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Crack cai no desuso por ser fatal


Gabriel Batista
Do Diário do Grande ABC

14/08/2005 | 09:17


O crack foi deixado de lado. A polícia percebeu que usuários e traficantes rejeitam cada vez mais essa droga. No caso dos consumidores, as pedras de crack assumiram faceta devastadora diante deles. São pessoas que se traumatizaram ao ver de perto tantas mortes fulminantes. Para acentuar essa tendência, os traficantes escolheram trabalhar mais com cocaína e maconha, que mantêm clientes fiéis e "bem educados" por anos.

O crack, além de ser mais barato que a cocaína, deixa o viciado totalmente descontrolado. O usuário geralmente morre logo e é um mau pagador. Seja ele um cliente de determinada boca de droga (ponto-de-venda) ou um soldado do narcotráfico. Por isso, os gerentes do tráfico procuram afastar os nóias do crack (usuários descontrolados), que podem inclusive assustar seus clientes e desorganizar o crime organizado.

O delegado Luiz Carlos Magno, do Denarc (Departamento de Investigações sobre Narcóticos), afirma que o uso de crack caiu de 70% a 80% nos últimos cinco anos na cracolândia – região do bairro paulistano da Luz. Esse ponto da capital, onde ficava a antiga rodoviária, ficou famoso por reunir de 1996 a 1999 um aglomerado permanente de fumantes de crack.

A cracolândia foi eleita pela polícia como termômetro do uso do crack, já que não existe meio de medir a quantidade da droga presente na Região Metropolitana, no Estado ou no país. Hoje, restam apenas alguns gatos pingados com seus cachimbos improvisados na área da Luz.

No Grande ABC, o delegado seccional de São Bernardo, Marco Antonio de Paula Santos, aponta como exemplo o balanço das apreensões de drogas em São Bernardo e São Caetano em 2005 (até agosto). Foram 7,6 Kg de cocaína, 4,9 Kg de maconha e 978 g de crack.

As apreensões não são consideradas um indicador fiel porque ocorrem aleatoriamente. Mas o delegado seccional de São Bernardo conta que até 1999 o crack era tão freqüente quanto a cocaína em apreensões. "Na época em que o crack estava na moda, era comum apreender mais pedras de crack do que cocaína e maconha", afirma o delegado Marco Antonio de Paula Santos, que trabalhou no Denarc durante sete anos.

O crack surgiu no Brasil em 1994 e atingiu o ápice de 1996 a 1999. Desde 2000, é menos freqüente a cada ano em todo o Estado, inclusive no Grande ABC. "É uma droga altamente corrosiva. Pelo grave poder lesivo, a tendência é mesmo cair em desuso. O produto é procurado pelo que oferece de prazer. Ao contrário das outras drogas, o crack acaba com o usuário em meses, O tempo de benefício é muito curto", diz o promotor de Justiça Amaro José Thomé Filho, do Gaerco do Grande ABC (Grupo de Atuação Especial Regional de Combate ao Crime Organizado).

O delegado Luiz Carlos Magno, da Divisão de Prevenção e Educação do Denarc, afirma que observou a diminuição de venda e consumo de crack durante investigações em pontos de venda. "O usuário de crack se torna uma pessoa violenta. Ele não paga dívidas, mesmo sob ameaças de internação, prisão ou morte. E morre logo mesmo! Então o traficante percebeu que o viciado em cocaína é um cliente mais controlável e rentável", diz Magno.

Outro fator que contribuiu para o fim do crack foi o uso dessa droga por microtraficantes, que estão na base do crime organizado de entorpecentes. Esses criminosos começaram a consumir crack e, como conseqüência, morriam ou fugiam. Não pagavam seus fornecedores, geralmente os pequenos traficantes.

Histórico – A primeira apreensão de crack na Região Metropolitana foi em 1994, na zona Leste da capital. A versão mais aceita pelo Denarc é de que essa droga surgiu quando os Estados Unidos tentaram barrar a entrada de produtos utilizados no refinamento da cocaína (acetona, éter etc) na Bolívia e na Colômbia, onde estão os grande produtores. Com isso, sobrou muita pasta-base de cocaína.

Para não perder a produção, os traficantes escoaram para o Brasil essa pasta, que começou a ser fumada na forma do crack. Esteve presente principalmente nos Estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e na periferia de Brasília. Foi barrado de imediato pelos traficantes no Rio de Janeiro, pelos mesmos motivos que agora em São Paulo.



