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O dedo milionário do craque


Rodolfo de Souza

15/03/2018 | 07:00


 É... O dedo milionário do craque deu mesmo o que falar. Rendeu páginas de matéria jornalística e também foi alvo de zombaria nas redes sociais. Brincadeira que um segmento pouco mais esclarecido da população ousou criar e jogar no ventilador da internet. 

A piada, claro, só foi possível conceber a partir do fanatismo que leva multidões aos estádios ou à frente da TV que exibe o bom e velho esporte bretão. Logicamente que torcedor não se satisfaz assistindo somente à partida. É preciso ver o noticiário esportivo, os melhores lances, ler qualquer matéria que diga respeito à arte de chutar bem a bola... 

Opiniões eufóricas, estas então, misturam-se com o comentário do locutor num atropelo de vozes que tudo entendem do riscado.

Discute-se futebol, acompanham-se campeonatos nacionais e internacionais, devora-se qualquer notícia sobre clubes, jogadores e técnicos, exaltam-se os ânimos diante do sonho com a taça ou com a desastrosa possibilidade do rebaixamento, despertam-se as fúrias perante a chacota do torcedor adversário... Almoça-se futebol, janta-se futebol na Pátria Tupinambá, em cujo gramado idolatrado, torcedor que é torcedor sempre utiliza a primeira pessoa do plural quando se refere ao time do coração: nós vencemos, nós perdemos. 

E a mídia de todo o mundo em que esta modalidade é aclamada pelo povo fomenta o gosto exagerado pelo esporte, porque este certamente constitui, senão a maior, uma grossa fatia do faturamento, e isso não se pode desprezar.

Não que não se deva apreciar uma boa partida de futebol. Até porque, belas jogadas que resultam em gol são mesmo capazes de sacudir as bandeiras e o peito de quem assiste. Perfeitamente compreensível. Só que a idolatria conspira contra o bom-senso e tende a estragar a festa com o costumeiro mau humor de quem não entende que a derrota é parte do espetáculo.

E as notícias, que são fruto da enxurrada de tantas partidas, falam da troca de clubes deste ou daquele craque, de tombos e pontapés, da troca de penteado, do casamento, do divórcio, do casamento de novo... Tudo é motivo para comentários e bate-bocas nas rodas de torcedores. Uma contusão que tira o craque de maca do campo, então, é motivo mais do que suficiente para fazer perder o sono o indivíduo fanático, o mesmo que é capaz de dormir tranquila e profundamente enquanto o mundo desaba sobre sua cabeça, se souber que seu ídolo tem a saúde preservada pelo bom Deus. 

Está aí, pois, o caso do craque milionário que, ao que me parece, fraturou o dedinho do pé e teve que retornar à Pátria mãe para cirurgia que haveria de corrigir o mal. Todas as atenções e preocupações se voltaram, então, para a telinha. Logicamente que ela se empenhou em fazer estardalhaço e tornar a coisa mais feia do que realmente era. E o povo muito comentou, da mesma forma como tem gastado seu precioso tempo lendo matérias e falando da namoradinha do atleta, sempre em destaque, principalmente se há uma câmera por perto.

Mas o pé, tudo indica, foi reparado a contento. E isso é o que basta para a felicidade da Nação. Resta saber agora se, entre as muitas fisioterapias, o jogador terá condições de disputar a Copa que está logo aí. 

Pronto: outro tormento para martelar a cabeça noite adentro, até o dia clarear.



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O dedo milionário do craque

Rodolfo de Souza

15/03/2018 | 07:00


 É... O dedo milionário do craque deu mesmo o que falar. Rendeu páginas de matéria jornalística e também foi alvo de zombaria nas redes sociais. Brincadeira que um segmento pouco mais esclarecido da população ousou criar e jogar no ventilador da internet. 

A piada, claro, só foi possível conceber a partir do fanatismo que leva multidões aos estádios ou à frente da TV que exibe o bom e velho esporte bretão. Logicamente que torcedor não se satisfaz assistindo somente à partida. É preciso ver o noticiário esportivo, os melhores lances, ler qualquer matéria que diga respeito à arte de chutar bem a bola... 

Opiniões eufóricas, estas então, misturam-se com o comentário do locutor num atropelo de vozes que tudo entendem do riscado.

Discute-se futebol, acompanham-se campeonatos nacionais e internacionais, devora-se qualquer notícia sobre clubes, jogadores e técnicos, exaltam-se os ânimos diante do sonho com a taça ou com a desastrosa possibilidade do rebaixamento, despertam-se as fúrias perante a chacota do torcedor adversário... Almoça-se futebol, janta-se futebol na Pátria Tupinambá, em cujo gramado idolatrado, torcedor que é torcedor sempre utiliza a primeira pessoa do plural quando se refere ao time do coração: nós vencemos, nós perdemos. 

E a mídia de todo o mundo em que esta modalidade é aclamada pelo povo fomenta o gosto exagerado pelo esporte, porque este certamente constitui, senão a maior, uma grossa fatia do faturamento, e isso não se pode desprezar.

Não que não se deva apreciar uma boa partida de futebol. Até porque, belas jogadas que resultam em gol são mesmo capazes de sacudir as bandeiras e o peito de quem assiste. Perfeitamente compreensível. Só que a idolatria conspira contra o bom-senso e tende a estragar a festa com o costumeiro mau humor de quem não entende que a derrota é parte do espetáculo.

E as notícias, que são fruto da enxurrada de tantas partidas, falam da troca de clubes deste ou daquele craque, de tombos e pontapés, da troca de penteado, do casamento, do divórcio, do casamento de novo... Tudo é motivo para comentários e bate-bocas nas rodas de torcedores. Uma contusão que tira o craque de maca do campo, então, é motivo mais do que suficiente para fazer perder o sono o indivíduo fanático, o mesmo que é capaz de dormir tranquila e profundamente enquanto o mundo desaba sobre sua cabeça, se souber que seu ídolo tem a saúde preservada pelo bom Deus. 

Está aí, pois, o caso do craque milionário que, ao que me parece, fraturou o dedinho do pé e teve que retornar à Pátria mãe para cirurgia que haveria de corrigir o mal. Todas as atenções e preocupações se voltaram, então, para a telinha. Logicamente que ela se empenhou em fazer estardalhaço e tornar a coisa mais feia do que realmente era. E o povo muito comentou, da mesma forma como tem gastado seu precioso tempo lendo matérias e falando da namoradinha do atleta, sempre em destaque, principalmente se há uma câmera por perto.

Mas o pé, tudo indica, foi reparado a contento. E isso é o que basta para a felicidade da Nação. Resta saber agora se, entre as muitas fisioterapias, o jogador terá condições de disputar a Copa que está logo aí. 

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