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Montadoras temem avanço chinês


Lana Pinheiro
Do Diário do Grande ABC

26/05/2006 | 07:52


Não bastasse todos os problemas internos – como alta carga tributária, real valorizado e mercado doméstico aquém do recorde registrado em 1997, com 1,9 milhão de veículos comercializados –, a indústria automotiva nacional está às voltas com a ameaça que vem do outro lado do mundo: a China.

Pela primeira vez, a Chery, maior montadora daquele país oficializou a intenção de encontrar parceiro brasileiro para montar, por aqui, o compacto QQ, que chega às mãos dos chineses por valor que varia de US$ 3 mil a US$ 4 mil. No Brasil, o veículo chegaria pelo menos 35% mais caro devido ao tributo de importação, além de custos logísticos e outros ajustes.

O anúncio, no entanto, foi discreto, e ficou meio perdido em meio à visita de 42 empresários chineses a São Paulo na semana passada. Não é para menos. Entrar no Brasil é tarefa das mais complicadas.

Paulo Cardamone, diretor da consultoria CSM WorldWide, lembra que é necessário resolver "pequenas encrencas", dentre elas, a formação da rede de distribuição. "Entrar em mercado tão complexo e desenvolvido como o nosso não é simples. Para começar é preciso apoio de uma eficiente rede de distribuidores de peças de reposição. Caso contrário, não há condições de se manter no mercado".

As dificuldades não param por aí. Os carros seriam importados desmontados, com a fábrica brasileira responsabilizando-se pela montagem final do produto, em regime conhecido como CKD. "Já tivemos diversas tentativas de importar nesse regime e nenhuma deu certo. O volume não pode ser nem muito grande nem muito pequeno, ou torna a operação inviável".

Enquanto a polêmica sobre os carros chineses continua, o setor de autopeças sofre ameaça mais real. Dados do Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores) indicam que as exportações brasileiras para a China caíram 26,4% no ano passado – para US$ 174 milhões –, enquanto as importações cresceram 56% – US$ 138 milhões. Diante dos números, o consultor Paulo Cardamone economiza palavras. "Eles vão fazer estrago".

Impacto – No Grande ABC, o impacto pode ser grande. Do parque nacional de 648 fábricas de autopeças, 16,1% (104 unidades fabris) estão instaladas na região. Juntas, elas faturam US$ 3,4 bilhões, o que representa 13,9% de todo o setor. Com a concorrência chinesa, favorecida pelo dólar desvalorizado, as empresas terão que se ajustar para não perder mercado.

Caminhos existem. Desde aquele velho dever de casa de investir em aumento de produtividade, redução de desperdício, melhorias de eficiência até novas alternativas como investimentos em educação e tecnologia. A proposta é de Gábor Deák, presidente da Delphi. "Temos 50 anos de indústria automotiva e competência para desenvolver produtos de alta tecnologia. Os chineses precisarão caminhar muito para chegar ao nosso padrão".

Apesar da vantagem competitiva, as empresas nacionais só se manterão na frente se investirem, de fato, na capacitação de seus profissionais, avalia Deák. Para ele, a ajuda do governo será essencial. "Precisaremos melhorar a educação e a formação técnica. Estudo e formação serão essenciais no futuro".

Baixa qualidade – Durante Seminário Setor Automotivo: Revisão das Perspectivas, promovido pela AutoData Editora, em São Paulo, Paul Liu, presidente executivo da Câmara de Comércio Brasil-China, negou as afirmativas comuns no Brasil de que os produtos chineses não têm qualidade. "A China está atraindo grandes empresas multinacionais que produzirão componentes de qualidade internacional com custo local". E aí não tem como competir. Na China, salários de até US$ 150, maior parte da mão-de-obra empregada pela indústria, não é tributada e o imposto incide na ponta do processo. No Brasil, o imposto é em cascata. E Liu avisa. "Já no ano que vem, o governo chinês começará ampla campanha com o conceito 'quer comprar carros e autopeças de qualidade, compre na China'". Para completar o quadro, o governo oriental tem como meta dobrar a produção de veículos em 5 anos – para 10 milhões de unidades. No Brasil, as estimativas são anuais e tudo caminha para que o mercado cresça os 5,4% projetados pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), para 2,6 milhões de unidades até dezembro.



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