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Funerária sobrevive com ‘forasteiro’


Renan Cacioli
Do Diário do Grande ABC

14/08/2005 | 09:25


Após denúncia do Diário sobre a ‘Máfia do Óbito‘ em São Caetano, que teve uma funerária como palco da negociação de um atestado de óbito falso e que resultou no indiciamento em inquérito policial de três dos envolvidos, inclusive o dono da Funerária São Paulo, uma pergunta intriga a população: como as 14 funerárias da cidade conseguem sobreviver em São Caetano, que registra média de 99 óbitos por mês, média de sete enterros para cada uma? A principal fonte de renda, segundo a maioria dos empresários do setor, são os defuntos forasteiros. Por meio de planos funerários, comercializados em qualquer localidade, o segmento assegura o sepultamento de moradores falecidos nos municípios vizinhos. Não fosse isso, admitem, seria difícil sobreviver no ramo.

De 1º de julho do ano passado até 31 de junho deste ano, São Caetano registrou 1.196 obituários. Em julho deste ano, foram 97 óbitos e dois natimortos (aqueles que já nascem mortos). Porém, nem todo mundo que falece em São Caetano é enterrado em algum dos três cemitérios locais. Destes 99 casos, por exemplo, apenas 63 foram sepultados na cidade. Com uma população reduzida de pouco mais de 137 mil habitantes que vem diminuindo progressivamente de tamanho, o negócio é buscar serviço em outros municípios.

"Entre atendimentos a seguradoras, conveniados e o plantão, são cerca de 80 a 90 serviços por mês", afirma o proprietário da funerária Abcel, Domingos Sávio Roggéro, que cobra, em média, R$ 800 por serviço. "Depende do padrão da urna, onde vai ser o velório, qual o tipo de ornamentação, cortejo." Ele diz não saber ao certo um valor exato de faturamento mensal da funerária. "Difícil dizer um número. Digamos que trabalhamos com uma margem de lucro que varia de 10% a 15%", diz Domingos.

As 14 funerárias que existem na cidade se revezam em três esquemas de sete dias de plantão: um na delegacia,um no Hospital Municipal Maria Braido e um no Hospital Beneficência Portuguesa. Apenas a Sidraff, que fixou-se na cidade há pouco mais de 10 meses, ainda não participa do plantão. Quem está no esquema garante que o número alto de empresas não atrapalha o serviço das concorrentes.

"No final acaba não sendo tantas empresas assim. A Nickel, a Grechi e a Central são de dois irmãos (Valter e Cláudio). Então por que existem? Para disputar o plantão. Se você ver, tem empresa com um funcionário só, com a porta fechada, mas que na semana do plantão trabalha", explica Domingos, que entretanto, faz uma ressalva: "Se a nossa empresa fosse depender do serviço funerário gerado em São Caetano, ela precisaria ser pequena e de um funcionário só. Mas nós fazemos o plano (funerário), a assistência às seguradoras, que é o maior volume do nosso trabalho".

Mais quatro empresas prestam serviço por meio de planos funerários, cujos valores mensais e área de cobertura variam: a GS (R$ 9), a Sidraff (R$ 27), a Ossel (R$ 40 bimestrais) e a Zarantoneli (R$ 24). Todas cobrem também os dependentes do assistenciado. "Eu tenho associado em Santo André, Mauá. Não sei como se consegue sobreviver só no plantão", diz Reginaldo Zarantoneli.

Morte à distância – Para não depender somente do plantão, as funerárias que não trabalham com planos costumam sepultar quem morre em outro município mas mora na cidade ou tem jazigo em algum dos cemitérios locais. Elas se apóiam na lei estadual nº 9.055, que permite o transporte de corpos entre municípios por empresa sediada em cidade diferente do local do óbito ou do sepultamento.

"Isso não era permitido. Mas no governo do Fleury (deputado estadual Luiz Antônio Fleury Filho, ex-governador de São Paulo entre 1991 e 1994) ele fez uma lei autorizando a buscar o corpo. Agora, se morre em São Paulo, não pode enterrar lá. Se for preciso, é preciso pegar o corpo e enterrar aqui", explica Sebastião Sepulvida, que trabalha há 46 anos no ramo na funerária que leva o seu sobrenome, e prefere o serviço à moda antiga, sem planos funerários.

No caso de quem tem plano, a funerária pode até mesmo realizar o sepultamento fora de São Caetano, desde que contrate por conta própria o serviço da cidade onde aconteceu o óbito, pagando uma taxa pelo serviço que normalmente varia entre R$ 600 e R$ 1 mil. Por exemplo, a pessoa é conveniada a alguma empresa de São Caetano, mas morre em São Paulo e será enterrada lá. Esta empresa vai até a capital e contrata o serviço municipal.



