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Sem inocência e sem sabedoria



11/06/2008 | 07:06


Há algum tempo conversa de mulher virou um nicho no mercado das artes cênicas, muito explorado na forma de comédia. E dá-lhe de personagens femininas falando de comportamento masculino. Soa contraditório? Bem, também entra em cena a dificuldade de conciliar carreira profissional com a criação de filhos até temas ‘vibrantes' como a relevância do salto alto na auto-estima feminina. Para os desavisados o título Confissões de Mulheres de 30, espetáculo que estréia hoje no Teatro Folha sob direção de Fernanda D'Umbra, com Juliana Araripe, Camila Raffanti e Melissa Vettore no elenco, faz pensar em mais uma peça desse boom de dramaturgia.

Sob certo ponto de vista, até se enquadraria. Só que Confissões foi escrita na década de 1990 e tem dramaturgia de Domingos de Oliveira.

GAROTAS CRESCIDAS
Na época, partiu do desejo de dar uma continuidade ‘adulta' à série Confissões de Adolescente, que esse cineasta, autor de filmes como Amores e Separações, que tratam com aguda delicadeza o tema das relações afetivas, havia dirigido a partir de textos de sua filha Maria Mariana.

"O fato de ser um texto de Domingos de Oliveira faz toda a diferença. Além de tocar a sensibilidade e provocar identificação é boa literatura", diz Fernanda.
No palco, sob sua direção um trio de atrizes que, como ela, atuam na série Mothern, no canal GNT, que também aborda o dia-a-dia de mulheres contemporâneas.

"Minha primeira reação, ao ser convidada, foi ficar na defensiva. Sou quase fundamentalista quando se trata de teatro. Tive medo desse trabalho ser encarado como um subproduto da série de TV. Teatro é coisa séria demais para brincar", afirma Fernanda.

Mas a leitura do texto a convenceu. "E Domingos escreveu a partir de originais de mulheres muito interessantes", completa. Os textos sobre os quais o autor trabalhou são de Clarice Niskier, Priscilla Rozenbaum, Domingos Oliveira, Dino Menasche, Lenita Plonczynski, Dedina Bernardelli, Cacá Mourthé, Clarisse Derzié e Maitê Proença.

"Ter trinta anos é viver no agora ou nunca" é a primeira frase dita em palco. "Eu preciso ficar famosa agora ou nunca. Eu preciso ter minha casa agora ou nunca. Eu preciso ter meu filho agora ou nunca."

Menos que uma realidade - atualmente pode-se mudar de vida completamente e até decidir ter filhos aos 40 - esse prólogo reflete a ansiedade típica dessas mulheres que, como diz Domingos de Oliveira, já perderam a inocência e não adquiriram a sabedoria.

Aos 18 escolhe-se uma carreira para toda a vida, na faixa dos 20 namora-se para valer. "Aos 30 é hora de decidir se a gente vai continuar naquele casamento ou não, se vai mudar de carreira e, certas ou erradas, a gente tem certeza de que tem de ser mesmo agora ou nunca", diz Fernanda, também uma típica mulher de 30.

Porém talvez nada avance tão rapidamente nos últimos tempos quanto o comportamento feminino.

Ainda assim, as atrizes preferiram não interferir no texto, a não ser em pequenos detalhes tecnológicos, como o advento do celular. Algo que não terá ficado ultrapassado? "Olha, eu jamais concordo 100% com um autor, seja ele Domingos de Oliveira, Shakespeare ou Mário Bortolotto", diz Fernanda.

"Por exemplo, acho que atualmente é bem mais tranqüilo para uma mulher decidir não ter filhos do que há 20 anos. Acho que a mulher adquiriu o direito a não-maternidade. A vida sem filho é absolutamente deliciosa para quem tem interesse pela vida. Tem gente que tem filho para validar a própria existência chata e se torna uma mãe neurótica. Ainda não decidi de quero ser mãe ou não, mas até agora não tive vontade."

De uma forma geral, até pelo estilo de vida dos autores, a peça retrata mulheres independentes, que procuram refletir sobre seus vínculos com o mundo com humor, sinal de inteligência, e responsabilidade. "Domingos fala da gente como eu, como você, gente com as quais as pessoas de classe média se identificam." Nem párias da sociedade, nem milionárias.

Confissões de Mulheres de 30 - Teatro. No Teatro Folha - Avenida Higienópolis, 618, piso 2, Shopping Pátio Higienópolis, São Paulo. Tel.: 3823-2323. Quartas e quintas, às 20h. Ingr.: R$ 20. Até 14 de agosto.



