são indiciados pela Polícia Civil

Sérgio Vieira
Do Diário do Grande ABC

09/08/2005 | 08:22


O delegado titular de São Caetano, Adilson da Silva Aquino, indiciou nesta segunda-feira o médico-cardiologista Eduardo Agostini por falsidade ideológica (artigo 299 do Código Penal), por ter assinado falsa declaração de óbito. Também foram indiciados como co-autores no crime o dono da funerária São Paulo, Maurílio Teixeira Martins, e o gerente da empresa, Pedro Azevedo Gazani.

O relatório final do delegado deve ficar pronto em 15 dias, quando será enviado à Justiça. Adilson ainda vai ouvir a funcionária de Agostini, Ana Maria Cherutti Battaggia. Também irá aguardar o resultado da sindicância realizada pela Corregedoria da Prefeitura. Em menos de um ano, este é o segundo indiciamento criminal de Agostini por falsificação de atestado de óbito.

Na última sexta-feira, a 4ª promotora de Justiça de Santo André, Iussara Brandão de Almeida, ofereceu denúncia por falsidade ideológica contra o médico. Agostini também é acusado de assinar declaração de óbito, em fevereiro de 2004, da aposentada Dulce Simplício de Arruda, sem ver o corpo, que estava no Hospital Municipal de Santo André. A polícia de Santo André havia indiciado o cardiologista em setembro do ano passado. Ainda foram denunciados pela promotoria o vendedor da funerária Abcel, de São Caetano, Marcelo Aparecido de Lyra – que intermediou a negociação com a família de Dulce – o outro funcionário da empresa, João Celso Filipini, que acompanhou Lyra no Pronto-Socorro Municipal de São Caetano para retirar a declaração de óbito em branco, além de Marcelo Foltran, sócio da Abcel, que autorizou o vendedor a realizar o negócio com a família. O outro sócio da Abcel, Domingos Sávio Roggério e as secretárias do cardiologista, Cristina Salas Salvo Quirino e Ana Maria Cherutti Battaggia também foram indiciados por falso testemunho no inquérito que investigou o caso.

No último dia 27, o Diário comprovou a ação da 'Máfia do Óbito' em São Caetano. A reportagem comprou falsa declaração, assinada por Agostini e intermediada pelo gerente da funerária, Pedro Azevedo Gazani. A negociação – realizada no interior da funerária – foi autorizada pelo dono da empresa, Maurílio Martins, com quem Pedro manteve contato telefônico por duas vezes naquela noite. Para isso, a reportagem pagou R$ 200, que o médico chamou de "consulta".

Na sexta-feira, Agostini prestou depoimento à Polícia, logo após depôr à Corregedoria da Prefeitura. Inicialmente marcada para sexta, o delegado remarcou a oitiva para esta segunda-feira à tarde, mesmo assim Agostini compareceu antecipadamente à delegacia, acompanhado do advogado Mauro Wilson Alves da Cunha. O médico confirmou que assinou a declaração de óbito em sua residência e que para isso cobrou R$ 200. Ele também disse que orientou Pedro a retirar a declaração de óbito em branco no PS de São Caetano.

Nesta segunda-feira, o médico voltou à delegacia para coleta de assinatura, que será enviada ao IC (Instituto de Criminalística), onde será feito exame grafotécnico com a declaração falsa de óbito. A gravação feita pelo Diário também foi enviada ao IC para análise. O laudo deve ficar pronto em 20 dias. Agostini novamente não quis dar entrevista. Perguntado sobre o que achava da decisão do Ministério Público de Santo André, que o denunciou pelo mesmo crime, foi lacônico: "Eu não vi."

A explicação dada por Agostini ao delegado Adilson Aquino é que assinou a declaração de óbito para facilitar o traslado do corpo que, segundo história contada pelo Diário, estaria em Ribeirão Pires. Ele ainda disse que quando o corpo chegasse iria realizar exame visual. Porém, em nenhum momento, Agostini disse ao Diário que gostaria de ver o corpo quando estivesse em São Caetano.

Os advogados de Eduardo Agostini e Maurílio Teixeira foram procurados para comentar a decisão do delegado de São Caetano. Mauro Wilson Alves da Cunha, defensor do cardiologista, não foi localizado em seu escritório e José Vilmar da Silva, da parte de Maurílio, disse que o sigilo profissional o impedia de tecer comentários sobre o caso. Maurílio novamente criticou a cobertura do caso e reafirmou que não cometeu crime algum, já que, segundo ele, não assinou nenhum documento ou prestou algum serviço à reportagem.

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