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Damo promete socorro a sem-tetos


Marco Borba
Do Diário do Grande ABC

26/05/2006 | 07:41


Um dia após garantir que não daria qualquer ajuda às cerca de 200 famílias que estão sendo removidas do Jardim Ipê desde quarta-feira em razão de um mandado de reintegração de posse, quinta-feira o prefeito de Mauá, Leonel Damo, voltou atrás e agora admite estudar alguma medida de "socorro" aos desabrigados. Uma das hipóteses é a concessão do chamado aluguel social, por meio do qual a família procura um imóvel – de até R$ 200 – e a Prefeitura se encarrega do pagamento. A proposta foi cogitada pelos vereadores, em reunião com os moradores da área.

"Se for feita essa proposta, será bem-vinda. Vamos estudar. Há pelo menos 200 casos na cidade em que pagamos o aluguel de famílias sem condições. Algumas delas saíram das palafitas, no Jardim Oratório", disse Damo, que novamente se eximiu de responsabilidade na retirada das famílias do local. "É reintegração de área particular expedida pela Justiça. Não podemos fazer nada."

Na próxima terça-feira, está prevista reunião entre representantes das famílias e parlamentares na Câmara. "Ontem (quarta-feira), o vereador Diniz (Lopes, presidente da Câmara - PL) esteve aqui e disse que vai tentar intermediar alguma ajuda e falou desse aluguel social", disse a auxiliar de enfermagem desempregada Eneide Maria da Silva. Procurado, o vereador não se pronunciou sobre o assunto.

A área de 233 mil m², invadida há cerca de seis anos, pertence à Associação Comunitária do Jardim Canaã, cujo presidente é José Lourivaldo de Almeida. A entidade deve à Prefeitura cerca de R$ 4 milhões em IPTU. Procurado para falar sobre a pendência, Almeida não retornou aos telefonemas até as 21h de quinta-feira. A Prefeitura não informou se a cobrança está sendo feita na Justiça.

Quinta-feira, segundo dia de reintegração de posse, poucos barracos ainda estavam de pé no local. Quem havia deixado a área buscou abrigo na casa de parente. "É revoltante o que fizeram. Nos jogaram na rua feito cachorros. A ordem é do dia 4 de maio. Por que não avisaram antes? Só não estou na rua é porque minha irmã arrumou um cômodo para eu ficar com o marido e dois filhos", diz Maria de Lurdes da Silva, 37 anos.

Segundo o oficial de Justiça Paulo César do Lago, que quinta-feira acompanhava o prosseguimento da reintegração, em processos dessa natureza não há o prévio aviso. "Só está sendo executado agora porque tínhamos que comunicar a Prefeitura, Conselho Tutelar, a Polícia e outros órgãos." O mandado foi expedido pelo juiz da 4ªVara de Mauá, Olavo Zampol Júnior.

Cerca de 30 famílias passaram a noite de quarta-feira em suas casas, sem água e luz, cortados por determinação judicial. Outras oito empilharam seus móveis na sede da Associação dos Moradores do Ipê. Dez pessoas dormiram no local, entre elas duas crianças. "Não tenho para onde ir. Fico aqui até arrumar um canto", conta a diarista Maria das Dores Alves, 53 anos.



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