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Sem inocência e sem sabedoria


11/06/2008 | 07:06


Há algum tempo conversa de mulher virou um nicho no mercado das artes cênicas, muito explorado na forma de comédia. E dá-lhe de personagens femininas falando de comportamento masculino. Soa contraditório? Bem, também entra em cena a dificuldade de conciliar carreira profissional com a criação de filhos até temas ‘vibrantes' como a relevância do salto alto na auto-estima feminina. Para os desavisados o título Confissões de Mulheres de 30, espetáculo que estréia hoje no Teatro Folha sob direção de Fernanda D'Umbra, com Juliana Araripe, Camila Raffanti e Melissa Vettore no elenco, faz pensar em mais uma peça desse boom de dramaturgia.

Sob certo ponto de vista, até se enquadraria. Só que Confissões foi escrita na década de 1990 e tem dramaturgia de Domingos de Oliveira.

GAROTAS CRESCIDAS
Na época, partiu do desejo de dar uma continuidade ‘adulta' à série Confissões de Adolescente, que esse cineasta, autor de filmes como Amores e Separações, que tratam com aguda delicadeza o tema das relações afetivas, havia dirigido a partir de textos de sua filha Maria Mariana.

"O fato de ser um texto de Domingos de Oliveira faz toda a diferença. Além de tocar a sensibilidade e provocar identificação é boa literatura", diz Fernanda.
No palco, sob sua direção um trio de atrizes que, como ela, atuam na série Mothern, no canal GNT, que também aborda o dia-a-dia de mulheres contemporâneas.

"Minha primeira reação, ao ser convidada, foi ficar na defensiva. Sou quase fundamentalista quando se trata de teatro. Tive medo desse trabalho ser encarado como um subproduto da série de TV. Teatro é coisa séria demais para brincar", afirma Fernanda.

Mas a leitura do texto a convenceu. "E Domingos escreveu a partir de originais de mulheres muito interessantes", completa. Os textos sobre os quais o autor trabalhou são de Clarice Niskier, Priscilla Rozenbaum, Domingos Oliveira, Dino Menasche, Lenita Plonczynski, Dedina Bernardelli, Cacá Mourthé, Clarisse Derzié e Maitê Proença.

"Ter trinta anos é viver no agora ou nunca" é a primeira frase dita em palco. "Eu preciso ficar famosa agora ou nunca. Eu preciso ter minha casa agora ou nunca. Eu preciso ter meu filho agora ou nunca."

Menos que uma realidade - atualmente pode-se mudar de vida completamente e até decidir ter filhos aos 40 - esse prólogo reflete a ansiedade típica dessas mulheres que, como diz Domingos de Oliveira, já perderam a inocência e não adquiriram a sabedoria.

Aos 18 escolhe-se uma carreira para toda a vida, na faixa dos 20 namora-se para valer. "Aos 30 é hora de decidir se a gente vai continuar naquele casamento ou não, se vai mudar de carreira e, certas ou erradas, a gente tem certeza de que tem de ser mesmo agora ou nunca", diz Fernanda, também uma típica mulher de 30.

Porém talvez nada avance tão rapidamente nos últimos tempos quanto o comportamento feminino.

Ainda assim, as atrizes preferiram não interferir no texto, a não ser em pequenos detalhes tecnológicos, como o advento do celular. Algo que não terá ficado ultrapassado? "Olha, eu jamais concordo 100% com um autor, seja ele Domingos de Oliveira, Shakespeare ou Mário Bortolotto", diz Fernanda.

"Por exemplo, acho que atualmente é bem mais tranqüilo para uma mulher decidir não ter filhos do que há 20 anos. Acho que a mulher adquiriu o direito a não-maternidade. A vida sem filho é absolutamente deliciosa para quem tem interesse pela vida. Tem gente que tem filho para validar a própria existência chata e se torna uma mãe neurótica. Ainda não decidi de quero ser mãe ou não, mas até agora não tive vontade."

De uma forma geral, até pelo estilo de vida dos autores, a peça retrata mulheres independentes, que procuram refletir sobre seus vínculos com o mundo com humor, sinal de inteligência, e responsabilidade. "Domingos fala da gente como eu, como você, gente com as quais as pessoas de classe média se identificam." Nem párias da sociedade, nem milionárias.

Confissões de Mulheres de 30 - Teatro. No Teatro Folha - Avenida Higienópolis, 618, piso 2, Shopping Pátio Higienópolis, São Paulo. Tel.: 3823-2323. Quartas e quintas, às 20h. Ingr.: R$ 20. Até 14 de agosto.

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