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Consumo cresce, apesar dos esforços do governo


Leone Farias
Do Diário do Grande ABC

29/04/2011 | 07:09


O fantasma da inflação, que ameaça voltar a assombrar o País, por enquanto não tirou o sono dos consumidores. Diversas pesquisas mostram que o consumo continua aquecido, apesar dos esforços do governo federal para conter a demanda.

Estudo do Instituto Fractal mostra que a classe média alta (com renda superior a R$ 4.000 por mês) tem a situação econômica do País como um dos itens que menos preocupam, em uma lista liderada por temas como Segurança Pública, Educação e família. "Esse público não pretende refrear o consumo e, se mantiver o poder aquisitivo, vai certamente ampliar as compras", cita o presidente do Instituto, Celso Grisi.

Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram, por sua vez, que as vendas do comércio em 12 meses até fevereiro estão com crescimento de 10,2%, percentual bastante elevado e que sinaliza a dificuldade do governo em reprimir a demanda. Outra pesquisa, feita pela Serasa Experian, aponta que o consumo das famílias cresceu 7,1% nesse mesmo período, pouco menos que os 7,3% até janeiro. Segundo especialistas, essa desaceleração é muito pequena - com a demanda em alta, a tendência é que os preços também subam mais.

A situação é preocupante, já que, no acumulado de 12 meses até março, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Ampliado) - indicador oficial de inflação - já chega a 6,30%, bem próximo do teto máximo de 6,50%. E o mais recente relatório Focus, do Banco Central, que retrata as projeções dos analistas financeiros, estima a taxa inflacionária em 6,34% no fim do ano.

Os riscos à estabilidade existem, mas muitas pessoas, especialmente com menos de 30 anos, não temem o dragão da inflação. Isso porque não viveram períodos de espiral inflacionária (como na década de 1980).

No entanto, a alta dos preços não está ocorrendo só por causa da consumo aquecido, mas também por fatores externos, as commodities (alimentos e petróleo, por exemplo), sobre os quais o governo tem pouco controle, segundo coordenador do curso de Economia da Fundação Santo André, Ricardo Balistiero. A saída é conter a demanda das famílias, para compensar o reajuste das commodities, com medidas como a elevação dos juros e restrições ao financiamento de longo prazo dos bancos.

 

Elevação nos juros deve surtir efeito só no segundo semestre 

Para economistas ouvidos pela equipe do Diário, as medidas adotadas pelo governo federal, de altas dos juros, elevação da IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e restrições ao financiamento de longo prazo, devem surtir efeito no consumo só no segundo semestre.

Para o delegado regional do Corecon (Conselho Regional de Economia) no Grande ABC, Leonel Tinoco, a inflação está se mostrando persistente, entre outros fatores pela pressão da alta de combustíveis e alimentos, mas deve recuar. "Precisamos dar tempo para que as medidas tenha um resultado", afirma.

O professor Ricardo Balistiero, da Fundação Santo André, acrescenta que o governo percebeu que o problema não é só as commodities, mas que o consumo está acelerado. Ele também avalia que na segunda metade do ano, os reflexos das medidas do BC serão sentidos e considera que o governo tem ido na direção certa, ao mostrar disposição de cortar gastos e elevar a Selic. "O crédito já está mais caro", assinala. Ele considera que não será possível ficar no centro da meta inflacionária, de 4,5%, mas será possível ficar entre 4,5% e 6,5%, que é o teto da meta.



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Consumo cresce, apesar dos esforços do governo

Leone Farias
Do Diário do Grande ABC

29/04/2011 | 07:09


O fantasma da inflação, que ameaça voltar a assombrar o País, por enquanto não tirou o sono dos consumidores. Diversas pesquisas mostram que o consumo continua aquecido, apesar dos esforços do governo federal para conter a demanda.

Estudo do Instituto Fractal mostra que a classe média alta (com renda superior a R$ 4.000 por mês) tem a situação econômica do País como um dos itens que menos preocupam, em uma lista liderada por temas como Segurança Pública, Educação e família. "Esse público não pretende refrear o consumo e, se mantiver o poder aquisitivo, vai certamente ampliar as compras", cita o presidente do Instituto, Celso Grisi.

Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram, por sua vez, que as vendas do comércio em 12 meses até fevereiro estão com crescimento de 10,2%, percentual bastante elevado e que sinaliza a dificuldade do governo em reprimir a demanda. Outra pesquisa, feita pela Serasa Experian, aponta que o consumo das famílias cresceu 7,1% nesse mesmo período, pouco menos que os 7,3% até janeiro. Segundo especialistas, essa desaceleração é muito pequena - com a demanda em alta, a tendência é que os preços também subam mais.

A situação é preocupante, já que, no acumulado de 12 meses até março, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Ampliado) - indicador oficial de inflação - já chega a 6,30%, bem próximo do teto máximo de 6,50%. E o mais recente relatório Focus, do Banco Central, que retrata as projeções dos analistas financeiros, estima a taxa inflacionária em 6,34% no fim do ano.

Os riscos à estabilidade existem, mas muitas pessoas, especialmente com menos de 30 anos, não temem o dragão da inflação. Isso porque não viveram períodos de espiral inflacionária (como na década de 1980).

No entanto, a alta dos preços não está ocorrendo só por causa da consumo aquecido, mas também por fatores externos, as commodities (alimentos e petróleo, por exemplo), sobre os quais o governo tem pouco controle, segundo coordenador do curso de Economia da Fundação Santo André, Ricardo Balistiero. A saída é conter a demanda das famílias, para compensar o reajuste das commodities, com medidas como a elevação dos juros e restrições ao financiamento de longo prazo dos bancos.

 

Elevação nos juros deve surtir efeito só no segundo semestre 

Para economistas ouvidos pela equipe do Diário, as medidas adotadas pelo governo federal, de altas dos juros, elevação da IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e restrições ao financiamento de longo prazo, devem surtir efeito no consumo só no segundo semestre.

Para o delegado regional do Corecon (Conselho Regional de Economia) no Grande ABC, Leonel Tinoco, a inflação está se mostrando persistente, entre outros fatores pela pressão da alta de combustíveis e alimentos, mas deve recuar. "Precisamos dar tempo para que as medidas tenha um resultado", afirma.

O professor Ricardo Balistiero, da Fundação Santo André, acrescenta que o governo percebeu que o problema não é só as commodities, mas que o consumo está acelerado. Ele também avalia que na segunda metade do ano, os reflexos das medidas do BC serão sentidos e considera que o governo tem ido na direção certa, ao mostrar disposição de cortar gastos e elevar a Selic. "O crédito já está mais caro", assinala. Ele considera que não será possível ficar no centro da meta inflacionária, de 4,5%, mas será possível ficar entre 4,5% e 6,5%, que é o teto da meta.

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