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Saiba mais sobre a camada pré-sal


Carolina Lopes
Do Diário OnLine

08/09/2008 | 07:00


Nos últimos meses, os assuntos "petróleo" e "pré-sal" não saíram dos noticiários. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que na última terça-feira inaugurou a extração do primeiro óleo da camada pré-sal no campo de Jubarte (situado na bacia de Campos, litoral do Espírito Santo), disse que o lucro obtido com sua exploração será revertido em benefícios ao País. Entretanto, muitos ainda se perguntam o que é esse tal de pré-sal e como isso afetará a economia e a vida do povo brasileiro?

De acordo com o professor de Engenharia de Energia da UFABC (Universidade Federal do ABC) Sinclair Mallet Guy Guerra, a camada pré-sal é uma faixa rochosa que se estende por aproximadamente 800 km entre os Estados do Espírito Santo e Santa Catarina e que está a aproximadamente 200 km da costa. "A faixa possui de seis a sete mil metros de profundidade e abaixo dela encontra-se um 'mar de petróleo'", afirma.

Segundo Guerra, o óleo que está abaixo da camada de sal é leve e de alto valor. "O atual óleo do Brasil é denso e pesado e o governo precisa importar óleo leve para misturar e conseguir fazer os subprodutos. Se já tivermos óleo leve, deixaremos de ser importadores da commodity", explica.

O pré-sal é composto por três bacias sedimentares: Espírito Santo, Campos e Santos. Vários campos petrolíferos já foram descobertos na região, sendo que o mais importante é o de Tupi, em Santos. Estima-se que essa região, cuja descoberta foi anunciada pela Petrobras em novembro de 2007, possua reservas de até oito bilhões de boe (barris de óleo equivalente, ou seja, de petróleo e de gás natural), o que a tornaria uma das maiores descobertas mundiais dos últimos anos. Além disso, elevaria consideravelmente o potencial de produção da estatal brasileira - segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo), no ano passado a companhia possuía reservas de 13,920 bilhões de boe.

A Petrobras ainda não divulgou qual o potencial de produção de toda a camada pré-sal, mas há indícios de que abaixo dela estejam cerca de 100 bilhões de barris do 'ouro negro'. Se isso estiver correto, o Brasil passará a figurar entre os dez maiores produtores mundiais e se tornará um grande exportador.

Importância - Para o professor da UFABC, a importância da descoberta é muito grande. "Há uma corrente de estudiosos que acha que o preço do petróleo vai baixar, porque subiu demais nos últimos dois meses. Entretanto, mesmo que haja retração, o lucro da Petrobras com o pré-sal será imenso", afirma Sinclair Mallet Guy Guerra.

Segundo ele, a estimativa de ganho com a exploração de todo o potencial da camada, considerando o preço do barril a US$ 100, é de US$ 5 a US$ 11 trilhões. Essa quantia imensurável poderá ser revertida em muitos benefícios ao Brasil, como tem dito Lula. O presidente afirmou que uma parte do dinheiro será usada para pagar a dívida educacional do País e a dívida com os mais pobres.

Contudo, o professor adverte que todo esse recurso pode causar um choque macroeconômico muito grande no Brasil. "É um dinheiro imenso, nenhum País no mundo recebeu com tanta facilidade uma quantia como essa", diz.

Synclair Guerra ressalta que esse montante deve vir acompanhado de um plano de desenvolvimento do País. "Eu vejo com preocupação a falta de uma política industrial para a aplicação desse dinheiro. Não é só investir em educação, mas também em outras áreas", diz.

"Outra coisa: acho que o País não deve exportar o óleo cru, mas sim produtos que tenham sido produzidos com o petróleo e que tenham maior valor agregado. O Brasil não deve exportar apenas a matéria-prima. Não que isso não seja rentável, mas a exportação não deve se resumir a isso", comenta o professor.

Nova companhia - O pré-sal ainda é um assunto controverso no governo, que criou uma comissão interministerial para decidir o destino dos recursos da exploração e se deve ou não criar uma nova estatal para gerir esses lucros. Na opinião do professor da UFABC, a criação de uma nova companhia petrolífera não é necessária.

