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Jaime Lerner promete aproximar S.Caetano das origens


Juliana de Sordi Gattone
Do Diário do Grande ABC

14/08/2005 | 09:26


O projeto que será desenvolvido pelo arquiteto e urbanista Jaime Lerner para revitalizar os bairros Centro, Fundação e Prosperidade promete aproximar os moradores de São Caetano de suas origens. Lerner não quis adiantar os planos que tem para a cidade, mas deixou escapar uma idéia: a construção de um cinema para projeção exclusiva de filmes italianos. "A cidade é formada, em sua maioria, por imigrantes italianos, então, seria bom ter um local reservado para a cultura", justificou. Os projetos fazem parte de um contrato firmado entre a Prefeitura e a Jaime Lerner Arquitetos Associados, no valor de R$ 150 mil.

Além dessa idéia, o urbanista ainda destacou como instrumento para revitalização da cidade encontrar "equações de co-responsabilidade". Essa concepção é integrar a sociedade em soluções econômicas e igualmente eficazes. Lerner citou o exemplo da despoluição das baías de Curitiba. "Como não tínhamos US$ 800 milhões para limpeza, custo do projeto na baía de Guanabara, optamos por outra saída", disse. Em Curitiba, o projeto era incentivar os pescadores a retirarem o lixo. Para isso, a Prefeitura pagaria por cada entulho "pescado".

O mesmo conceito foi utilizado na área de transportes da cidade do Sul. O urbanista – que foi três vezes prefeito de Curitiba e duas governador do Paraná – disse que seriam necessários US$ 250 milhões para reformular o sistema. "Então propusemos aos empresários que eles investiriam na renovação da frota e ganhariam por quilômetro rodado, enquanto o governo seria responsável por refazer o itinerário", lembra.

Implantado em 1974, o projeto de transportes de Curitiba é referência mundial. "Nos metronizamos o ônibus", diz Lerner. Para ele, o conceito de metronizar os sistemas viários de superfície é mais econômico do que construir novas estações de Metrô. "Em Nova York, há 50 anos é discutida a implantação de outro ponto de Metrô na segunda avenida. Custará US$ 4 bilhões e só ficará pronto em 2021. São 70 anos para ampliar o sistema. É muito tempo e muito caro", afirmou.

A metronização do ônibus foi feita a partir de estações em forma de tubos. Os passageiros pagam antes de embarcar e esperam nessas instalações, que ficam situadas em corredores próprios para os ônibus. A rapidez de circulação faz com que os passageiros de Curitiba fiquem muito pouco tempo nos pontos para esperar a condução.

Além disso, Lerner ainda falou da necessidade de criar meios de tornar a cidade sustentável. "Para isso é importante usar menos carro, para não poluir, morar perto do trabalho e separar o lixo", disse. Também falou da ineficiência da criação de condomínios fechados, porque forma guetos e evita a sociabilidade.

Outro ponto destacado foi o de aumentar as áreas verdes. "Em Curitiba havia meio metro quadrado de área verde por habitante. Hoje, são 50 metros quadrados por habitante." Para promover esse aumento no índice, Lerner lembra que fez acordos com famílias proprietárias de áreas livres sem utilização. "Nós compramos dois terços desses terrenos, fizemos parques e quando a última parte do terreno valorizasse, a família venderia mais barato para nós. Além disso, demos os nomes dessas famílias aos parques."

Por fim, o urbanista destacou a concepção de "Acupuntura Urbana". O método é apontar um ponto que, com uma pequena mudança é capaz de criar nova energia no local. "Pode ser um design novo de ponto de ônibus, a entrada de um mercado municipal, até transformar uma antiga fábrica em museu", disse.



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Jaime Lerner promete aproximar S.Caetano das origens

Juliana de Sordi Gattone
Do Diário do Grande ABC

14/08/2005 | 09:26


O projeto que será desenvolvido pelo arquiteto e urbanista Jaime Lerner para revitalizar os bairros Centro, Fundação e Prosperidade promete aproximar os moradores de São Caetano de suas origens. Lerner não quis adiantar os planos que tem para a cidade, mas deixou escapar uma idéia: a construção de um cinema para projeção exclusiva de filmes italianos. "A cidade é formada, em sua maioria, por imigrantes italianos, então, seria bom ter um local reservado para a cultura", justificou. Os projetos fazem parte de um contrato firmado entre a Prefeitura e a Jaime Lerner Arquitetos Associados, no valor de R$ 150 mil.

Além dessa idéia, o urbanista ainda destacou como instrumento para revitalização da cidade encontrar "equações de co-responsabilidade". Essa concepção é integrar a sociedade em soluções econômicas e igualmente eficazes. Lerner citou o exemplo da despoluição das baías de Curitiba. "Como não tínhamos US$ 800 milhões para limpeza, custo do projeto na baía de Guanabara, optamos por outra saída", disse. Em Curitiba, o projeto era incentivar os pescadores a retirarem o lixo. Para isso, a Prefeitura pagaria por cada entulho "pescado".

O mesmo conceito foi utilizado na área de transportes da cidade do Sul. O urbanista – que foi três vezes prefeito de Curitiba e duas governador do Paraná – disse que seriam necessários US$ 250 milhões para reformular o sistema. "Então propusemos aos empresários que eles investiriam na renovação da frota e ganhariam por quilômetro rodado, enquanto o governo seria responsável por refazer o itinerário", lembra.

Implantado em 1974, o projeto de transportes de Curitiba é referência mundial. "Nos metronizamos o ônibus", diz Lerner. Para ele, o conceito de metronizar os sistemas viários de superfície é mais econômico do que construir novas estações de Metrô. "Em Nova York, há 50 anos é discutida a implantação de outro ponto de Metrô na segunda avenida. Custará US$ 4 bilhões e só ficará pronto em 2021. São 70 anos para ampliar o sistema. É muito tempo e muito caro", afirmou.

A metronização do ônibus foi feita a partir de estações em forma de tubos. Os passageiros pagam antes de embarcar e esperam nessas instalações, que ficam situadas em corredores próprios para os ônibus. A rapidez de circulação faz com que os passageiros de Curitiba fiquem muito pouco tempo nos pontos para esperar a condução.

Além disso, Lerner ainda falou da necessidade de criar meios de tornar a cidade sustentável. "Para isso é importante usar menos carro, para não poluir, morar perto do trabalho e separar o lixo", disse. Também falou da ineficiência da criação de condomínios fechados, porque forma guetos e evita a sociabilidade.

Outro ponto destacado foi o de aumentar as áreas verdes. "Em Curitiba havia meio metro quadrado de área verde por habitante. Hoje, são 50 metros quadrados por habitante." Para promover esse aumento no índice, Lerner lembra que fez acordos com famílias proprietárias de áreas livres sem utilização. "Nós compramos dois terços desses terrenos, fizemos parques e quando a última parte do terreno valorizasse, a família venderia mais barato para nós. Além disso, demos os nomes dessas famílias aos parques."

Por fim, o urbanista destacou a concepção de "Acupuntura Urbana". O método é apontar um ponto que, com uma pequena mudança é capaz de criar nova energia no local. "Pode ser um design novo de ponto de ônibus, a entrada de um mercado municipal, até transformar uma antiga fábrica em museu", disse.

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