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Novidade à mesa
Thiago Mariano
Do Diário do Grande ABC
14/08/2010 | 07:05
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Na noite, outra configuração de combinar amigos e cerveja ocupa as mesas dos bares. Nem os bares são os mesmos. Encher o caneco em um ambiente ruidoso não é mais a voga.

O conceito de pub cada dia mais toma espaço como opção de ambiente em que se conversa tranquilamente e em que se pode degustar a bebida proveniente da fermentação de cereais.
Nem pub nem bar, o Royalle Café, em Santo André, é ideal para essa nova configuração, de conversa e experimentação de cerveja.

Com mais de 150 rótulos da bebida, são oferecidas nos dois tipos, larger (de baixa fermentação) e ale (de alta), dividindo-se em pelo menos 14 subtipos e dezenas de sabores. Hoje, a casa oferece produtos de pelo menos 11 países, principalmente europeus. Até o fim do ano, a promessa é que o número de rótulos dobre e chegue a 300.

Com poltronas espalhadas pela parte interna e mesas com gigantes guarda-sóis, o espaço, que conserva características de rústico e sofisticado, faz toda a diferença na acolhida de quem busca um bom lugar para trocar conversas.

"A ideia da Sandra Cristina (proprietária), era montar um café diferenciado. Acabou colocando umas seis cervejas para vender. Logo ela me ligou, contando que estava vendendo mais cerveja do que café. Acabamos mudando um pouquinho. O espaço continua um café diferenciado, mas agora com um conceito de lounge e com muito mais oferta de cerveja", conta Joaquim Buosi, o Joca, gerente e beer sommelier do Royalle.

A paixão de Joca por cerveja surgiu depois de ele descobrir na bebida poderes que muitos brasileiros desconhecem. "Sempre gostei de vinho, mas, quando achei na cerveja o mesmo padrão, de diferenciação de sabor, harmonização, mudei de área", diz o sommelier.

Para combinar, petiscos de todos os tipos compõem a carta. "Embutidos, queijos e defumados. Há cerveja para todos os paladares e acompanhamento para todas as bebidas."

O preço das garrafas começa nos R$ 4,20 e chega até R$ 59,20. Joca conta que as lituanas e as alemãs são as mais queridas. Mas, muitos dos que vão até lá, aceitam sugestões de novos sabores.

"O amargor no final é uma característica que toda cerveja tem que ter, mas existem atenuantes em algumas, principalmente para as mulheres - são as que levam mais malte e ficam mais adocicadas, mas sem adição de caramelo. Elas combinam muito com queijo, mas o teor alcoólico delas é mais alto. Quanto mais malte, mais álcool e açúcar", conta Joca.

Degustações de novas marcas são frequentes. Em setembro, há planos de que se faça uma pré-Oktoberfest, com direito a muita cerveja para quem participar.

Royalle Café - Casa especializada em cerveja. Rua das Bandeiras, 421, Santo André. Tel.: 4438-7743. Site www.royallecafe.com.br. Horário de funcionamento: seg. a qui., das 11h às 23h; sex. e sáb., das 11h à 1h; e dom., das 14h às 23h. Aceita todos os tipos de cartão, menos vale-refeição.


‘Brasileiro não conhece cerveja'
Apesar de sermos um dos dez países que mais consomem cerveja, ainda estamos longe da escala de quem sabe bebê-la. "O brasileiro não conhece cerveja", acredita o beer sommelier Joaquim Buosi, o Joca.

Para exemplificar, ele fala sobre as marcas brasileiras que levam no rótulo o ‘cerveja tipo pilsen'. "Quer dizer, é uma cerveja que se assemelha à original mas não é genuína."

O conhecimento do brasileiro sobre a bebida é recente. "Desde a década de 1990, com início mais forte da importação e exportação, muitos produtos chegaram. Mas esse boom de conhecer melhor e de variedade é de pelo menos cinco anos atrás", diz.

Um dos hábitos equivocados com relação ao consumo da cerveja no País é tomá-la extremamente gelada. "Abaixo de 0ºC as papilas gustativas amortecem e perdem a capacidade de saborear a bebida."

O problema é que não é possível tomar as marcas populares em temperatura amena. "Os produtos químicos para a conservação das cervejas brasileiras mais comuns fazem com que elas, quando não estão muito geladas, fiquem com gosto e cheiro de ovo", explica.

Malte - que é muitas vezes substituido por outros ingredientes no Brasil - e lúpulo são essenciais para a produção da bebida. O malte fornece açúcares e nutrientes ao fermento, produzindo álcool, cor, aroma e sabor à bebida. "O lúpulo é o que dá o amargor que não pode faltar", completa.




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