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Alugar vira desafio no Grande ABC


Hugo Cilo
Do Diário do Grande ABC

14/08/2005 | 09:29


Está difícil encontrar imóvel residencial para alugar no Grande ABC. Se barato, exige reforma. Em boas condições, o valor é alto. Quando se encontra qualidade e preço, a localização geralmente não ajuda. Nesse mercado cada dia mais restrito, fazer bom negócio exige paciente garimpagem em imobiliárias e páginas de classificados. Uma situação oposta à dos mercados de pontos comerciais e de compra e venda – nos quais a oferta supera em muito a demanda.

A reclamação pode parecer exagerada, mas é unânime entre corretores e clientes na região. A agente de Recursos Humanos Tônia Lúcia Fernandes, de São Bernardo, é um exemplo. Ela mora de aluguel na Vila Adriana e há mais de três meses procura uma nova casa para se mudar. Sem sucesso. "Já vasculhei toda a região por um lugar que custe mais ou menos o que pago hoje de aluguel, R$ 700. É impressionante como não existem opções. As poucas casas para alugar estão caras e feias", diz. "Teve época em que havia opções em abundância, a preços ótimos, entre R$ 280 e R$ 350", relembra o gerente industrial Luiz Carlos Castilho, marido de Tônia.

Embora não existam números oficiais que atestem a escassez do mercado regional de locação, tanto a Acigabc (Associação dos Corretores do Grande ABC) quanto o Creci-SP (Conselho Regional de Corretores de Imóveis) identificam o problema.

"Realmente, alguns fatores começam a redesenhar esse mercado. A redução da oferta é resultado do crescimento do Grande ABC. A região tem recebido novos investimentos. O crescimento no número de estudantes, por exemplo, absorveu grande quantidade de casas para locação. Além disso, o Grande ABC começa a se tornar um lugar interessante para se morar", avalia Milton Casari, vice-presidente da Acigabc.

No caso dos apartamentos, a realidade é "menos pior", segundo especialistas. "O maior problema é encontrar casas. Há oferta de apartamentos, mas o preço do condomínio ainda atrapalha a assinatura de contratos. Ninguém mais quer pagar para manter serviços como portaria, limpeza e elevadores", diz Reinaldo Gomes, corretor da imobiliária Novo Lar, em São Bernardo.

Preços – A falta de opções de imóveis residenciais para alugar não é o único problema. Como preços são ditados pela lei da oferta e procura, também está mais caro pagar aluguel no Grande ABC.

Segundo o Creci, algumas localidades da Grande São Paulo tiveram valorização de até 10% nos últimos dois anos, principalmente em regiões de maior concentração comercial. A última pesquisa da entidade indica que o aumento dos preços causou queda de 2,72% em junho no número de contratos de aluguel no Estado. "A fase não é boa para o mercado de locação. No entanto, entre altas e baixas espero que o semestre mostre uma recuperação", reconhece o presidente do Creci-SP, José Augusto Viana Neto.

Para Fabiana de Campos Carniel, administradora de locação da Guaíra Imóveis, em Santo André, a nova realidade do setor de locação é resultado natural do crescimento da oferta de crédito imobiliário. "Há muito tempo não se via situação semelhante. As facilidades de financiamento têm levado inquilinos a comprar, o que reduziu a oferta (de aluguel) e pressionou os preços. Vários ex-clientes nossos, que pagaram aluguel durante anos, decidiram partir para a casa própria", diz. "Hoje, dos cerca de 500 interessados mensais que atendemos, apenas dez encontram o que querem", completa.

Outro fator que joga contra o segmento de locação, segundo Fabiana, é o crescente desinteresse de investidores em apostar no mercado imobiliário. "Antigamente, era comum comprar casas com a finalidade de alugar a terceiros. Nessa época, há mais de cinco anos, o investimento era bem lucrativo. Mas hoje há novas opções de aplicação, com menor risco e menos dores de cabeça."

João Batista Bonadio, empresário do setor e conselheiro estadual do Creci-SP (Conselho Regional de Corretores de Imóveis), discorda que a escassez seja causada pelo crescimento da oferta de financiamento imobiliário. Para ele, a ampliação da oferta de crédito deverá reduzir naturalmente a demanda por locação, equilibrando a proporção entre oferta e demanda.

"A situação é passageira, resultado de uma combinação de fatores. A popularização do crédito imobiliário vai levar consumidores a comprar, em vez de alugar, e reduzir a gradativamente a demanda. No entanto, para que isso possa ter resultados práticos, será preciso reduzir a burocracia na liberação de financiamento", avalia Bonadio.



