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A lógica do vândalo

O vândalo é antes de tudo um destemido...


Rodolfo de Souza

04/11/2013 | 07:00


O vândalo é antes de tudo um destemido. Enfrenta as mais loucas aventuras em nome de um ideal de destruição que costuma encher de temor o semelhante que trabalha e se assusta, porque não é dotado de igual talento e, portanto, nem pensa em gastar o seu rico tempinho prestigiando o feio, o imoral.

Para depredar, o sujeito vandalizado é mesmo capaz de audaciosas manobras, sempre em nome da coragem, de um projeto de vida que consiste em pichar, quebrar, incendiar, deixar sua marca para que outros, da mesma forma vândalos, possam ver e se admirar, e se orgulhar de tão nobre anseio que faz vibrar toda a classe.

O vândalo se deleita com o prejuízo alheio. Na sua mente vil paira uma névoa, ou antes, uma fumaça, como lhe é mais apropriado, que inebria e faz sonhar e planejar mais incêndios e vidraças estilhaçadas, e ações cada vez mais ousadas para deixar a autoridade pública numa saia justa tremenda, já que em nome de alguma manifestação é que coloca em prática seu ritual de quebrar e atear fogo. Tudo para o seu próprio deleite. Sabe, inclusive, que alguém limpará a sujeira e que no lugar do veículo destruído outro será colocado e que a cidade não cessará de existir por causa dele e de seu apetite voraz.

Aparentemente não é filho ou pai, ou marido, ou portador de RG. É somente um ser autômato que não se alimenta de arroz com feijão. Nutre-se unicamente de violência e do prazer de destruir qualquer tipo de objeto que pertença ao outro. Ser de propriedade alheia é mesmo condição básica para que as proteínas do mal atinjam rapidamente sua corrente sanguínea e lhe concedam mais energia para continuar seu importante trabalho de seguir na contramão da evolução.

O manifestante, aquele que não está inteiramente satisfeito com situação que considera injusta, gasta a sola do sapato em passeata, a voz com gritos de ordem, papel e tinta nos cartazes, e só quer que seu protesto seja ouvido e considerado. Repentinamente, porém, hordas de seres enviados das sombras aparecem para estragar o evento que não deseja associar a sua causa ao vandalismo. O que fazer? Aliás, o vândalo é tão ávido de atividade que já nem espera mais oportunidade para isso: procura realizar seu manifesto por motivo nenhum como pretexto para colocar em prática sua máquina de destruir.

Mas não é culpa dele, tamanha impetuosidade. Talvez tenha havido alguma alteração genética nesta criatura, transformando-a em besta devoradora de tranquilidade. Quem pode, afinal, com a determinação cromossômica?

Sosseguemos, todavia, é possível até que a ciência já busque um antídoto para conter essa vontade ímpar de depredar, essa compulsão pela queima de veículos e da paciência da população que já começa a jogar a toalha. Nossa única esperança é mesmo a ciência, a despeito de ter falhado miseravelmente na descoberta de vacina contra a falta de educação crônica desse povo, o que desanima sobremaneira. Penso mesmo que não dá para esperar muito no tocante à cura do vândalo. Quem sabe cadeia seja o melhor remédio!

Rodolfo de Souza nasceu e mora em Santo André. É professor e autor do blog cafeecronicas.wordpress.com

E-mail para esta coluna: souza.rodolfo@hotmail.com. 



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A lógica do vândalo

O vândalo é antes de tudo um destemido...

Rodolfo de Souza

04/11/2013 | 07:00


O vândalo é antes de tudo um destemido. Enfrenta as mais loucas aventuras em nome de um ideal de destruição que costuma encher de temor o semelhante que trabalha e se assusta, porque não é dotado de igual talento e, portanto, nem pensa em gastar o seu rico tempinho prestigiando o feio, o imoral.

Para depredar, o sujeito vandalizado é mesmo capaz de audaciosas manobras, sempre em nome da coragem, de um projeto de vida que consiste em pichar, quebrar, incendiar, deixar sua marca para que outros, da mesma forma vândalos, possam ver e se admirar, e se orgulhar de tão nobre anseio que faz vibrar toda a classe.

O vândalo se deleita com o prejuízo alheio. Na sua mente vil paira uma névoa, ou antes, uma fumaça, como lhe é mais apropriado, que inebria e faz sonhar e planejar mais incêndios e vidraças estilhaçadas, e ações cada vez mais ousadas para deixar a autoridade pública numa saia justa tremenda, já que em nome de alguma manifestação é que coloca em prática seu ritual de quebrar e atear fogo. Tudo para o seu próprio deleite. Sabe, inclusive, que alguém limpará a sujeira e que no lugar do veículo destruído outro será colocado e que a cidade não cessará de existir por causa dele e de seu apetite voraz.

Aparentemente não é filho ou pai, ou marido, ou portador de RG. É somente um ser autômato que não se alimenta de arroz com feijão. Nutre-se unicamente de violência e do prazer de destruir qualquer tipo de objeto que pertença ao outro. Ser de propriedade alheia é mesmo condição básica para que as proteínas do mal atinjam rapidamente sua corrente sanguínea e lhe concedam mais energia para continuar seu importante trabalho de seguir na contramão da evolução.

O manifestante, aquele que não está inteiramente satisfeito com situação que considera injusta, gasta a sola do sapato em passeata, a voz com gritos de ordem, papel e tinta nos cartazes, e só quer que seu protesto seja ouvido e considerado. Repentinamente, porém, hordas de seres enviados das sombras aparecem para estragar o evento que não deseja associar a sua causa ao vandalismo. O que fazer? Aliás, o vândalo é tão ávido de atividade que já nem espera mais oportunidade para isso: procura realizar seu manifesto por motivo nenhum como pretexto para colocar em prática sua máquina de destruir.

Mas não é culpa dele, tamanha impetuosidade. Talvez tenha havido alguma alteração genética nesta criatura, transformando-a em besta devoradora de tranquilidade. Quem pode, afinal, com a determinação cromossômica?

Sosseguemos, todavia, é possível até que a ciência já busque um antídoto para conter essa vontade ímpar de depredar, essa compulsão pela queima de veículos e da paciência da população que já começa a jogar a toalha. Nossa única esperança é mesmo a ciência, a despeito de ter falhado miseravelmente na descoberta de vacina contra a falta de educação crônica desse povo, o que desanima sobremaneira. Penso mesmo que não dá para esperar muito no tocante à cura do vândalo. Quem sabe cadeia seja o melhor remédio!

Rodolfo de Souza nasceu e mora em Santo André. É professor e autor do blog cafeecronicas.wordpress.com

E-mail para esta coluna: souza.rodolfo@hotmail.com. 

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