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Obscurantismo das religiões

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Rui Martins
De Berlim, especial para o Diário

13/02/2013 | 07:00


Cineasta francês Guillaume Nicloux é objetivo - com o filme A Religiosa seu intento, ao adaptar a novela de Diderot, foi o de fazer uma obra lírica em louvor da liberdade, dando-lhe uma visão atemporal e universal e não apenas celebrando a resistência da noviça Suzanne Simonin.

Isso porque, embora o catolicismo continue demonstrando sua intolerância e obscurantismo, ele não está só nos dias de hoje, e deve-se falar, por isso, em religiões intolerantes. Seu filme, embora o cineasta não mencione explicitamente, é também um sinal de apoio a todas as mulheres vítimas das religiões.

Desde a adolescência, contou o realizador aos jornalistas, teve vontade de fazer um filme sobre esse romance de Diderot pela força anticlerical transmitida no livro. Respondendo a uma pergunta sobre se haveria atualidade em mostrar em um filme a vida nos conventos no fim do século 18, Guillaume Nicloux recorreu à resposta de sua filha de 15 anos, à qual submeteu o livro de Diderot e perguntou se seria válido nos dias de hoje.

"'Eu acho que as coisas não evoluíram', disse ela. As mulheres ainda não gozam de liberdade numa grande parte do mundo."

Nicloux citou também o caso noticiado pela imprensa de uma mulher ter sido amputada das orelhas e do nariz por não querer dormir com o marido.

Diderot, disse o cineasta, se opunha ao fanatismo religioso. E Nicloux aproveitou para declarar publicamente sua posição de não ter fé. "Sou ateu, não acredito na existência de um Deus. No máximo, eu poderia aceitar uma visão panteísta pela qual Deus seria a própria natureza, mas me revolto quando vejo as pessoas crendo em coisas que não se veem e querendo forçar os outros a lhes seguirem."

Depois de uma jornalista iraniana exilada na Europa ter falado das exigências e intolerâncias dos muçulmanos xiitas com relação às mulheres no Irã, Guillaume Nicloux citou que no seu próprio país existem os que condenam o preservativo, a pílula anticoncepcional, com os homens fazendo a lei religiosa ao mesmo tempo em que, hipocritamente, falam em paridade entre homem e mulher.

"Basta se ouvir os líderes religiosos franceses para saber que mantêm visões retrógradas e reacionárias como em outros países com outras religiões."

O filme A Religiosa conta as torturas e sofrimentos infringidos no convento à noviça e depois irmã de voto confirmado Suzanne Simonin, obrigada a seguir a vida religiosa pela família. A novela de Diderot inspirou diversos filmes, entre eles o de Jacques Rivette, em 1966, que acabou tendo proibida a exibição nos cinemas por intervenção da Igreja Católica. O filme de Guillaume Nicloux tem proibição certa nos países muçulmanos. Dele também participa a atriz Isabelle Huppert.



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Obscurantismo das religiões

Rui Martins
De Berlim, especial para o Diário

13/02/2013 | 07:00


Cineasta francês Guillaume Nicloux é objetivo - com o filme A Religiosa seu intento, ao adaptar a novela de Diderot, foi o de fazer uma obra lírica em louvor da liberdade, dando-lhe uma visão atemporal e universal e não apenas celebrando a resistência da noviça Suzanne Simonin.

Isso porque, embora o catolicismo continue demonstrando sua intolerância e obscurantismo, ele não está só nos dias de hoje, e deve-se falar, por isso, em religiões intolerantes. Seu filme, embora o cineasta não mencione explicitamente, é também um sinal de apoio a todas as mulheres vítimas das religiões.

Desde a adolescência, contou o realizador aos jornalistas, teve vontade de fazer um filme sobre esse romance de Diderot pela força anticlerical transmitida no livro. Respondendo a uma pergunta sobre se haveria atualidade em mostrar em um filme a vida nos conventos no fim do século 18, Guillaume Nicloux recorreu à resposta de sua filha de 15 anos, à qual submeteu o livro de Diderot e perguntou se seria válido nos dias de hoje.

"'Eu acho que as coisas não evoluíram', disse ela. As mulheres ainda não gozam de liberdade numa grande parte do mundo."

Nicloux citou também o caso noticiado pela imprensa de uma mulher ter sido amputada das orelhas e do nariz por não querer dormir com o marido.

Diderot, disse o cineasta, se opunha ao fanatismo religioso. E Nicloux aproveitou para declarar publicamente sua posição de não ter fé. "Sou ateu, não acredito na existência de um Deus. No máximo, eu poderia aceitar uma visão panteísta pela qual Deus seria a própria natureza, mas me revolto quando vejo as pessoas crendo em coisas que não se veem e querendo forçar os outros a lhes seguirem."

Depois de uma jornalista iraniana exilada na Europa ter falado das exigências e intolerâncias dos muçulmanos xiitas com relação às mulheres no Irã, Guillaume Nicloux citou que no seu próprio país existem os que condenam o preservativo, a pílula anticoncepcional, com os homens fazendo a lei religiosa ao mesmo tempo em que, hipocritamente, falam em paridade entre homem e mulher.

"Basta se ouvir os líderes religiosos franceses para saber que mantêm visões retrógradas e reacionárias como em outros países com outras religiões."

O filme A Religiosa conta as torturas e sofrimentos infringidos no convento à noviça e depois irmã de voto confirmado Suzanne Simonin, obrigada a seguir a vida religiosa pela família. A novela de Diderot inspirou diversos filmes, entre eles o de Jacques Rivette, em 1966, que acabou tendo proibida a exibição nos cinemas por intervenção da Igreja Católica. O filme de Guillaume Nicloux tem proibição certa nos países muçulmanos. Dele também participa a atriz Isabelle Huppert.

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