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Quantidade de MEIs cresce 27% na região

Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Falta de emprego no mercado formal impulsiona a criação de registros, que somam 138,9 mil


Yara Ferraz
do Diário do Grande ABC

31/01/2020 | 00:02


No período de um ano, o Grande ABC registrou o aumento de 27,7% no número de MEIs (Microempreendedores Individuais), o que corresponde a cerca de 30,1 mil pessoas a mais, na comparação entre 2018 e 2019. Para especialistas, o crescimento está ligado diretamente com a questão do desemprego. Isso porque quem sai do mercado de trabalho formal acaba tendo dificuldades para se recolocar e enxerga a abertura de um novo negócio como solução.

Os dados da região foram levantados pelo Sebrae-SP (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) a pedido do Diário. Os números mostram que a cidade que registrou o maior crescimento percentual foi Mauá, com 29,5%, passando de 13.906 em 2018 para 18.004 no ano passado (veja mais na arte acima). Porém, em todas cidades houve aumento.

De acordo com o gerente regional do Sebrae, Paulo Sérgio Cereda, a tendência de crescimento da região segue a nacional, sendo que a maioria das pessoas está classificada como empreendedor por necessidade. “Ainda estamos em um processo de recuperação de crise severa e o emprego é o ultimo indicador que reage. Quando começarmos a crescer economicamente, primeiro as empresas devem ocupar a capacidade ociosa e só contratarem se permanecer a tendência de crescimento. O emprego não vai reagir tão rápido”, afirmou, completando que a maior parte dos novos empreendedores precisa obter uma forma de renda após ficar sem ter o trabalho formal (leia mais abaixo).

“Eu vejo com muita preocupação essa situação. Ao contrário do que possa parecer, o Brasil não é um País de empreendedores. Pelo contrário. As pessoas estão tentando se virar porque não conseguem mais emprego com carteira assinada”, afirmou o coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero, completando que o indicador serve para mostrar o tamanho da informalidade no mercado de trabalho e do desemprego.

“Empreender por necessidade não é o fim do mundo. Basta ficar atento se está atendendo alguma demanda de mercado e tomar cuidado para não entrar na vala comum porque aumenta muito o risco do negócio ficar pelo caminho”, afirmou Cereda.

Segundo ele, os números também representam uma mudança da sociedade. “Antigamente, as pessoas diziam que bastava se formar na faculdade para trabalhar numa multinacional, mas agora não é mais assim. Por isso é necessário buscar informações para a possibilidade de lidar com o novo negócio”, disse,

Apesar de o Sebrae não possuir dados regionais sobre o assunto, a estimativa é a de que a taxa de mortalidade de empresas de até dois anos atinja 13% para MEIs e 45% para microempresas. Os números são de 2016.

Empreender é luz no fim do túnel

Com a saída do emprego formal, os trabalhadores da região acabam enxergando uma luz no fim do túnel na montagem do próprio negócio. Porém, é necessário entender as demandas do mercado.

Cleonice Fernandes Bento da Silva, 49 anos, moradora de São Bernardo, se formalizou como MEI (Microempreendedor Individual) há três meses. Ela sentiu o peso da concorrência quando decidiu fazer bolos para vender, mas, mesmo assim, conseguiu se destacar. “Hoje trabalho somente em casa. O que mais sai são os bolos no pote durante toda a semana e, aos fins de semana, os de diversos tamanhos”, afirmou ela, que comercializa uma média de 1.200 produtos por mês. “Conforme as pessoas conhecem os bolos no pote, acabam encomendando os maiores.”

Cleonice trabalhava como balconista num supermercado e ganhava um salário mínimo, sendo que saiu do emprego em 2017 por conta de problemas de saúde da filha e pela falta de oportunidade de crescimento. Mesmo já fazendo algumas encomendas, decidiu focar no negócio próprio.

Quem ainda está no início deste caminho é o morador de Diadema Felipe Silva, 30. Ele trabalhava na área de logística de uma metalúrgica, mas se deparou com os salários baixos ao tentar se recolocar no mercado de trabalho . “Mudei de ramo e passei a prestar serviços de comunicação. Virei MEI por falta de opção”, disse ele, que também chegou a trabalhar como motorista de aplicativo.
 



