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Rodeio: a polêmica sem solução


Fabrício Calado Moreira
Do Diário do Grande ABC

14/08/2005 | 09:23


A polêmica sobre a utilização de animais em eventos no Grande ABC, no caso o rodeio de Diadema, tem enfurecido ativistas pró e contra a realização do evento. Ambos querem ter a razão no debate sobre maus-tratos a animais, apesar de nenhum lado contestar o fator da geração de empregos. Embora a discussão siga sem acordo entre descontentes e defensores, já há planos para rodeios em outras cidades da região, como Mauá.

Para a professora de Veterinária Tânia Parra Fernandes, da Universidade Metodista de São Paulo, a mídia glamouriza e esconde o sofrimento dos animais. "Às vezes, a imprensa dá muito ponto positivo para o espetáculo", avalia. Para ela, muitas vezes a dor do animal não é exibida nas telenovelas. "Mostram apenas o mocinho de roupa legal, que ganha dinheiro e um carro zero com o rodeio." Ela admite que o evento em si é esteticamente atraente. "Mas a beleza do espetáculo não justifica os maus-tratos", ressalta.

A veterinária cita estudo da professora de Anatomia Veterinária Irvênia de Santis Prada, da USP, sobre o sistema nervoso dos animais de rodeio. O levantamento foi mostrado em artigo publicado na Revista de Educação Continuada do Conselho de Medicina Veterinária de São Paulo. Segundo a doutora Tânia, Prada estudou cientificamente os animais nessas situações e comprovou a existência de dor. "Ela desmitificou essa questão de que os animais de rodeios não sofrem", ressalta.

Já a veterinária Patrícia Bianca da Silva, que trabalha em rodeios, garante ser favorável à realização da festa justamente porque os animais são bem-tratados. "As pessoas não sabem a fundo como são tratados os animais e têm a ilusão de que rodeio machuca, que é só pancadaria e choque nos animais." Segundo ela, lei federal determina que qualquer espetáculo que envolva a utilização de animais conte com a participação de um veterinário credenciado no Ministério da Agricultura para verificar a ocorrência de maus-tratos contra animais.

"Qualquer ONG pode participar de um rodeio para verificar que não procede a alegação de maus-tratos", afirma Patrícia. A médica garante que, caso seja constatada violência animal em rodeios, a Polícia Militar pode ser acionada pelos veterinários.

Batida de frente – Na avaliação de Virgílio de Farias, presidente do MDV (Movimento em Defesa da Vida do Grande ABC), ONG com 21 anos de existência, não há rodeio sem maus-tratos. "O veterinário está sendo pago pelos interessados, é claro que vai dizer que não tem maus-tratos", dispara. A entidade, junto com vereadores de Diadema, entrou com representação no Ministério Público contra a realização do rodeio na cidade.

O proprietário da Markas Produções e Eventos, Isaías da Silva, que há 15 anos fundou a empresa em Santo André e se prepara para realizar eventos em Diadema e Mauá, vê distorção no argumento dos defensores dos direitos animais. "Se não fosse homem, queria ser animal de rodeio", exagera, para ilustrar que o animal de rodeio é melhor tratado que o que trabalha no campo. Segundo o empresário, um cavalo trabalha apenas 40 segundos por mês, em média. Ele explica que os animais que pulam no rodeio de um dia não pulam no outro, para descansar, o que reduziria a jornada de trabalho em comparação a um cavalo que puxa arado na roça. "E quanto ao cavalo de carroça que carrega lixo na cidade e fica o dia inteiro na rua? Nenhum defensor dos animais faz nada", cobra.



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Rodeio: a polêmica sem solução

Fabrício Calado Moreira
Do Diário do Grande ABC

14/08/2005 | 09:23


A polêmica sobre a utilização de animais em eventos no Grande ABC, no caso o rodeio de Diadema, tem enfurecido ativistas pró e contra a realização do evento. Ambos querem ter a razão no debate sobre maus-tratos a animais, apesar de nenhum lado contestar o fator da geração de empregos. Embora a discussão siga sem acordo entre descontentes e defensores, já há planos para rodeios em outras cidades da região, como Mauá.

Para a professora de Veterinária Tânia Parra Fernandes, da Universidade Metodista de São Paulo, a mídia glamouriza e esconde o sofrimento dos animais. "Às vezes, a imprensa dá muito ponto positivo para o espetáculo", avalia. Para ela, muitas vezes a dor do animal não é exibida nas telenovelas. "Mostram apenas o mocinho de roupa legal, que ganha dinheiro e um carro zero com o rodeio." Ela admite que o evento em si é esteticamente atraente. "Mas a beleza do espetáculo não justifica os maus-tratos", ressalta.

A veterinária cita estudo da professora de Anatomia Veterinária Irvênia de Santis Prada, da USP, sobre o sistema nervoso dos animais de rodeio. O levantamento foi mostrado em artigo publicado na Revista de Educação Continuada do Conselho de Medicina Veterinária de São Paulo. Segundo a doutora Tânia, Prada estudou cientificamente os animais nessas situações e comprovou a existência de dor. "Ela desmitificou essa questão de que os animais de rodeios não sofrem", ressalta.

Já a veterinária Patrícia Bianca da Silva, que trabalha em rodeios, garante ser favorável à realização da festa justamente porque os animais são bem-tratados. "As pessoas não sabem a fundo como são tratados os animais e têm a ilusão de que rodeio machuca, que é só pancadaria e choque nos animais." Segundo ela, lei federal determina que qualquer espetáculo que envolva a utilização de animais conte com a participação de um veterinário credenciado no Ministério da Agricultura para verificar a ocorrência de maus-tratos contra animais.

"Qualquer ONG pode participar de um rodeio para verificar que não procede a alegação de maus-tratos", afirma Patrícia. A médica garante que, caso seja constatada violência animal em rodeios, a Polícia Militar pode ser acionada pelos veterinários.

Batida de frente – Na avaliação de Virgílio de Farias, presidente do MDV (Movimento em Defesa da Vida do Grande ABC), ONG com 21 anos de existência, não há rodeio sem maus-tratos. "O veterinário está sendo pago pelos interessados, é claro que vai dizer que não tem maus-tratos", dispara. A entidade, junto com vereadores de Diadema, entrou com representação no Ministério Público contra a realização do rodeio na cidade.

O proprietário da Markas Produções e Eventos, Isaías da Silva, que há 15 anos fundou a empresa em Santo André e se prepara para realizar eventos em Diadema e Mauá, vê distorção no argumento dos defensores dos direitos animais. "Se não fosse homem, queria ser animal de rodeio", exagera, para ilustrar que o animal de rodeio é melhor tratado que o que trabalha no campo. Segundo o empresário, um cavalo trabalha apenas 40 segundos por mês, em média. Ele explica que os animais que pulam no rodeio de um dia não pulam no outro, para descansar, o que reduziria a jornada de trabalho em comparação a um cavalo que puxa arado na roça. "E quanto ao cavalo de carroça que carrega lixo na cidade e fica o dia inteiro na rua? Nenhum defensor dos animais faz nada", cobra.

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