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Câmara fica sem Juliano, Araújo e Montorinho pela 1ª vez em 44 anos

Montagem/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Justiça indeferiu pleitos e vereadores históricos em Santo André estão de fora da legislatura


Fábio Martins
Do Diário do Grande ABC

16/01/2017 | 07:00


 A Câmara de Santo André iniciou esta legislatura sem os históricos vereadores José de Araújo (PSD), Sargento Juliano (PSB) e José Montoro Filho, o Montorinho (PT), pela primeira vez desde 1973 – dez gestões municipais transcorreram neste tempo. Ao todo foram 44 anos de atuações no Legislativo com pelo menos um dos três parlamentares no exercício do mandato. Experiência e articulação no período contribuíram para o trio assumir, durante um biênio cada, a presidência da Casa. Medidas adotadas na direção contribuíram diretamente para a interrupção do trabalho. A Justiça Eleitoral os barrou no pleito de outubro, com base na Lei da Ficha Limpa.

Ex-filiado ao MDB, Araújo, economista, foi o primeiro a embarcar na vida pública, no páreo de 1972, quando no mesmo ano elegeu-se prefeito Antonio Pezzollo. Ele sempre se orgulhou em dizer que conquistou o mandato debutante aos 22 anos, o mais novo da cidade. Foram quatro legislaturas na sequência. Em 1992, foi eleito vice-prefeito na chapa de Newton Brandão. Na sucessão, candidatou-se, sem sucesso, ao Paço. Com a derrota, emplacou, posteriormente, mais três legislaturas na Casa.

Metalúrgico, Montorinho ingressou em 1989. Exerceu sete mandatos consecutivos, com postura polêmica no plenário. Sargento da Polícia Militar, Juliano elegeu-se em 1996, à ocasião no PSDB. Foi companheiro de Araújo no PMDB na maior parte do currículo e colecionou votações expressivas, encabeçando algumas listas. Diante do revés, assumiu a convite do prefeito Paulo Serra (PSDB) o posto de diretor do Serviço Funerário. Araújo e Montorinho tentam ainda mudar panorama.

Araújo, Juliano e Montorinho tiveram seus balancetes do Legislativo rejeitados pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado) pelo pagamento de subsídios complementares nos moldes de 13º salário. Todos obtiveram votação para garantir a reeleição. Araújo, com 3.696 votos, e Montorinho, de 3.956 sufrágios, chegaram a receber aval para figurar as urnas, mas o Ministério Público Eleitoral recorreu da decisão no TRE (Tribunal Regional Eleitoral), que reverteu o caso, cassando o registro. Juliano, por sua vez, já contabilizou indeferimento antes da data do pleito. Mesmo assim, alcançou 5.332 adesões, sendo o terceiro mais lembrado.

Montorinho alegou manter confiança em retornar à Câmara, baseando-se em recurso impetrado em Brasília, última instância no caso. “Estou empenhado, cuidando com os advogados. A partir do dia 20 há volta do recesso (Judiciário). Em fevereiro, deve ter andamento, acompanho diariamente”. Questionado como se vê de fora da Casa, o petista evitou falar em revés no processo. “Não entro neste mérito. Estou otimista”. Araújo e Juliano não foram localizados.   



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