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Quantidade de MEIs cresce 27% na região

Falta de emprego no mercado formal impulsiona a criação de registros, que somam 138,9 mil

Yara Ferraz
do Diário do Grande ABC

31/01/2020 | 00:02


No período de um ano, o Grande ABC registrou o aumento de 27,7% no número de MEIs (Microempreendedores Individuais), o que corresponde a cerca de 30,1 mil pessoas a mais, na comparação entre 2018 e 2019. Para especialistas, o crescimento está ligado diretamente com a questão do desemprego. Isso porque quem sai do mercado de trabalho formal acaba tendo dificuldades para se recolocar e enxerga a abertura de um novo negócio como solução.

Os dados da região foram levantados pelo Sebrae-SP (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) a pedido do Diário. Os números mostram que a cidade que registrou o maior crescimento percentual foi Mauá, com 29,5%, passando de 13.906 em 2018 para 18.004 no ano passado (veja mais na arte acima). Porém, em todas cidades houve aumento.

De acordo com o gerente regional do Sebrae, Paulo Sérgio Cereda, a tendência de crescimento da região segue a nacional, sendo que a maioria das pessoas está classificada como empreendedor por necessidade. “Ainda estamos em um processo de recuperação de crise severa e o emprego é o ultimo indicador que reage. Quando começarmos a crescer economicamente, primeiro as empresas devem ocupar a capacidade ociosa e só contratarem se permanecer a tendência de crescimento. O emprego não vai reagir tão rápido”, afirmou, completando que a maior parte dos novos empreendedores precisa obter uma forma de renda após ficar sem ter o trabalho formal (leia mais abaixo).

“Eu vejo com muita preocupação essa situação. Ao contrário do que possa parecer, o Brasil não é um País de empreendedores. Pelo contrário. As pessoas estão tentando se virar porque não conseguem mais emprego com carteira assinada”, afirmou o coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero, completando que o indicador serve para mostrar o tamanho da informalidade no mercado de trabalho e do desemprego.

“Empreender por necessidade não é o fim do mundo. Basta ficar atento se está atendendo alguma demanda de mercado e tomar cuidado para não entrar na vala comum porque aumenta muito o risco do negócio ficar pelo caminho”, afirmou Cereda.

Segundo ele, os números também representam uma mudança da sociedade. “Antigamente, as pessoas diziam que bastava se formar na faculdade para trabalhar numa multinacional, mas agora não é mais assim. Por isso é necessário buscar informações para a possibilidade de lidar com o novo negócio”, disse,

Apesar de o Sebrae não possuir dados regionais sobre o assunto, a estimativa é a de que a taxa de mortalidade de empresas de até dois anos atinja 13% para MEIs e 45% para microempresas. Os números são de 2016.

Empreender é luz no fim do túnel

Com a saída do emprego formal, os trabalhadores da região acabam enxergando uma luz no fim do túnel na montagem do próprio negócio. Porém, é necessário entender as demandas do mercado.

Cleonice Fernandes Bento da Silva, 49 anos, moradora de São Bernardo, se formalizou como MEI (Microempreendedor Individual) há três meses. Ela sentiu o peso da concorrência quando decidiu fazer bolos para vender, mas, mesmo assim, conseguiu se destacar. “Hoje trabalho somente em casa. O que mais sai são os bolos no pote durante toda a semana e, aos fins de semana, os de diversos tamanhos”, afirmou ela, que comercializa uma média de 1.200 produtos por mês. “Conforme as pessoas conhecem os bolos no pote, acabam encomendando os maiores.”

Cleonice trabalhava como balconista num supermercado e ganhava um salário mínimo, sendo que saiu do emprego em 2017 por conta de problemas de saúde da filha e pela falta de oportunidade de crescimento. Mesmo já fazendo algumas encomendas, decidiu focar no negócio próprio.

Quem ainda está no início deste caminho é o morador de Diadema Felipe Silva, 30. Ele trabalhava na área de logística de uma metalúrgica, mas se deparou com os salários baixos ao tentar se recolocar no mercado de trabalho . “Mudei de ramo e passei a prestar serviços de comunicação. Virei MEI por falta de opção”, disse ele, que também chegou a trabalhar como motorista de aplicativo.
 

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