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Crack cai no desuso por ser fatal

Gabriel Batista
Do Diário do Grande ABC

14/08/2005 | 09:17


O crack foi deixado de lado. A polícia percebeu que usuários e traficantes rejeitam cada vez mais essa droga. No caso dos consumidores, as pedras de crack assumiram faceta devastadora diante deles. São pessoas que se traumatizaram ao ver de perto tantas mortes fulminantes. Para acentuar essa tendência, os traficantes escolheram trabalhar mais com cocaína e maconha, que mantêm clientes fiéis e "bem educados" por anos.

O crack, além de ser mais barato que a cocaína, deixa o viciado totalmente descontrolado. O usuário geralmente morre logo e é um mau pagador. Seja ele um cliente de determinada boca de droga (ponto-de-venda) ou um soldado do narcotráfico. Por isso, os gerentes do tráfico procuram afastar os nóias do crack (usuários descontrolados), que podem inclusive assustar seus clientes e desorganizar o crime organizado.

O delegado Luiz Carlos Magno, do Denarc (Departamento de Investigações sobre Narcóticos), afirma que o uso de crack caiu de 70% a 80% nos últimos cinco anos na cracolândia – região do bairro paulistano da Luz. Esse ponto da capital, onde ficava a antiga rodoviária, ficou famoso por reunir de 1996 a 1999 um aglomerado permanente de fumantes de crack.

A cracolândia foi eleita pela polícia como termômetro do uso do crack, já que não existe meio de medir a quantidade da droga presente na Região Metropolitana, no Estado ou no país. Hoje, restam apenas alguns gatos pingados com seus cachimbos improvisados na área da Luz.

No Grande ABC, o delegado seccional de São Bernardo, Marco Antonio de Paula Santos, aponta como exemplo o balanço das apreensões de drogas em São Bernardo e São Caetano em 2005 (até agosto). Foram 7,6 Kg de cocaína, 4,9 Kg de maconha e 978 g de crack.

As apreensões não são consideradas um indicador fiel porque ocorrem aleatoriamente. Mas o delegado seccional de São Bernardo conta que até 1999 o crack era tão freqüente quanto a cocaína em apreensões. "Na época em que o crack estava na moda, era comum apreender mais pedras de crack do que cocaína e maconha", afirma o delegado Marco Antonio de Paula Santos, que trabalhou no Denarc durante sete anos.

O crack surgiu no Brasil em 1994 e atingiu o ápice de 1996 a 1999. Desde 2000, é menos freqüente a cada ano em todo o Estado, inclusive no Grande ABC. "É uma droga altamente corrosiva. Pelo grave poder lesivo, a tendência é mesmo cair em desuso. O produto é procurado pelo que oferece de prazer. Ao contrário das outras drogas, o crack acaba com o usuário em meses, O tempo de benefício é muito curto", diz o promotor de Justiça Amaro José Thomé Filho, do Gaerco do Grande ABC (Grupo de Atuação Especial Regional de Combate ao Crime Organizado).

O delegado Luiz Carlos Magno, da Divisão de Prevenção e Educação do Denarc, afirma que observou a diminuição de venda e consumo de crack durante investigações em pontos de venda. "O usuário de crack se torna uma pessoa violenta. Ele não paga dívidas, mesmo sob ameaças de internação, prisão ou morte. E morre logo mesmo! Então o traficante percebeu que o viciado em cocaína é um cliente mais controlável e rentável", diz Magno.

Outro fator que contribuiu para o fim do crack foi o uso dessa droga por microtraficantes, que estão na base do crime organizado de entorpecentes. Esses criminosos começaram a consumir crack e, como conseqüência, morriam ou fugiam. Não pagavam seus fornecedores, geralmente os pequenos traficantes.

Histórico – A primeira apreensão de crack na Região Metropolitana foi em 1994, na zona Leste da capital. A versão mais aceita pelo Denarc é de que essa droga surgiu quando os Estados Unidos tentaram barrar a entrada de produtos utilizados no refinamento da cocaína (acetona, éter etc) na Bolívia e na Colômbia, onde estão os grande produtores. Com isso, sobrou muita pasta-base de cocaína.

Para não perder a produção, os traficantes escoaram para o Brasil essa pasta, que começou a ser fumada na forma do crack. Esteve presente principalmente nos Estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e na periferia de Brasília. Foi barrado de imediato pelos traficantes no Rio de Janeiro, pelos mesmos motivos que agora em São Paulo.

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