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Bebês voltam a usar fraldas de pano

Marina Brandão/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Andressa Dantas
Especial para o Diário

27/01/2013 | 07:00


Quando se fala em fraldas de pano, a primeira imagem que vem à mente é um pedaço de tecido branco dobrado em formato triangular e preso por um alfinete. Mas até mesmo as antigas tiras de pano evoluíram e hoje são artigos de desejo de muitas mamães conscientes.

Elas são coloridas e cheias de detalhes. À primeira vista, o que chama a atenção é o aspecto estético. Para muitas mulheres, as questões ambiental e econômica também são vantagens, mas a dúvida sobre a qualidade e praticidade acaba deixando a alternativa como segunda opção.

No Grande ABC, são descartados por mês aproximadamente 3.400 toneladas de fraldas e absorventes (somando dados das prefeituras de Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema e Ribeirão Pires). Pensando em diminuir a produção de lixo em sua casa, a estudante Jéssica Bonizzi, 21 anos, optou pelo uso das fraldas de pano. "Um dia me dei conta da quantidade de fraldas que jogava fora, mais ou menos umas 20 a cada três dias. A minha filha Valentina vivia assada e, quando conheci as fraldas de pano, resolvi arriscar. Foi paixão à primeira troca. Elas não vazam, como as pessoas costumam pensar, e deixam a pele do bebê respirar, ou seja, é muito melhor. E é bem prático para lavar."

O aspecto ambiental também foi decisivo para a historiadora Carla Valezin, 28, ao escolher os modelos ecológicos. "Quando estava grávida comecei a conhecer mais sobre as opções de fraldas e quis pedir várias no meu chá de bebê, porém, sabia que as pessoas não colaborariam com a iniciativa. O meu filho Mateus sofreu muito com as descartáveis. Ele tem uma alergia muito forte, fica com a pele cheia de feridas, e deve ser hereditário, pois tenho alergia aos absorventes também."

Carla lembra que, após o nascimento do filho, começou a usar absorventes de pano e o coletor menstrual, um copinho de silicone utilizado como absorvente interno, mas que é lavável. "Minha alergia acabou. Logo que vi o resultado, comecei a comprar fraldas de pano para ele. Foi como mágica, a alergia sumiu em apenas dois dias de uso."

As mães contam que a rotina das fraldas de pano não é tão assustadora. "É tudo muito simples. É só deixar de molho em água quente e depois colocar na máquina com sabão neutro", garantiu Carla.

Para a diretora do instituto ambientalista Morada da Floresta, Ana Paula Silva, é necessária mudança de comportamento. "Vendemos poucos produtos ecológicos se comparados aos números dos descartáveis, mas se todos mudarem a postura, o mundo fica melhor."

Material corresponde a 5% de todo o lixo descartado por mês

Das 68 mil toneladas de lixo produzidas por mês no Grande ABC (soma dos dados de Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema e Ribeirão Pires), 3.400 toneladas são fraldas e absorventes descartáveis.

Uma fralda descartável demora cerca de 500 anos para se decompor no meio ambiente, enquanto as opções ecológicas, além de serem reutilizáveis por até três gerações da família, levam em média 90 dias para decompor a parte orgânica e no máximo 20 anos para o tecido.

Em São Caetano, parte das fraldas e absorventes recolhidos são incinerados com o lixo hospitalar, como forma de minimizar o impacto ao meio ambiente.

Algumas pessoas questionam se o uso das fraldas de pano seria prejudicial à água, gerando aumento do consumo e contaminação com o sabão. Para a professora de pós-graduação do curso de Gestão Ambiental da Fundação Santo André Ângela Baeder, colocar o aumento de consumo do recurso como vilão é um argumento com pouca fundamentação. "Atualmente existem inúmeras técnicas para reutilização da água e processos de filtragem utilizados nas estações de tratamento que proporcionam mais facilidade em tratar o líquido que sumir com o lixo que produzimos."

Para as mulheres que trocaram fraldas e absorventes descartáveis pelas opções ecológicas, há uma mudança de comportamento geral na família. Não é apenas inserido um item sustentável na casa, mas são agregados valores e novos hábitos. "Utilizo a água que fraldas e absorventes ficam de molho para regar as plantas", destacou Carla Valezin.

É importante analisar as atitudes e o quanto elas podem impactar em aspectos regionais e globais. "Para toda ação há uma reação. Utilizar descartáveis aumenta o lixo, já as ecológicas aumentam o uso de água. Mas temos que analisar o que é possível equilibrar", garante Ângela.

Pediatra alerta para cuidados com a higiene dos tecidos

Para a professora de Pediatria da Faculdade de Medicina do ABC e coordenadora da UTI Neonatal do Hospital Nardini, em Mauá, Sueli Aparecida Bispo de Souza, o uso das fraldas de pano remete à sabedoria das avós. "É intrigante ver as mães modernas voltando no tempo e adotando novamente antigos hábitos."

Independentemente da contribuição ambiental e da economia gerada pelo uso das fraldas ecológicas, a pediatra lembra que a prática exige dedicação da mãe. "Apesar de os modelos modernos serem mais práticos, utilizarem tecidos de alta absorção e terem sistema antivazamento, a mãe precisa lembrar de uma questão primordial: a higiene. É necessário utilizar água quente e lavar com sabão neutro. O mais importante é enxaguar muito bem, se possível duas vezes. Passar a fralda com o ferro quente ajuda a eliminar qualquer bactéria."

A médica diz que não há estudo comparativo entre fraldas descartáveis e ecológicas, mas que a falta de produtos químicos no tecido colabora para diminuir a incidência de reações alérgicas. "O tecido mostra quando está molhado, assim a mãe fica mais atenta às trocas e preserva a pele do bebê."