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Funerária sobrevive com ‘forasteiro’

Renan Cacioli
Do Diário do Grande ABC

14/08/2005 | 09:25


Após denúncia do Diário sobre a ‘Máfia do Óbito‘ em São Caetano, que teve uma funerária como palco da negociação de um atestado de óbito falso e que resultou no indiciamento em inquérito policial de três dos envolvidos, inclusive o dono da Funerária São Paulo, uma pergunta intriga a população: como as 14 funerárias da cidade conseguem sobreviver em São Caetano, que registra média de 99 óbitos por mês, média de sete enterros para cada uma? A principal fonte de renda, segundo a maioria dos empresários do setor, são os defuntos forasteiros. Por meio de planos funerários, comercializados em qualquer localidade, o segmento assegura o sepultamento de moradores falecidos nos municípios vizinhos. Não fosse isso, admitem, seria difícil sobreviver no ramo.

De 1º de julho do ano passado até 31 de junho deste ano, São Caetano registrou 1.196 obituários. Em julho deste ano, foram 97 óbitos e dois natimortos (aqueles que já nascem mortos). Porém, nem todo mundo que falece em São Caetano é enterrado em algum dos três cemitérios locais. Destes 99 casos, por exemplo, apenas 63 foram sepultados na cidade. Com uma população reduzida de pouco mais de 137 mil habitantes que vem diminuindo progressivamente de tamanho, o negócio é buscar serviço em outros municípios.

"Entre atendimentos a seguradoras, conveniados e o plantão, são cerca de 80 a 90 serviços por mês", afirma o proprietário da funerária Abcel, Domingos Sávio Roggéro, que cobra, em média, R$ 800 por serviço. "Depende do padrão da urna, onde vai ser o velório, qual o tipo de ornamentação, cortejo." Ele diz não saber ao certo um valor exato de faturamento mensal da funerária. "Difícil dizer um número. Digamos que trabalhamos com uma margem de lucro que varia de 10% a 15%", diz Domingos.

As 14 funerárias que existem na cidade se revezam em três esquemas de sete dias de plantão: um na delegacia,um no Hospital Municipal Maria Braido e um no Hospital Beneficência Portuguesa. Apenas a Sidraff, que fixou-se na cidade há pouco mais de 10 meses, ainda não participa do plantão. Quem está no esquema garante que o número alto de empresas não atrapalha o serviço das concorrentes.

"No final acaba não sendo tantas empresas assim. A Nickel, a Grechi e a Central são de dois irmãos (Valter e Cláudio). Então por que existem? Para disputar o plantão. Se você ver, tem empresa com um funcionário só, com a porta fechada, mas que na semana do plantão trabalha", explica Domingos, que entretanto, faz uma ressalva: "Se a nossa empresa fosse depender do serviço funerário gerado em São Caetano, ela precisaria ser pequena e de um funcionário só. Mas nós fazemos o plano (funerário), a assistência às seguradoras, que é o maior volume do nosso trabalho".

Mais quatro empresas prestam serviço por meio de planos funerários, cujos valores mensais e área de cobertura variam: a GS (R$ 9), a Sidraff (R$ 27), a Ossel (R$ 40 bimestrais) e a Zarantoneli (R$ 24). Todas cobrem também os dependentes do assistenciado. "Eu tenho associado em Santo André, Mauá. Não sei como se consegue sobreviver só no plantão", diz Reginaldo Zarantoneli.

Morte à distância – Para não depender somente do plantão, as funerárias que não trabalham com planos costumam sepultar quem morre em outro município mas mora na cidade ou tem jazigo em algum dos cemitérios locais. Elas se apóiam na lei estadual nº 9.055, que permite o transporte de corpos entre municípios por empresa sediada em cidade diferente do local do óbito ou do sepultamento.

"Isso não era permitido. Mas no governo do Fleury (deputado estadual Luiz Antônio Fleury Filho, ex-governador de São Paulo entre 1991 e 1994) ele fez uma lei autorizando a buscar o corpo. Agora, se morre em São Paulo, não pode enterrar lá. Se for preciso, é preciso pegar o corpo e enterrar aqui", explica Sebastião Sepulvida, que trabalha há 46 anos no ramo na funerária que leva o seu sobrenome, e prefere o serviço à moda antiga, sem planos funerários.

No caso de quem tem plano, a funerária pode até mesmo realizar o sepultamento fora de São Caetano, desde que contrate por conta própria o serviço da cidade onde aconteceu o óbito, pagando uma taxa pelo serviço que normalmente varia entre R$ 600 e R$ 1 mil. Por exemplo, a pessoa é conveniada a alguma empresa de São Caetano, mas morre em São Paulo e será enterrada lá. Esta empresa vai até a capital e contrata o serviço municipal.

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