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Respeito é bom

Celso Amorim que nos perdoe, mas o que estão fazendo com brasileiros mostra que ninguém leva em conta possíveis reações do Brasil


Carlos Brickmann

20/08/2008 | 00:00


O chanceler Celso Amorim que nos perdoe, mas o que estão fazendo com brasileiros no Exterior mostra que ninguém mais leva em conta possíveis reações do Brasil. Nosso governo promoveu badaladíssimas reuniões com as autoridades espanholas, disse que estava tudo bem, mas o mau tratamento aos visitantes brasileiros continua. Um caso exemplar é o da professora universitária Lúcia Amaral Hidalgo, que cometeu a imprudência de viajar à Espanha para visitar seu filho, que lá vive legalmente há seis anos. Nem chegou a vê-lo: foi internada numa sala de detenção por 26 horas, em péssimas condições, e mandada de volta.

A Inglaterra exigiu que o governo brasileiro a autorize a mandar seus agentes aos aeroportos brasileiros, para inspecionar os viajantes antes que peguem o avião. Antigamente isso tinha nome: chamava-se "colonialismo".

O Hezbollah, grupo terrorista ligado ao Irã que opera no Líbano, sequestrou dois repórteres da Rede Globo, Marcos Losekan e Paulo Pimentel. Os dois foram interrogados e mantidos sob a mira de armas durante cinco horas, e então liberados, com ordem de embarcar imediatamente para o Exterior. Estão em Londres. E o Brasil? Contra a Espanha, o caso mais antigo, nada: nem represálias contra os fortes interesses econômicos espanhóis no País. Contra a Inglaterra, nada: só declarações de que não permitiremos que nossa soberania seja arranhada, ou coisa parecida. Contra o Hezbollah, nada: só um protesto dirigido ao governo libanês, que não tem culpa nem controla o grupo. Traduzindo: perderam o respeito.

MEMÓRIA ALGEMADA
O diretor da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, promete obedecer à decisão do Supremo que limita o uso de algemas. Mas choraminga: algemas, acha, são "uma prática histórica, consagrada e bem-sucedida"; simbolizam "o cumprimento da ordem do Estado brasileiro que decretou a prisão. E diz que "toda polícia do mundo usa algemas". Não é bem assim: a ONU prevê algemas "como precaução", mas não como punição. No Japão, é proibida a exibição de presos algemados. Na Inglaterra, algemas só em caso de risco de fuga ou de violência.

DIA QUENTE
Hoje à tarde, a CPI dos Grampos deve ouvir o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência, Abin, delegado Paulo Lacerda. Lacerda se ofereceu para responder ao banqueiro Daniel Dantas, acusado de corrupção, que o acusou de persegui-lo como vingança pela divulgação de um dossiê (sem provas) sobre contas no Exterior. A oposição gostaria de ouvir Lacerda sobre eventuais interferências do chefe de Gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho, nas investigações da Abin. Lacerda deve responder a Daniel Dantas. Ponto final.

O PETRÓLEO E...
A discussão está acesa: o petróleo localizado na região pré-sal (a uns nove, dez mil metros de profundidade, a mais de 100 quilômetros da costa, cuja tecnologia de extração está ainda sendo desenvolvida) deve ser explorado pela Petrobras ou por outra empresa estatal? E o dinheiro do petróleo, irá todo para a Educação ou sobrará algum para o Fome Zero, o PAC e o Bolsa Família?

...A MENINA DO LEITE
Conta Esopo, o grande criador de fábulas, que uma menina estava indo para a cidade vender o primeiro balde de leite de sua vaquinha. Alegre, pensava: com o dinheiro vou comprar uma dúzia de ovos, aí choco os ovos, fico com os pintinhos, que vão crescer. Vendo os galos, fico com as galinhas, que porão mais ovos. Aí compro um porquinho e duas ou três porcas... e, distraída, tropeçou num buraco e ficou sem o leite, os ovos, os pintinhos, os frangos e as porcas. Diz o caipira, com outras palavras: só conte com o ovo depois que é botado.

CONFIANÇA MÚTUA
Geraldo Alckmin, candidato tucano à Prefeitura de São Paulo, não gostou da fria mensagem que o governador José Serra enviou ao horário gratuito. Alckmin gostaria do clássico cafezinho com o governador. É difícil: Serra só tomaria café com Alckmin (que não é seu candidato) na presença de um provador.