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Alugar vira desafio no Grande ABC

Hugo Cilo
Do Diário do Grande ABC

14/08/2005 | 09:29


Está difícil encontrar imóvel residencial para alugar no Grande ABC. Se barato, exige reforma. Em boas condições, o valor é alto. Quando se encontra qualidade e preço, a localização geralmente não ajuda. Nesse mercado cada dia mais restrito, fazer bom negócio exige paciente garimpagem em imobiliárias e páginas de classificados. Uma situação oposta à dos mercados de pontos comerciais e de compra e venda – nos quais a oferta supera em muito a demanda.

A reclamação pode parecer exagerada, mas é unânime entre corretores e clientes na região. A agente de Recursos Humanos Tônia Lúcia Fernandes, de São Bernardo, é um exemplo. Ela mora de aluguel na Vila Adriana e há mais de três meses procura uma nova casa para se mudar. Sem sucesso. "Já vasculhei toda a região por um lugar que custe mais ou menos o que pago hoje de aluguel, R$ 700. É impressionante como não existem opções. As poucas casas para alugar estão caras e feias", diz. "Teve época em que havia opções em abundância, a preços ótimos, entre R$ 280 e R$ 350", relembra o gerente industrial Luiz Carlos Castilho, marido de Tônia.

Embora não existam números oficiais que atestem a escassez do mercado regional de locação, tanto a Acigabc (Associação dos Corretores do Grande ABC) quanto o Creci-SP (Conselho Regional de Corretores de Imóveis) identificam o problema.

"Realmente, alguns fatores começam a redesenhar esse mercado. A redução da oferta é resultado do crescimento do Grande ABC. A região tem recebido novos investimentos. O crescimento no número de estudantes, por exemplo, absorveu grande quantidade de casas para locação. Além disso, o Grande ABC começa a se tornar um lugar interessante para se morar", avalia Milton Casari, vice-presidente da Acigabc.

No caso dos apartamentos, a realidade é "menos pior", segundo especialistas. "O maior problema é encontrar casas. Há oferta de apartamentos, mas o preço do condomínio ainda atrapalha a assinatura de contratos. Ninguém mais quer pagar para manter serviços como portaria, limpeza e elevadores", diz Reinaldo Gomes, corretor da imobiliária Novo Lar, em São Bernardo.

Preços – A falta de opções de imóveis residenciais para alugar não é o único problema. Como preços são ditados pela lei da oferta e procura, também está mais caro pagar aluguel no Grande ABC.

Segundo o Creci, algumas localidades da Grande São Paulo tiveram valorização de até 10% nos últimos dois anos, principalmente em regiões de maior concentração comercial. A última pesquisa da entidade indica que o aumento dos preços causou queda de 2,72% em junho no número de contratos de aluguel no Estado. "A fase não é boa para o mercado de locação. No entanto, entre altas e baixas espero que o semestre mostre uma recuperação", reconhece o presidente do Creci-SP, José Augusto Viana Neto.

Para Fabiana de Campos Carniel, administradora de locação da Guaíra Imóveis, em Santo André, a nova realidade do setor de locação é resultado natural do crescimento da oferta de crédito imobiliário. "Há muito tempo não se via situação semelhante. As facilidades de financiamento têm levado inquilinos a comprar, o que reduziu a oferta (de aluguel) e pressionou os preços. Vários ex-clientes nossos, que pagaram aluguel durante anos, decidiram partir para a casa própria", diz. "Hoje, dos cerca de 500 interessados mensais que atendemos, apenas dez encontram o que querem", completa.

Outro fator que joga contra o segmento de locação, segundo Fabiana, é o crescente desinteresse de investidores em apostar no mercado imobiliário. "Antigamente, era comum comprar casas com a finalidade de alugar a terceiros. Nessa época, há mais de cinco anos, o investimento era bem lucrativo. Mas hoje há novas opções de aplicação, com menor risco e menos dores de cabeça."

João Batista Bonadio, empresário do setor e conselheiro estadual do Creci-SP (Conselho Regional de Corretores de Imóveis), discorda que a escassez seja causada pelo crescimento da oferta de financiamento imobiliário. Para ele, a ampliação da oferta de crédito deverá reduzir naturalmente a demanda por locação, equilibrando a proporção entre oferta e demanda.

"A situação é passageira, resultado de uma combinação de fatores. A popularização do crédito imobiliário vai levar consumidores a comprar, em vez de alugar, e reduzir a gradativamente a demanda. No entanto, para que isso possa ter resultados práticos, será preciso reduzir a burocracia na liberação de financiamento", avalia Bonadio.

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