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Bebês voltam a usar fraldas de pano

Andressa Dantas
Especial para o Diário

27/01/2013 | 07:00


Quando se fala em fraldas de pano, a primeira imagem que vem à mente é um pedaço de tecido branco dobrado em formato triangular e preso por um alfinete. Mas até mesmo as antigas tiras de pano evoluíram e hoje são artigos de desejo de muitas mamães conscientes.

Elas são coloridas e cheias de detalhes. À primeira vista, o que chama a atenção é o aspecto estético. Para muitas mulheres, as questões ambiental e econômica também são vantagens, mas a dúvida sobre a qualidade e praticidade acaba deixando a alternativa como segunda opção.

No Grande ABC, são descartados por mês aproximadamente 3.400 toneladas de fraldas e absorventes (somando dados das prefeituras de Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema e Ribeirão Pires). Pensando em diminuir a produção de lixo em sua casa, a estudante Jéssica Bonizzi, 21 anos, optou pelo uso das fraldas de pano. "Um dia me dei conta da quantidade de fraldas que jogava fora, mais ou menos umas 20 a cada três dias. A minha filha Valentina vivia assada e, quando conheci as fraldas de pano, resolvi arriscar. Foi paixão à primeira troca. Elas não vazam, como as pessoas costumam pensar, e deixam a pele do bebê respirar, ou seja, é muito melhor. E é bem prático para lavar."

O aspecto ambiental também foi decisivo para a historiadora Carla Valezin, 28, ao escolher os modelos ecológicos. "Quando estava grávida comecei a conhecer mais sobre as opções de fraldas e quis pedir várias no meu chá de bebê, porém, sabia que as pessoas não colaborariam com a iniciativa. O meu filho Mateus sofreu muito com as descartáveis. Ele tem uma alergia muito forte, fica com a pele cheia de feridas, e deve ser hereditário, pois tenho alergia aos absorventes também."

Carla lembra que, após o nascimento do filho, começou a usar absorventes de pano e o coletor menstrual, um copinho de silicone utilizado como absorvente interno, mas que é lavável. "Minha alergia acabou. Logo que vi o resultado, comecei a comprar fraldas de pano para ele. Foi como mágica, a alergia sumiu em apenas dois dias de uso."

As mães contam que a rotina das fraldas de pano não é tão assustadora. "É tudo muito simples. É só deixar de molho em água quente e depois colocar na máquina com sabão neutro", garantiu Carla.

Para a diretora do instituto ambientalista Morada da Floresta, Ana Paula Silva, é necessária mudança de comportamento. "Vendemos poucos produtos ecológicos se comparados aos números dos descartáveis, mas se todos mudarem a postura, o mundo fica melhor."

Material corresponde a 5% de todo o lixo descartado por mês

Das 68 mil toneladas de lixo produzidas por mês no Grande ABC (soma dos dados de Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema e Ribeirão Pires), 3.400 toneladas são fraldas e absorventes descartáveis.

Uma fralda descartável demora cerca de 500 anos para se decompor no meio ambiente, enquanto as opções ecológicas, além de serem reutilizáveis por até três gerações da família, levam em média 90 dias para decompor a parte orgânica e no máximo 20 anos para o tecido.

Em São Caetano, parte das fraldas e absorventes recolhidos são incinerados com o lixo hospitalar, como forma de minimizar o impacto ao meio ambiente.

Algumas pessoas questionam se o uso das fraldas de pano seria prejudicial à água, gerando aumento do consumo e contaminação com o sabão. Para a professora de pós-graduação do curso de Gestão Ambiental da Fundação Santo André Ângela Baeder, colocar o aumento de consumo do recurso como vilão é um argumento com pouca fundamentação. "Atualmente existem inúmeras técnicas para reutilização da água e processos de filtragem utilizados nas estações de tratamento que proporcionam mais facilidade em tratar o líquido que sumir com o lixo que produzimos."

Para as mulheres que trocaram fraldas e absorventes descartáveis pelas opções ecológicas, há uma mudança de comportamento geral na família. Não é apenas inserido um item sustentável na casa, mas são agregados valores e novos hábitos. "Utilizo a água que fraldas e absorventes ficam de molho para regar as plantas", destacou Carla Valezin.

É importante analisar as atitudes e o quanto elas podem impactar em aspectos regionais e globais. "Para toda ação há uma reação. Utilizar descartáveis aumenta o lixo, já as ecológicas aumentam o uso de água. Mas temos que analisar o que é possível equilibrar", garante Ângela.

Pediatra alerta para cuidados com a higiene dos tecidos

Para a professora de Pediatria da Faculdade de Medicina do ABC e coordenadora da UTI Neonatal do Hospital Nardini, em Mauá, Sueli Aparecida Bispo de Souza, o uso das fraldas de pano remete à sabedoria das avós. "É intrigante ver as mães modernas voltando no tempo e adotando novamente antigos hábitos."

Independentemente da contribuição ambiental e da economia gerada pelo uso das fraldas ecológicas, a pediatra lembra que a prática exige dedicação da mãe. "Apesar de os modelos modernos serem mais práticos, utilizarem tecidos de alta absorção e terem sistema antivazamento, a mãe precisa lembrar de uma questão primordial: a higiene. É necessário utilizar água quente e lavar com sabão neutro. O mais importante é enxaguar muito bem, se possível duas vezes. Passar a fralda com o ferro quente ajuda a eliminar qualquer bactéria."

A médica diz que não há estudo comparativo entre fraldas descartáveis e ecológicas, mas que a falta de produtos químicos no tecido colabora para diminuir a incidência de reações alérgicas. "O tecido mostra quando está molhado, assim a mãe fica mais atenta às trocas e preserva a pele do bebê."

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