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Economia

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Investir cedo garante
um pé de meia gordo

Quem guarda por 40 anos recebe quatro vezes mais do
que os que poupam metade do tempo, dizem especialistas


Erica Martin
Do Diário do Grande ABC

27/01/2013 | 07:00


Os planos de previdência privada são bastante procurados por pessoas que querem complementar o benefício do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) - que muitas vezes não é suficiente para bancar as despesas de casa. No Grande ABC, por exemplo, metade dos aposentados continua no batente porque o benefício da Previdência não paga todos os gastos. A principal dica para evitar que a Previdência Social seja o único meio de sobrevivência é o planejamento antecipado. Quem começa poupar cedo certamente poderá acumular bom pé de meia para usufruir durante a velhice. Ao aportar R$ 100 todo mês, em um plano de previdência complementar, é possível acumular R$ 44 mil ao fim de 20 anos. Por outro lado, se o mesmo desembolso mensal for feito durante 40 anos, é possível juntar cerca de R$ 178,6 mil - montante quatro vezes maior (veja arte ao lado).

"O ideal é que os recursos só sejam usados no longo prazo, entre 20 e 30 anos", explica o professor de Economia da FIA (Fundação Instituto de Administração) Carlos Honorato.

Nunca é tarde para começar a guardar um dinheirinho. No entanto, quem demora para poupar tem de desembolsar mais recursos por mês. Quem tem 50 anos hoje precisa aportar R$ 615 em plano de previdência para alcançar os mesmos R$ 178,6 mil, aos 65 anos. Além disso, é preciso disciplina - não dá para usar a grana da previdência para outros fins. O ideal é buscar aplicações como a poupança - modalidade sem tributação e com facilidade de resgate - para programar sonhos de até dois anos, alerta o sócio da Praxis Business Maurício Galhardo, especialista em finanças pessoais.

COMO FUNCIONA - Os planos de previdências são divididos entre fechados (que são os fundos de pensão de empresas direcionados exclusivamente aos funcionários) e abertos, que podem ser consumidos por qualquer investidor por meio das seguradoras - com R$ 30 já dá para iniciar a aplicação. O cliente pode escolher um plano que aloque o seu dinheiro em renda fixa - que são os títulos das dívidas do governo, empresas e bancos - ou em renda variável, que são as ações em Bolsa. Quanto maior a disposição no mercado acionário, maior é o ganho. Pesquisa realizada pelas consultorias NetQuant e Towers Watson mostra que os fundos de previdência com até 49% em ações (que é o limite permitido por lei) tiveram rentabilidade líquida de 10,72%, em 2012, enquanto os produtos de renda fixa registraram 9,25% de ganho.

Hoje existem basicamente dois produtos de previdência: PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) e VGBL (Vida Gerador de Benefícios Livres). O professor de Macroeconomia e Cenários Econômicos do MBA da Fipecapi (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras) Silvio Paixão explica que só deve escolher a primeira opção, as pessoas que têm renda tributável; que declaram seus rendimentos à Receita Federal por meio do formulário completo; que pagam o INSS e têm imposto a pagar ou a restituir. "É preciso atender todas essas possibilidades, caso contrário o VGBL é o mais indicado."

A vantagem do PGBL é que 12% das contribuições anuais podem ser usadas para diminuir o valor do salário que será usado na hora de calcular o imposto. Quem tem renda anual de R$ 50 mil, por exemplo, terá o IR calculado sobre R$ 44 mil. A principal distinção, entre as modalidades, é a forma de tributação. Na hora de resgatar a grana do VGBL, o investidor paga o IR apenas sobre os ganhos. Se a escolha for o PGBL, o imposto será calculado sobre o valor total (quantia investida mais rendimento).

