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Quem segura o furacão?

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi claro: em outras épocas, o Brasil estaria de quatro, mas hoje está tudo bem


Carlos Brickmann

17/09/2008 | 00:00


O ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi claro: em outras épocas, o Brasil estaria de quatro, mas hoje está tudo bem. Em outras palavras, crise é só para os outros. E disse isso no mesmo dia em que, tudo bem, a Bolsa caiu quase 8%.

Pena que não seja exatamente assim. A crise americana, com quebra de bancos e tudo, obriga a população dos Estados Unidos a reduzir o consumo. Menos consumo, menos importações. A China, portanto, exportará menos. E quem vende ferro e alumínio para a China? Pois é: o Brasil. Com menos exportações, a tendência é que caiam os preços. Menos exportações, muito menos receita.

As coisas, sem dúvida, são mais complicadas. Mas uma empresa como a AIG, americana, que busca algumas dezenas de bilhões de dólares para se estabilizar, tem fortes interesses no Brasil e é associada a grandes empresas brasileiras. Não é a única. Os bancos que estão à beira da quebra terão de conter seus empréstimos (o que, mais uma vez, é ruim para a economia brasileira).

Isso não significa que o Brasil vá, com certeza, entrar numa crise: com mais de US$ 200 bilhões de reservas internacionais, há boa margem de manobra, e há condições para resistir por algum tempo a condições internacionais adversas. Significa, entretanto, que há uma crise próxima, que afeta compradores de produtos brasileiros, e que não será difícil ser engolfado por ela. O mundo ficou diferente, e mais complicado. E ficará ainda mais hostil se autoridades tentarem criar cenários cor-de-rosa pensando apenas nas eleições.

INVERNO QUENTE
Brasília, nesta quarta-feira, deve ferver: 1) a Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência do Senado ouve o ministro-chefe da Segurança Institucional, general Jorge Félix, o diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, e o diretor afastado da Abin, delegado Paulo Lacerda. O que se disse na CPI dos Grampos foi diferente do que disseram na Comissão Mista, e espera-se que, digamos, harmonizem as versões. 2) o ministro da Defesa, Nelson Jobim, garante que vai depor na CPI dos Grampos. Mas pediu que a sessão seja secreta (e foi atendido). Vamos ter de aguardar alguns minutos para que os parlamentares divulguem cada um a sua versão do que ocorreu durante o depoimento. 3) o araponga Francisco Ambrósio, ex-agente do SNI, fala na CPI dos Grampos. Ambrósio, segundo a revista IstoÉ, colaborou com o delegado Protógenes Queiroz nas investigações que levaram à Operação Satiagraha.

LULA CÁ
Desta vez o presidente Lula não viaja: quem visita o Brasil nesta quinta-feira é o presidente do Peru, Alan García. O peruano vem para um seminário na Fiesp, e aproveita a viagem para uma conversa com Lula sobre a Bolívia.

GUERRA PAULISTANA
A eleição em São Paulo ferveu (e ficou mais divertida) depois que Gilberto Kassab, candidato à reeleição, ultrapassou o tucano Geraldo Alckmin nas pesquisas e encostou na petista Marta Suplicy na disputa do segundo turno. Alckmin, agora lulista desde criancinha ("Lula tudo bem, o problema é o PT") e Marta (ex-ministra de Lula) criticam Kassab por ter trabalhado com o também lulista Paulo Maluf (que, além de integrar a base aliada, indicou o ministro das Cidades e é o guru político de Severino Cavalcanti, aquele que teve de renunciar para não ser cassado, a quem Lula elogiou ainda outro dia). Quem acusa quem do quê?

BANDA LARGUÍSSIMA
Marta Suplicy, do PT, líder absoluta nas pesquisas paulistanas, fez uma proposta interessante: instalar internet banda-larga gratuita em toda a cidade de São Paulo. Os jornais avaliaram a proposta e concluíram que, em um só mandato, não será possível implementá-la - embora Marta, em outra gestão, tenha enfrentado com êxito o desafio de implantar escolas gratuitas de período integral, os CEUs. Mas o problema parece ser outro: boa parte da população paulistana anda a pé para não pagar o ônibus, mora em áreas invadidas, muitas vezes em casas sem condições, espera seis meses por uma consulta médica. Talvez tenha dificuldades para comprar computadores e ganhar condições de usar a internet.