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Respeito é bom

Celso Amorim que nos perdoe, mas o que estão fazendo com brasileiros mostra que ninguém leva em conta possíveis reações do Brasil

Carlos Brickmann

20/08/2008 | 00:00


O chanceler Celso Amorim que nos perdoe, mas o que estão fazendo com brasileiros no Exterior mostra que ninguém mais leva em conta possíveis reações do Brasil. Nosso governo promoveu badaladíssimas reuniões com as autoridades espanholas, disse que estava tudo bem, mas o mau tratamento aos visitantes brasileiros continua. Um caso exemplar é o da professora universitária Lúcia Amaral Hidalgo, que cometeu a imprudência de viajar à Espanha para visitar seu filho, que lá vive legalmente há seis anos. Nem chegou a vê-lo: foi internada numa sala de detenção por 26 horas, em péssimas condições, e mandada de volta.

A Inglaterra exigiu que o governo brasileiro a autorize a mandar seus agentes aos aeroportos brasileiros, para inspecionar os viajantes antes que peguem o avião. Antigamente isso tinha nome: chamava-se "colonialismo".

O Hezbollah, grupo terrorista ligado ao Irã que opera no Líbano, sequestrou dois repórteres da Rede Globo, Marcos Losekan e Paulo Pimentel. Os dois foram interrogados e mantidos sob a mira de armas durante cinco horas, e então liberados, com ordem de embarcar imediatamente para o Exterior. Estão em Londres. E o Brasil? Contra a Espanha, o caso mais antigo, nada: nem represálias contra os fortes interesses econômicos espanhóis no País. Contra a Inglaterra, nada: só declarações de que não permitiremos que nossa soberania seja arranhada, ou coisa parecida. Contra o Hezbollah, nada: só um protesto dirigido ao governo libanês, que não tem culpa nem controla o grupo. Traduzindo: perderam o respeito.

MEMÓRIA ALGEMADA
O diretor da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, promete obedecer à decisão do Supremo que limita o uso de algemas. Mas choraminga: algemas, acha, são "uma prática histórica, consagrada e bem-sucedida"; simbolizam "o cumprimento da ordem do Estado brasileiro que decretou a prisão. E diz que "toda polícia do mundo usa algemas". Não é bem assim: a ONU prevê algemas "como precaução", mas não como punição. No Japão, é proibida a exibição de presos algemados. Na Inglaterra, algemas só em caso de risco de fuga ou de violência.

DIA QUENTE
Hoje à tarde, a CPI dos Grampos deve ouvir o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência, Abin, delegado Paulo Lacerda. Lacerda se ofereceu para responder ao banqueiro Daniel Dantas, acusado de corrupção, que o acusou de persegui-lo como vingança pela divulgação de um dossiê (sem provas) sobre contas no Exterior. A oposição gostaria de ouvir Lacerda sobre eventuais interferências do chefe de Gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho, nas investigações da Abin. Lacerda deve responder a Daniel Dantas. Ponto final.

O PETRÓLEO E...
A discussão está acesa: o petróleo localizado na região pré-sal (a uns nove, dez mil metros de profundidade, a mais de 100 quilômetros da costa, cuja tecnologia de extração está ainda sendo desenvolvida) deve ser explorado pela Petrobras ou por outra empresa estatal? E o dinheiro do petróleo, irá todo para a Educação ou sobrará algum para o Fome Zero, o PAC e o Bolsa Família?

...A MENINA DO LEITE
Conta Esopo, o grande criador de fábulas, que uma menina estava indo para a cidade vender o primeiro balde de leite de sua vaquinha. Alegre, pensava: com o dinheiro vou comprar uma dúzia de ovos, aí choco os ovos, fico com os pintinhos, que vão crescer. Vendo os galos, fico com as galinhas, que porão mais ovos. Aí compro um porquinho e duas ou três porcas... e, distraída, tropeçou num buraco e ficou sem o leite, os ovos, os pintinhos, os frangos e as porcas. Diz o caipira, com outras palavras: só conte com o ovo depois que é botado.

CONFIANÇA MÚTUA
Geraldo Alckmin, candidato tucano à Prefeitura de São Paulo, não gostou da fria mensagem que o governador José Serra enviou ao horário gratuito. Alckmin gostaria do clássico cafezinho com o governador. É difícil: Serra só tomaria café com Alckmin (que não é seu candidato) na presença de um provador.

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