Taxas elevadas encarecem previdência

Apesar de tradicional, os planos de previdência nem sempre são os mais rentáveis. O professor de Economia Samy Dana, da FGV (Fundação Getulio Vargas), de São Paulo, comparou três investimentos - títulos da dívida pública, poupança e previdência. No cálculo, os papéis do governo oferecem retorno superior em relação as outras modalidades (veja arte ao lado), já que o investidor arca com custos menores para manter seu dinheiro na aplicação. Taxa de custódia da BM&F Bovespa de 0,30% ao ano sobre o valor dos títulos, taxa de administração cobrada pelos agentes de custódia (que pode variar entre zero e 1% ao ano) e Imposto de Renda (que varia entre 22,5% e 15% dependendo do prazo de aplicação) são os valores pagos pelo investidor.

Para aplicar em planos de previdência é necessário arcar com taxa de carregamento, cobrada toda vez que é feito um aporte, e taxa de administração, que é paga anualmente sobre o valor investido. É preciso prestar atenção porque cada uma delas podem chegar a 5% - e quanto menor o valor disponível para aportar no plano maior o custo. Também é preciso pagar o IR, se o investidor não tem a intenção de mexer no dinheiro no curto prazo, ele deve optar pela tabela de alíquota regressiva - quanto mais tempo a aplicação for mantida, menor será o tributo (veja arte acima). Pesquisa das consultorias NetQuant e Towers Watson mostra que entre os fundos de previdência (com alocação dos recursos apenas em renda fixa e que cobram taxa de administração igual ou superior a 3%), o rendimento médio que é de 7,36% cai para 4,36% ao subtrair a taxa, sem considerar a mordida do leão.

O montante é bem menor do que a poupança, que oferece retorno anual de 5,78%. Por outro lado, os fundos que têm rendimento de 9,25% ao ano e cobram até 1,5% para administrar o dinheiro do cliente oferece ganho até maior do que os títulos da dívida pública. Ao aplicar R$ 100 durante 20 anos, o investidor receberá R$ 50,4 mil se fizer aportes na previdência e R$ 49,1 mil se comprar os títulos (considerando os tributos). Para investir em papéis da dívida pública dá mais trabalho. A operação nada mais é do que um empréstimo que o investidor concede ao Governo. Após certo prazo (definido de acordo com o título escolhido), a União devolve o dinheiro ao aplicador com os devidos reajustes. Mas o investidor precisa se cadastrar em uma corretora (há uma lista delas no site www.tesouro.fazenda.gov.br) e se dedicar ao escolher o título com vencimento próximo a data em que pretende usar o dinheiro, além do índice que será usado para corrigi-lo - que pode ser a inflação ou a taxa de juros.

Saque está relacionado ao valor poupado e expectativa de vida

A forma de sacar o dinheiro da previdência privada é definida geralmente na contratação do plano. Mas é possível alterar a opção a qualquer momento.

O investidor pode optar, por exemplo, pelo saque total do dinheiro para administrá-lo sozinho. Há ainda como receber a renda vitalícia. A seguradora calcula, de acordo com a tábua de mortalidade do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), por quanto tempo o cliente ainda deve usufruir do dinheiro e, com base no montante que ele depositou ao longo da vida, defini o valor mensal que o investidor irá receber.

Portanto, se a expectativa de vida do segurado for longa, a renda será menor se comparada a outro investidor, que tenha aplicado a mesma quantia, mas que estatisticamente tem menos tempo de vida. Há também a renda vitalícia estendida aos beneficiários. "Mas se a pessoa que vai usufruir do dinheiro for um neto de cinco anos, por exemplo, que certamente vai viver por muito tempo, a renda do titular do plano ficará menor para que o valor depositado por ele seja compatível com o que será desembolsado pela seguradora", explica o professor de Macroeconomia do MBA da Fipecapi (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras) Silvio Paixão.

Por outro lado, quem tem expectativa de vida menor pode optar pela renda por um determinado período. A opção também pode ser direcionada aos beneficiários. "Nesse caso, se o investidor decidiu receber o benefício por 20 anos, mas morreu antes, os beneficiários recebem até completar o prazo", acrescenta Paixão.

