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Inflação em 7 meses supera índice de todo o ano de 2014

Marcos Santos/USP Imagens Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Acumulado de janeiro a julho chegou a 6,83% e é o mais elevado para o período desde 2003


Fábio Munhoz
Do Diário do Grande ABC

08/08/2015 | 07:17


O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) – medidor oficial da inflação no País – chegou a 6,83% entre janeiro e julho. A taxa é maior do que a registrada no acumulado de 12 meses até dezembro de 2014 (6,41%) e supera o teto da meta definida pelo Banco Central, de 6,5%. Os dados foram divulgados ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O índice para os sete primeiros meses do ano é o mais alto desde 2003, quando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assumiu como presidente da República, e o quinto maior para o período desde a implantação do Plano Real, em 1994.

Na soma dos últimos 12 meses, a inflação registrou a sexta alta seguida e atingiu 9,56%. De agosto de 2013 a julho de 2014, a taxa era de 6,5%.

A variação mensal dos preços no País foi de 0,62% – pequena desaceleração em relação a junho, quando ficou em 0,79%. Apesar dos aumentos nos índices acumulados, a inflação já apresenta tendência de queda quando a análise é feita mês a mês. Apenas em março, por exemplo, a inflação ficou em 1,32%.

Entretanto, para o professor Eric Universo Brasil, da Fecap (Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado), ainda estamos longe de ter uma boa notícia no que se refere à inflação. “Temos que comparar o desempenho do mês passado com o de julho de 2014, quando o índice foi de 0,01%.”

Mais uma vez, os reajustes de tarifas públicas puxaram a alta inflacionária. Na média nacional, as contas de energia elétrica tiveram elevação de 4,17% no mês passado, enquanto as de água e esgoto ficaram 2,44% mais caras. Com isso, o grupo de habitação foi o que mais subiu em julho, com peso de 0,24 ponto percentual.

Nos últimos 12 meses, as taxas controladas pelo governo também foram as responsáveis pelo aumento geral de preços. Apenas em São Paulo, a tarifa de energia elétrica já teve dois importantes reajustes em 2015: de 31,9%, no início do ano, e 15,23% em junho. Desde janeiro, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) adotou a chamada bandeira vermelha na tarifação da eletricidade. Isso porque, em razão da estiagem e do consequente baixo nível das usinas hidrelétricas, o governo teve de recorrer às termelétricas, cujo custo de geração é superior.

Os fatores climáticos também influenciam os preços de outros grupos, como o de alimentos. Isso porque a seca prejudicou a safra de diversos produtos, como da cebola. Outro fator apontado por Brasil como impactante na inflação é o dólar alto. “Isso eleva custos de importação, que são repassados ao consumidor final.”

TAXA DE JUROS - Para tentar conter a pressão inflacionária, o Banco Central vem adotando política de elevação da taxa básica de Juros, a Selic, que chegou a 14,25% ao ano. Para Ricardo Balistiero, coordenador do curso de Administração do Instituto Mauá de Tecnologia, os resultados dos aumentos ainda não são tão perceptíveis no combate à inflação. Entretanto, ele avalia que a medida, apesar de inibir o crescimento do País, é necessária. “Como estimular a economia se o investidor não acredita na solidez do Brasil?”, questiona. Ele faz um comparativo: “Atividade física é algo saudável. Mas você não pode colocar um paciente cardíaco que precisa de uma cirurgia para fazer uma maratona.” 



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Inflação em 7 meses supera índice de todo o ano de 2014

Acumulado de janeiro a julho chegou a 6,83% e é o mais elevado para o período desde 2003

Fábio Munhoz
Do Diário do Grande ABC

08/08/2015 | 07:17


O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) – medidor oficial da inflação no País – chegou a 6,83% entre janeiro e julho. A taxa é maior do que a registrada no acumulado de 12 meses até dezembro de 2014 (6,41%) e supera o teto da meta definida pelo Banco Central, de 6,5%. Os dados foram divulgados ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O índice para os sete primeiros meses do ano é o mais alto desde 2003, quando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assumiu como presidente da República, e o quinto maior para o período desde a implantação do Plano Real, em 1994.

Na soma dos últimos 12 meses, a inflação registrou a sexta alta seguida e atingiu 9,56%. De agosto de 2013 a julho de 2014, a taxa era de 6,5%.

A variação mensal dos preços no País foi de 0,62% – pequena desaceleração em relação a junho, quando ficou em 0,79%. Apesar dos aumentos nos índices acumulados, a inflação já apresenta tendência de queda quando a análise é feita mês a mês. Apenas em março, por exemplo, a inflação ficou em 1,32%.

Entretanto, para o professor Eric Universo Brasil, da Fecap (Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado), ainda estamos longe de ter uma boa notícia no que se refere à inflação. “Temos que comparar o desempenho do mês passado com o de julho de 2014, quando o índice foi de 0,01%.”

Mais uma vez, os reajustes de tarifas públicas puxaram a alta inflacionária. Na média nacional, as contas de energia elétrica tiveram elevação de 4,17% no mês passado, enquanto as de água e esgoto ficaram 2,44% mais caras. Com isso, o grupo de habitação foi o que mais subiu em julho, com peso de 0,24 ponto percentual.

Nos últimos 12 meses, as taxas controladas pelo governo também foram as responsáveis pelo aumento geral de preços. Apenas em São Paulo, a tarifa de energia elétrica já teve dois importantes reajustes em 2015: de 31,9%, no início do ano, e 15,23% em junho. Desde janeiro, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) adotou a chamada bandeira vermelha na tarifação da eletricidade. Isso porque, em razão da estiagem e do consequente baixo nível das usinas hidrelétricas, o governo teve de recorrer às termelétricas, cujo custo de geração é superior.

Os fatores climáticos também influenciam os preços de outros grupos, como o de alimentos. Isso porque a seca prejudicou a safra de diversos produtos, como da cebola. Outro fator apontado por Brasil como impactante na inflação é o dólar alto. “Isso eleva custos de importação, que são repassados ao consumidor final.”

TAXA DE JUROS - Para tentar conter a pressão inflacionária, o Banco Central vem adotando política de elevação da taxa básica de Juros, a Selic, que chegou a 14,25% ao ano. Para Ricardo Balistiero, coordenador do curso de Administração do Instituto Mauá de Tecnologia, os resultados dos aumentos ainda não são tão perceptíveis no combate à inflação. Entretanto, ele avalia que a medida, apesar de inibir o crescimento do País, é necessária. “Como estimular a economia se o investidor não acredita na solidez do Brasil?”, questiona. Ele faz um comparativo: “Atividade física é algo saudável. Mas você não pode colocar um paciente cardíaco que precisa de uma cirurgia para fazer uma maratona.” 

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