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Dialogando com o futuro


Rodolfo de Souza

14/09/2017 | 07:00


 Ei, você aí, leitor do futuro! Se lhe bate a curiosidade acerca dos eventos que antecederam em muito o seu tempo e que protagonizaram o meu, leia, pesquise, procure ir a fundo na questão e, depois de algumas horas imerso no assunto, constatará, aliviado, que está vivo por um milagre. Sim, verá que as pessoas de épocas passadas, que habitaram este planeta azul, quase mudaram a sua cor para um tom mais acinzentado. Era, afinal, a cor predileta da personalidade imbuída do sentimento de destruição. Isso! Destruição da terra, da vegetação, da água, do ar, de qualquer coisa que respirasse, dos valores...

É... Por incrível que lhe possa parecer, aí nesse seu tempo de paz e tranquilidade essa raça quase deitou por terra suas chances de nascer neste plano terrestre, meu amigo. Estupefato?! Eu sei! Os sábios, contemporâneos seus, pelo jeito, têm poupado de informações a juventude daí, com receio de que se contamine. É de fato muita responsabilidade. Eu os entendo. Apesar de que o meu pensamento de século 21 receia também que eles se contaminem ou tenham se contaminado, sei lá. Desculpe se não articulo bem o verbo. Lembre-se, amigo, de que eu falo com alguém que ainda não nasceu.

Por isso coloco as coisas no mundo das possibilidades. Até o sossego daí é devaneio do qual não me posso furtar. De qualquer forma, é bom que saiba que a experiência de um coro judiado, como este que vos fala, é responsável por conceber assim vulneráveis sábios e não sábios de sua época.

Sabe, estimado leitor de tempos que ainda estão por vir, o antigamente da sua geração conheceu um mundo em que as pessoas vendiam a alma para o diabo se lhes fosse dada a oportunidade de botar a mão numa grana fácil. E, pasme meu jovem amigo, quem dela já fosse dono e senhor, haveria de querer ainda mais para lançar mão do poder. Como, poder sobre quem? Que pergunta é esta, afinal? Poder sobre os demais de sua raça e de outras também, ora! Não entende? A coisa funcionava assim: o ser humano privilegiado de então ardilosamente procurava conduzir as massas para, por meio delas, acumular riquezas que não poderia gastar em milênios de vida, caso Deus lhe permitisse viver tanto. Riquezas normalmente resultantes do sacrifício da maioria da população que, à custa de muito suor, erguia castelos para aquela gente, enquanto corria atrás da própria sobrevivência.

E foi justamente esta sede incontrolável pelo poder que levou o ser humano também a quase acabar com o mundo, esgotando suas reservas naturais. É isso mesmo o que aconteceu: cavou o solo de toda a Terra para encontrar na sua intimidade os tesouros que tornariam farta a sua mesa.

E a sua compulsão ainda acabou por destruir florestas, sujar o ar e a água. Para criar gado e vender muita carne, transformou as matas em pastagens que secaram, porque sem árvores, não há chuva e tudo vira deserto.

Novamente assustado? Sim, naquela época as pessoas tinham por hábito devorar animais! Mas isso é uma outra história. Pior é o fato de o ser humano ter enchido de fumaça toda a atmosfera e provocado um calor dos diabos, derretendo o gelo e causado tempestades avassaladoras. Ah! Havia também muitas guerras, espetáculos que promoviam a morte por atacado, com bomba nuclear e tudo. Matava-se por qualquer bobagem também. Lamento, amigo, que tenha tocado neste texto tão antigo, e que agora esteja aí com estes olhos arregalados, diante da descoberta. Não o culpo por não entender. Por certo que alguém aí andou escondendo de vocês informações preciosas.

Sabe, garoto, não se aborreça, os meninos do meu tempo também pouco sabiam do seu passado e do seu presente. O que, sem dúvida, levou o meu povo a formar gerações de desinformados que, cabisbaixos, sempre escolheram o mesmo caminho: o mais fácil.

Faltava-lhes o conhecimento que, por certo, descortinaria a vida com a qual jamais sonharam.

E este conhecimento é a substância essencial, o elemento necessário para se impedir tanta degradação, sobretudo, da mente humana.

Por isso, não permita que lhe façam o mesmo.