 



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um pé de meia gordo

Quem guarda por 40 anos recebe quatro vezes mais do
que os que poupam metade do tempo, dizem especialistas

Erica Martin
Do Diário do Grande ABC

27/01/2013 | 07:00


Os planos de previdência privada são bastante procurados por pessoas que querem complementar o benefício do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) - que muitas vezes não é suficiente para bancar as despesas de casa. No Grande ABC, por exemplo, metade dos aposentados continua no batente porque o benefício da Previdência não paga todos os gastos. A principal dica para evitar que a Previdência Social seja o único meio de sobrevivência é o planejamento antecipado. Quem começa poupar cedo certamente poderá acumular bom pé de meia para usufruir durante a velhice. Ao aportar R$ 100 todo mês, em um plano de previdência complementar, é possível acumular R$ 44 mil ao fim de 20 anos. Por outro lado, se o mesmo desembolso mensal for feito durante 40 anos, é possível juntar cerca de R$ 178,6 mil - montante quatro vezes maior (veja arte ao lado).

"O ideal é que os recursos só sejam usados no longo prazo, entre 20 e 30 anos", explica o professor de Economia da FIA (Fundação Instituto de Administração) Carlos Honorato.

Nunca é tarde para começar a guardar um dinheirinho. No entanto, quem demora para poupar tem de desembolsar mais recursos por mês. Quem tem 50 anos hoje precisa aportar R$ 615 em plano de previdência para alcançar os mesmos R$ 178,6 mil, aos 65 anos. Além disso, é preciso disciplina - não dá para usar a grana da previdência para outros fins. O ideal é buscar aplicações como a poupança - modalidade sem tributação e com facilidade de resgate - para programar sonhos de até dois anos, alerta o sócio da Praxis Business Maurício Galhardo, especialista em finanças pessoais.

COMO FUNCIONA - Os planos de previdências são divididos entre fechados (que são os fundos de pensão de empresas direcionados exclusivamente aos funcionários) e abertos, que podem ser consumidos por qualquer investidor por meio das seguradoras - com R$ 30 já dá para iniciar a aplicação. O cliente pode escolher um plano que aloque o seu dinheiro em renda fixa - que são os títulos das dívidas do governo, empresas e bancos - ou em renda variável, que são as ações em Bolsa. Quanto maior a disposição no mercado acionário, maior é o ganho. Pesquisa realizada pelas consultorias NetQuant e Towers Watson mostra que os fundos de previdência com até 49% em ações (que é o limite permitido por lei) tiveram rentabilidade líquida de 10,72%, em 2012, enquanto os produtos de renda fixa registraram 9,25% de ganho.

Hoje existem basicamente dois produtos de previdência: PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) e VGBL (Vida Gerador de Benefícios Livres). O professor de Macroeconomia e Cenários Econômicos do MBA da Fipecapi (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras) Silvio Paixão explica que só deve escolher a primeira opção, as pessoas que têm renda tributável; que declaram seus rendimentos à Receita Federal por meio do formulário completo; que pagam o INSS e têm imposto a pagar ou a restituir. "É preciso atender todas essas possibilidades, caso contrário o VGBL é o mais indicado."

A vantagem do PGBL é que 12% das contribuições anuais podem ser usadas para diminuir o valor do salário que será usado na hora de calcular o imposto. Quem tem renda anual de R$ 50 mil, por exemplo, terá o IR calculado sobre R$ 44 mil. A principal distinção, entre as modalidades, é a forma de tributação. Na hora de resgatar a grana do VGBL, o investidor paga o IR apenas sobre os ganhos. Se a escolha for o PGBL, o imposto será calculado sobre o valor total (quantia investida mais rendimento).

