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Vaticano faz campanha contra a pílula do dia seguinte


Do Diário do Grande ABC

03/11/2000 | 13:08


A campanha do Vaticano contra a pílula do dia seguinte, considerada pela Igreja Católica como um aborto químico, está provocando polêmica na Itália. De um lado estao os que consideram intolerante a postura da Igreja. Do outro, os que aprovam a recriminaçao.

Recentemente, o Vaticano pediu aos médicos e farmacêuticos que fizessem um "exame de consciência" para interceder pelos mais fracos, no caso, o embriao, que nao pode se defender.

Junto com o pedido, a Igreja faz pressao para que seja usado o dispositivo aprovado junto com a lei do aborto, em 1978, que permite aos médicos serem "examinadores de consciência" e recusarem a prescriçao da pílula.

"O Estado italiano é um estado leigo", afirmou, sem titubear, nesta quinta-feira o prefeito de Roma, Francesco Rutelli, candidato da coalizao de centro-esquerda para as eleiçoes legislativas de abril de 2001. Ele acrescentou ainda que a Igreja nao pode decidir sobre o uso da pílula do dia seguinte.

A resposta por parte de alguns políticos também nao se fez esperar. Nesta sexta-feira, os governantes das regioes mais importantes da Itália, Francesco Storace por Lazio (Roma) e Roberto Formigoni por Lombardía (Milao), divulgaram um texto comum no qual se comprometem a defender todo direito à vida. Eles acreditam que a pílula do dia seguinte representa um ataque à vida.

Os dois políticos sao representantes da extrema direita. O primeiro foi eleito pela Aliança Nacional (pós-fascista) e o outro é ex-militante do movimento católico extremista Liberaçao e Comunhao e membro da Força Itália ( o partido de Silvio Berlusconi).

A cruzada da Igreja Católica contra a pílula alvoroçou representantes de diversas instituiçoes e movimentou a opiniao pública. O medicamento está sendo vendida há poucos dias nas farmácias, sob precriçao médica, a 20 mil liras (menos de US$ 10).

A pílula do dia seguinte é um anticoncepcional de emergência e deve ser empregada até 72 horas depois da relaçao na qual a mulher suspeita ter engravidado.

A presença da Igreja Católica na vida política italiana tem sido muito forte e todos os candidatos tentam ganhar seu apoio neste período pré-eleitoral.

"A ingerência do Vaticano ou a cruzada", como foi definida pelo jornal La Repubblica a atitude da Santa Fé em relaçao à pílula, mostra como a Igreja Católica aspira ganhar cada vez mais espaço nas decisoes políticas da Itália.

"Nao é algo novo", comentou o arcebispo Elio Sgreccia, vice-presidente da Academia Pontifícia pela Vida, que justifica a ingerência do Vaticano nos assuntos do Estado italiano.

Entre os opositores mais incômodos da Igreja Católica figuram a ministra da Previdência, Livia Turco, e o ministro da Saúde, o famoso cancerologista Umberto Veronesi.

"A Igreja tem direito a lançar sua mensagem para defender a concepçao da vida e para que os cidadaos e seus legisladores levem em consideraçao seus princípios, mas nao pode convidar os médicos e farmacêuticos a nao cumprir seu dever e a se opor a uma norma européia", afirmou a ministra Turco.

Para Veronesi, a pílula nao pode ser considerada um aborto químico, já que sua funçao é impedir que o óvulo se implante no útero e a gravidez comece.

"Para nós, um óvulo fecundado já é um embriao de vida", replica o monsenhor Sgreccia, que sustenta que a igreja tem o direito de evangelizar.

Segundo as estatísticas oficiais, a Itália registra 10 mil gravidezes indesejadas por ano entre menores, dentre o quais 6,7 mil optam pela interrupçao voluntária. A pílula abortiva RU-486 está proibida.

A nível internacional, a Igreja Católica se opôs com todas as suas forças contra o uso da pílula do dia seguinte no caso das meninas violentadas em Kosovo ou que vivem em campos refugiados. A atitude foi classificada como "insensibilidade" pela ONU.



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