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Dialogando com o futuro

Rodolfo de Souza

14/09/2017 | 07:00


 Ei, você aí, leitor do futuro! Se lhe bate a curiosidade acerca dos eventos que antecederam em muito o seu tempo e que protagonizaram o meu, leia, pesquise, procure ir a fundo na questão e, depois de algumas horas imerso no assunto, constatará, aliviado, que está vivo por um milagre. Sim, verá que as pessoas de épocas passadas, que habitaram este planeta azul, quase mudaram a sua cor para um tom mais acinzentado. Era, afinal, a cor predileta da personalidade imbuída do sentimento de destruição. Isso! Destruição da terra, da vegetação, da água, do ar, de qualquer coisa que respirasse, dos valores...

É... Por incrível que lhe possa parecer, aí nesse seu tempo de paz e tranquilidade essa raça quase deitou por terra suas chances de nascer neste plano terrestre, meu amigo. Estupefato?! Eu sei! Os sábios, contemporâneos seus, pelo jeito, têm poupado de informações a juventude daí, com receio de que se contamine. É de fato muita responsabilidade. Eu os entendo. Apesar de que o meu pensamento de século 21 receia também que eles se contaminem ou tenham se contaminado, sei lá. Desculpe se não articulo bem o verbo. Lembre-se, amigo, de que eu falo com alguém que ainda não nasceu.

Por isso coloco as coisas no mundo das possibilidades. Até o sossego daí é devaneio do qual não me posso furtar. De qualquer forma, é bom que saiba que a experiência de um coro judiado, como este que vos fala, é responsável por conceber assim vulneráveis sábios e não sábios de sua época.

Sabe, estimado leitor de tempos que ainda estão por vir, o antigamente da sua geração conheceu um mundo em que as pessoas vendiam a alma para o diabo se lhes fosse dada a oportunidade de botar a mão numa grana fácil. E, pasme meu jovem amigo, quem dela já fosse dono e senhor, haveria de querer ainda mais para lançar mão do poder. Como, poder sobre quem? Que pergunta é esta, afinal? Poder sobre os demais de sua raça e de outras também, ora! Não entende? A coisa funcionava assim: o ser humano privilegiado de então ardilosamente procurava conduzir as massas para, por meio delas, acumular riquezas que não poderia gastar em milênios de vida, caso Deus lhe permitisse viver tanto. Riquezas normalmente resultantes do sacrifício da maioria da população que, à custa de muito suor, erguia castelos para aquela gente, enquanto corria atrás da própria sobrevivência.

E foi justamente esta sede incontrolável pelo poder que levou o ser humano também a quase acabar com o mundo, esgotando suas reservas naturais. É isso mesmo o que aconteceu: cavou o solo de toda a Terra para encontrar na sua intimidade os tesouros que tornariam farta a sua mesa.

E a sua compulsão ainda acabou por destruir florestas, sujar o ar e a água. Para criar gado e vender muita carne, transformou as matas em pastagens que secaram, porque sem árvores, não há chuva e tudo vira deserto.

Novamente assustado? Sim, naquela época as pessoas tinham por hábito devorar animais! Mas isso é uma outra história. Pior é o fato de o ser humano ter enchido de fumaça toda a atmosfera e provocado um calor dos diabos, derretendo o gelo e causado tempestades avassaladoras. Ah! Havia também muitas guerras, espetáculos que promoviam a morte por atacado, com bomba nuclear e tudo. Matava-se por qualquer bobagem também. Lamento, amigo, que tenha tocado neste texto tão antigo, e que agora esteja aí com estes olhos arregalados, diante da descoberta. Não o culpo por não entender. Por certo que alguém aí andou escondendo de vocês informações preciosas.

Sabe, garoto, não se aborreça, os meninos do meu tempo também pouco sabiam do seu passado e do seu presente. O que, sem dúvida, levou o meu povo a formar gerações de desinformados que, cabisbaixos, sempre escolheram o mesmo caminho: o mais fácil.

Faltava-lhes o conhecimento que, por certo, descortinaria a vida com a qual jamais sonharam.

E este conhecimento é a substância essencial, o elemento necessário para se impedir tanta degradação, sobretudo, da mente humana.

Por isso, não permita que lhe façam o mesmo.

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