Taxas elevadas encarecem previdência

Apesar de tradicional, os planos de previdência nem sempre são os mais rentáveis. O professor de Economia Samy Dana, da FGV (Fundação Getulio Vargas), de São Paulo, comparou três investimentos - títulos da dívida pública, poupança e previdência. No cálculo, os papéis do governo oferecem retorno superior em relação as outras modalidades (veja arte ao lado), já que o investidor arca com custos menores para manter seu dinheiro na aplicação. Taxa de custódia da BM&F Bovespa de 0,30% ao ano sobre o valor dos títulos, taxa de administração cobrada pelos agentes de custódia (que pode variar entre zero e 1% ao ano) e Imposto de Renda (que varia entre 22,5% e 15% dependendo do prazo de aplicação) são os valores pagos pelo investidor.

Para aplicar em planos de previdência é necessário arcar com taxa de carregamento, cobrada toda vez que é feito um aporte, e taxa de administração, que é paga anualmente sobre o valor investido. É preciso prestar atenção porque cada uma delas podem chegar a 5% - e quanto menor o valor disponível para aportar no plano maior o custo. Também é preciso pagar o IR, se o investidor não tem a intenção de mexer no dinheiro no curto prazo, ele deve optar pela tabela de alíquota regressiva - quanto mais tempo a aplicação for mantida, menor será o tributo (veja arte acima). Pesquisa das consultorias NetQuant e Towers Watson mostra que entre os fundos de previdência (com alocação dos recursos apenas em renda fixa e que cobram taxa de administração igual ou superior a 3%), o rendimento médio que é de 7,36% cai para 4,36% ao subtrair a taxa, sem considerar a mordida do leão.

O montante é bem menor do que a poupança, que oferece retorno anual de 5,78%. Por outro lado, os fundos que têm rendimento de 9,25% ao ano e cobram até 1,5% para administrar o dinheiro do cliente oferece ganho até maior do que os títulos da dívida pública. Ao aplicar R$ 100 durante 20 anos, o investidor receberá R$ 50,4 mil se fizer aportes na previdência e R$ 49,1 mil se comprar os títulos (considerando os tributos). Para investir em papéis da dívida pública dá mais trabalho. A operação nada mais é do que um empréstimo que o investidor concede ao Governo. Após certo prazo (definido de acordo com o título escolhido), a União devolve o dinheiro ao aplicador com os devidos reajustes. Mas o investidor precisa se cadastrar em uma corretora (há uma lista delas no site www.tesouro.fazenda.gov.br) e se dedicar ao escolher o título com vencimento próximo a data em que pretende usar o dinheiro, além do índice que será usado para corrigi-lo - que pode ser a inflação ou a taxa de juros.

Saque está relacionado ao valor poupado e expectativa de vida

A forma de sacar o dinheiro da previdência privada é definida geralmente na contratação do plano. Mas é possível alterar a opção a qualquer momento.

O investidor pode optar, por exemplo, pelo saque total do dinheiro para administrá-lo sozinho. Há ainda como receber a renda vitalícia. A seguradora calcula, de acordo com a tábua de mortalidade do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), por quanto tempo o cliente ainda deve usufruir do dinheiro e, com base no montante que ele depositou ao longo da vida, defini o valor mensal que o investidor irá receber.

Portanto, se a expectativa de vida do segurado for longa, a renda será menor se comparada a outro investidor, que tenha aplicado a mesma quantia, mas que estatisticamente tem menos tempo de vida. Há também a renda vitalícia estendida aos beneficiários. "Mas se a pessoa que vai usufruir do dinheiro for um neto de cinco anos, por exemplo, que certamente vai viver por muito tempo, a renda do titular do plano ficará menor para que o valor depositado por ele seja compatível com o que será desembolsado pela seguradora", explica o professor de Macroeconomia do MBA da Fipecapi (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras) Silvio Paixão.

Por outro lado, quem tem expectativa de vida menor pode optar pela renda por um determinado período. A opção também pode ser direcionada aos beneficiários. "Nesse caso, se o investidor decidiu receber o benefício por 20 anos, mas morreu antes, os beneficiários recebem até completar o prazo", acrescenta Paixão.

 

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