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Cirurgia em obeso ainda está suspensa


Bruno Ribeiro
Especial para o Diário

09/03/2006 | 08:53


Passados quatro meses desde que a Prefeitura de Santo André garantiu que pacientes com obesidade mórbida associada à hérnia fariam a cirurgia bariátrica (redução do estômago) no Centro Hospitalar Municipal, nenhuma pessoa foi operada. A promessa foi feita após vir a público a notícia de que o motorista do prefeito João Avamileno (PT), José Roberto da Silva, com quadro semelhante, furou uma fila de 6 mil pessoas para fazer no dia 27 de setembro do ano passado a cirurgia de redução do estômago gratuitamente no Centro Hospitalar. Ocorre que a unidade pública não realiza esse tipo de procedimento desde o início de 2005, o que configuraria um privilégio. A denúncia foi publicada com exclusividade pelo Diário no dia 16 de outubro. Na região, só é possível fazer gratuitamente esse tipo de operação no Hospital Anchieta, em São Bernardo, e no Hospital Estadual de Diadema. A fila de espera – 3 mil pessoas – é controlada pela Faculdade de Medicina do ABC.

José Roberto, o Zezinho, motorista do prefeito, pesava 132 kg. Dois dias antes de operar, ele teria dito em um churrasco entre amigos que ficaria “magrinho e bonitinho” por conta da cirurgia. Entretanto, na ocasião da reportagem a Prefeitura negou favorecimento e argumentou que a decisão de fazer a redução de estômago em Zezinho havia sido tomada durante uma cirurgia de hérnia, às pressas, sem prévio agendamento. No dia 26 do mesmo mês, a secretária municipal de Saúde, Vânia Barbosa do Nascimento, apresentou nova versão, afirmando que Zezinho sabia da redução do estômago três meses antes da operação. Ela reafirmou que a cirurgia foi uma decisão médica, não administrativa.

O cirurgião Remo Randi, indicado pela Prefeitura para responder sobre a cirurgia naquela ocasião, afirmou que o caso de Zezinho era uma emergência. Randi disse que quem estivesse na espera e apresentasse o mesmo quadro clínico de Zezinho também furaria a fila e seria operado no Centro Hospitalar.

Embora o médico Homero Nepomuceno Duarte, presidente da Faculdade de Medicina do ABC, tenha afirmado na época que a maioria dos pacientes na fila tinha hérnia associada à obesidade mórbida (o quadro de Zezinho), até hoje nenhuma pessoa passou pelas mesas cirúrgicas do Centro Hospitalar Municipal para reduzir estômago. A Prefeitura afirma que esse tipo de cirurgia continua suspensa, e que não há equipes para a operação e nem credenciamento junto ao Ministério da Saúde para esse procedimento. O chefe do setor de Cirurgia Bariátrica da Medicina do ABC, Edmundo Anderi Júnior, confirma que nenhuma forma de convênio foi estabelecida desde que o médico Remo Randi prometeu operar quem estivesse na fila nas mesmas condições de Zezinho.

Quarta-feira, a Prefeitura informou que nunca garantiu que faria as cirurgias em pacientes da fila, e que essa conclusão havia sido interpretação do Diário. No entanto, a administração municipal não questionou a reportagem na época de sua publicação, quando Randi disse o seguinte: “Se me trouxerem outro caso igual ao do Zezinho, indico novamente para fazer a operação. Esse tipo de caso não está suspenso no Centro Hospitalar”.

A Prefeitura garante que nenhuma pessoa procurou o Centro para reduzir o estômago. Entretanto, se procurasse, esse tipo de cirurgia continua suspensa e não há nenhum projeto de reativá-la, segundo a Prefeitura. A Prefeitura não informou o resultado da sindicância que apurou as circunstâncias da cirurgia.

Interpretação – O secretário adjunto de Saúde, Eduardo Guadagnin, disse quarta-feira que, na ocasião dos fatos, o que a Prefeitura teria dito à reportagem era que, caso alguém estivesse na mesa cirúrgica para operar da hérnia e fosse constatado que era preciso realizar uma operação bariátrica, seria operado. Nenhum dos 71 operados da hérnia no Centro Hospital Municipal desde a cirurgia em Zezinho precisava de cirurgia bariátrica, segundo o secretário adjunto. Guadagni falou que a informação que pessoas da fila de espera na mesma situação do motorista do prefeito seriam também operadas no hospital da Prefeitura foi uma interpretação do jornal. A contestação de reportagens cujo teor é considerado incorreto é praxe nas administrações públicas. Entretanto, a reportagem não sofreu nenhuma contestação. A Prefeitura argumenta que não contestar não significa concordar com as informações da matéria.

Fila – Desde a operação no motorista do prefeito, a fila de espera foi reduzida à metade na Fundação ABC. Antes, eram 6 mil pessoas. Hoje, de acordo com a Faculdade, está com 3 mil pacientes. O cirurgião Edmundo Anderi Júnior afirma que a queda se deve a operações realizadas em outras circunstâncias, desistências, cadastros incorretos ou óbito. Desde outubro, a Medicina ABC encaminhou 24 pacientes para cirurgia.


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