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Quem segura o furacão?

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi claro: em outras épocas, o Brasil estaria de quatro, mas hoje está tudo bem

Carlos Brickmann

17/09/2008 | 00:00


O ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi claro: em outras épocas, o Brasil estaria de quatro, mas hoje está tudo bem. Em outras palavras, crise é só para os outros. E disse isso no mesmo dia em que, tudo bem, a Bolsa caiu quase 8%.

Pena que não seja exatamente assim. A crise americana, com quebra de bancos e tudo, obriga a população dos Estados Unidos a reduzir o consumo. Menos consumo, menos importações. A China, portanto, exportará menos. E quem vende ferro e alumínio para a China? Pois é: o Brasil. Com menos exportações, a tendência é que caiam os preços. Menos exportações, muito menos receita.

As coisas, sem dúvida, são mais complicadas. Mas uma empresa como a AIG, americana, que busca algumas dezenas de bilhões de dólares para se estabilizar, tem fortes interesses no Brasil e é associada a grandes empresas brasileiras. Não é a única. Os bancos que estão à beira da quebra terão de conter seus empréstimos (o que, mais uma vez, é ruim para a economia brasileira).

Isso não significa que o Brasil vá, com certeza, entrar numa crise: com mais de US$ 200 bilhões de reservas internacionais, há boa margem de manobra, e há condições para resistir por algum tempo a condições internacionais adversas. Significa, entretanto, que há uma crise próxima, que afeta compradores de produtos brasileiros, e que não será difícil ser engolfado por ela. O mundo ficou diferente, e mais complicado. E ficará ainda mais hostil se autoridades tentarem criar cenários cor-de-rosa pensando apenas nas eleições.

INVERNO QUENTE
Brasília, nesta quarta-feira, deve ferver: 1) a Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência do Senado ouve o ministro-chefe da Segurança Institucional, general Jorge Félix, o diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, e o diretor afastado da Abin, delegado Paulo Lacerda. O que se disse na CPI dos Grampos foi diferente do que disseram na Comissão Mista, e espera-se que, digamos, harmonizem as versões. 2) o ministro da Defesa, Nelson Jobim, garante que vai depor na CPI dos Grampos. Mas pediu que a sessão seja secreta (e foi atendido). Vamos ter de aguardar alguns minutos para que os parlamentares divulguem cada um a sua versão do que ocorreu durante o depoimento. 3) o araponga Francisco Ambrósio, ex-agente do SNI, fala na CPI dos Grampos. Ambrósio, segundo a revista IstoÉ, colaborou com o delegado Protógenes Queiroz nas investigações que levaram à Operação Satiagraha.

LULA CÁ
Desta vez o presidente Lula não viaja: quem visita o Brasil nesta quinta-feira é o presidente do Peru, Alan García. O peruano vem para um seminário na Fiesp, e aproveita a viagem para uma conversa com Lula sobre a Bolívia.

GUERRA PAULISTANA
A eleição em São Paulo ferveu (e ficou mais divertida) depois que Gilberto Kassab, candidato à reeleição, ultrapassou o tucano Geraldo Alckmin nas pesquisas e encostou na petista Marta Suplicy na disputa do segundo turno. Alckmin, agora lulista desde criancinha ("Lula tudo bem, o problema é o PT") e Marta (ex-ministra de Lula) criticam Kassab por ter trabalhado com o também lulista Paulo Maluf (que, além de integrar a base aliada, indicou o ministro das Cidades e é o guru político de Severino Cavalcanti, aquele que teve de renunciar para não ser cassado, a quem Lula elogiou ainda outro dia). Quem acusa quem do quê?

BANDA LARGUÍSSIMA
Marta Suplicy, do PT, líder absoluta nas pesquisas paulistanas, fez uma proposta interessante: instalar internet banda-larga gratuita em toda a cidade de São Paulo. Os jornais avaliaram a proposta e concluíram que, em um só mandato, não será possível implementá-la - embora Marta, em outra gestão, tenha enfrentado com êxito o desafio de implantar escolas gratuitas de período integral, os CEUs. Mas o problema parece ser outro: boa parte da população paulistana anda a pé para não pagar o ônibus, mora em áreas invadidas, muitas vezes em casas sem condições, espera seis meses por uma consulta médica. Talvez tenha dificuldades para comprar computadores e ganhar condições de usar a internet.

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