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Dança relaciona ruído e silêncio

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Sara Saar
Do Diário do Grande ABC

14/11/2011 | 07:00


"É necessário que o mundo do silêncio e o mundo do ruído se misturem", afirma a bailarina e atriz Mariana Muniz, que dirige a companhia de teatro e dança que leva o seu nome. Ela protagoniza espetáculo inédito com a intenção de ‘acordar' as pessoas para a possibilidade de interagir com o diferente.
 
Baseada no universo da cultura surda, Mariana assina a concepção, a interpretação e a dramaturgia da montagem "2Mundos", que tem direção de Cláudio Gimenez e supervisão de Eduardo Tolentino de Araújo (do grupo Tapa). A coreografia estreia no Sesc Pinheiros, em São Paulo, na quarta-feira para curta temporada.

Exibido como ligação entre os dois universos, como o próprio título sugere, o espetáculo pesquisa a comunicação através do corpo. "Fiquei encantada com a Língua Brasileira de Sinais, que tem capacidade de expressão gesticulada com bastante significado", afirma a atriz, que teve aulas de Libras com Carlos Avelino de Arruda Sampaio e conviveu com surdos durante o processo de criação do espetáculo.

Deste intenso contato, a impressão que Mariana guarda é de que os surdos são extremamente carinhosos. "O silêncio é forte e a necessidade de comunicação é muito grande", conta. E completa: "Somos seres sociáveis. Ficar privado da comunicação traz uma dor imensa."

Em comparação com a comunicação falada, Mariana também sente mais sinceridade nesta porque envolve campo difícil de mascarar. "A relação com o corpo é mais direta. Não são utilizados apenas os gestos, mas o corpo é envolvido de maneira ampla", analisa.

Segundo a bailarina, é possível se comunicar tranquilamente através da palavra falada, mas diante de situação limite, marcada por grande emoção, as palavras não bastam. "Gesticulamos e assim nos comunicamos com mais sinceridade em relação ao que pretendemos expressar", afirma Mariana.

Para a atriz, pesquisar a complexa e estruturada Libras, considerada a segunda língua oficial do País, e subvertê-la artisticamente significa fazer poesia no espaço e no tempo. Durante a montagem, a criadora compartilha a sua necessidade de fazer viajar pelo imaginário a partir de movimentos que têm grande poder de abstração.

O roteiro da coreografia, conforme ela explica, começa com a descoberta do corpo e segue para o alfabeto, as palavras e a poesia até alcançar o diálogo.

Com trilha assinada por Ricardo Severo, duas músicas brasileiras, "Sinal Fechado" (Paulinho da Viola) e "Gostoso Demais" (Nando Cordel e Dominguinhos), são executadas com o tom grave acentuado para a aumentar a vibração do solo, que assim pode ser melhor percebida pelos surdos.

Mariana também se propõe a falar durante quase todo o espetáculo para que o público ouvinte consiga entender aquela linguagem. Trata-se, portanto, de montagem dirigida tanto ao público de ouvintes quanto de não-ouvintes.
 
2Mundos Dança. No Sesc Pinheiros - Rua Paes Leme, 195, São Paulo. Tel.: 3095-9400. Dias 16, 23 e 30 (quartas-feiras), a partir das 20h. Entrada gratuita.



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Dança relaciona ruído e silêncio

Sara Saar
Do Diário do Grande ABC

14/11/2011 | 07:00


"É necessário que o mundo do silêncio e o mundo do ruído se misturem", afirma a bailarina e atriz Mariana Muniz, que dirige a companhia de teatro e dança que leva o seu nome. Ela protagoniza espetáculo inédito com a intenção de ‘acordar' as pessoas para a possibilidade de interagir com o diferente.
 
Baseada no universo da cultura surda, Mariana assina a concepção, a interpretação e a dramaturgia da montagem "2Mundos", que tem direção de Cláudio Gimenez e supervisão de Eduardo Tolentino de Araújo (do grupo Tapa). A coreografia estreia no Sesc Pinheiros, em São Paulo, na quarta-feira para curta temporada.

Exibido como ligação entre os dois universos, como o próprio título sugere, o espetáculo pesquisa a comunicação através do corpo. "Fiquei encantada com a Língua Brasileira de Sinais, que tem capacidade de expressão gesticulada com bastante significado", afirma a atriz, que teve aulas de Libras com Carlos Avelino de Arruda Sampaio e conviveu com surdos durante o processo de criação do espetáculo.

Deste intenso contato, a impressão que Mariana guarda é de que os surdos são extremamente carinhosos. "O silêncio é forte e a necessidade de comunicação é muito grande", conta. E completa: "Somos seres sociáveis. Ficar privado da comunicação traz uma dor imensa."

Em comparação com a comunicação falada, Mariana também sente mais sinceridade nesta porque envolve campo difícil de mascarar. "A relação com o corpo é mais direta. Não são utilizados apenas os gestos, mas o corpo é envolvido de maneira ampla", analisa.

Segundo a bailarina, é possível se comunicar tranquilamente através da palavra falada, mas diante de situação limite, marcada por grande emoção, as palavras não bastam. "Gesticulamos e assim nos comunicamos com mais sinceridade em relação ao que pretendemos expressar", afirma Mariana.

Para a atriz, pesquisar a complexa e estruturada Libras, considerada a segunda língua oficial do País, e subvertê-la artisticamente significa fazer poesia no espaço e no tempo. Durante a montagem, a criadora compartilha a sua necessidade de fazer viajar pelo imaginário a partir de movimentos que têm grande poder de abstração.

O roteiro da coreografia, conforme ela explica, começa com a descoberta do corpo e segue para o alfabeto, as palavras e a poesia até alcançar o diálogo.

Com trilha assinada por Ricardo Severo, duas músicas brasileiras, "Sinal Fechado" (Paulinho da Viola) e "Gostoso Demais" (Nando Cordel e Dominguinhos), são executadas com o tom grave acentuado para a aumentar a vibração do solo, que assim pode ser melhor percebida pelos surdos.

Mariana também se propõe a falar durante quase todo o espetáculo para que o público ouvinte consiga entender aquela linguagem. Trata-se, portanto, de montagem dirigida tanto ao público de ouvintes quanto de não-ouvintes.
 
2Mundos Dança. No Sesc Pinheiros - Rua Paes Leme, 195, São Paulo. Tel.: 3095-9400. Dias 16, 23 e 30 (quartas-feiras), a partir das 20h. Entrada gratuita.

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