"Sou favorável a deixar a exploração na mão da Petrobras. Além dela, poucas empresas no mundo têm condições tecnológicas de encarar a exploração, que é extremamente complexa e difícil. Então não tem essa de tirar da Petrobrás", acredita. "Outro problema é abrir a concessão de exploração para companhias do exterior, pois nesse caso o dinheiro não ficaria no País", adverte.

Além disso, Sinclair Guerra alerta que a riqueza do pré-sal não deve ofuscar a continuidade do desenvolvimento de fontes renováveis de energia, como os biocombustíveis.

Implicações - O assunto "pré-sal" aparece todos os dias nos noticiários e vem sendo explorado exaustivamente pela mídia. Entretanto, até que ponto o dia-a-dia das pessoas será influenciado por isso?

O professor Sinclair Guerra explica que a vida da população será afetada a longo prazo e de maneira muito indireta. "Ainda há muito trabalho a ser feito. Imagino que antes de quatro anos não teremos nada de concreto. Depois que a exploração começar a gerar lucro, haverá mais dinheiro na economia e a renda das pessoas irá melhorar", afirma.

No entanto, Guerra explica que essa mudança será gradativa. "As pessoas não vão sentir as mudanças logo de início. Elas vão saber que sua vida está melhor, mas não terão percepção de todo o processo que, lá na origem, teve início com o petróleo", conclui.



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Saiba mais sobre a camada pré-sal

Carolina Lopes
Do Diário OnLine

08/09/2008 | 07:00


Nos últimos meses, os assuntos "petróleo" e "pré-sal" não saíram dos noticiários. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que na última terça-feira inaugurou a extração do primeiro óleo da camada pré-sal no campo de Jubarte (situado na bacia de Campos, litoral do Espírito Santo), disse que o lucro obtido com sua exploração será revertido em benefícios ao País. Entretanto, muitos ainda se perguntam o que é esse tal de pré-sal e como isso afetará a economia e a vida do povo brasileiro?

De acordo com o professor de Engenharia de Energia da UFABC (Universidade Federal do ABC) Sinclair Mallet Guy Guerra, a camada pré-sal é uma faixa rochosa que se estende por aproximadamente 800 km entre os Estados do Espírito Santo e Santa Catarina e que está a aproximadamente 200 km da costa. "A faixa possui de seis a sete mil metros de profundidade e abaixo dela encontra-se um 'mar de petróleo'", afirma.

Segundo Guerra, o óleo que está abaixo da camada de sal é leve e de alto valor. "O atual óleo do Brasil é denso e pesado e o governo precisa importar óleo leve para misturar e conseguir fazer os subprodutos. Se já tivermos óleo leve, deixaremos de ser importadores da commodity", explica.

O pré-sal é composto por três bacias sedimentares: Espírito Santo, Campos e Santos. Vários campos petrolíferos já foram descobertos na região, sendo que o mais importante é o de Tupi, em Santos. Estima-se que essa região, cuja descoberta foi anunciada pela Petrobras em novembro de 2007, possua reservas de até oito bilhões de boe (barris de óleo equivalente, ou seja, de petróleo e de gás natural), o que a tornaria uma das maiores descobertas mundiais dos últimos anos. Além disso, elevaria consideravelmente o potencial de produção da estatal brasileira - segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo), no ano passado a companhia possuía reservas de 13,920 bilhões de boe.

A Petrobras ainda não divulgou qual o potencial de produção de toda a camada pré-sal, mas há indícios de que abaixo dela estejam cerca de 100 bilhões de barris do 'ouro negro'. Se isso estiver correto, o Brasil passará a figurar entre os dez maiores produtores mundiais e se tornará um grande exportador.

Importância - Para o professor da UFABC, a importância da descoberta é muito grande. "Há uma corrente de estudiosos que acha que o preço do petróleo vai baixar, porque subiu demais nos últimos dois meses. Entretanto, mesmo que haja retração, o lucro da Petrobras com o pré-sal será imenso", afirma Sinclair Mallet Guy Guerra.

Segundo ele, a estimativa de ganho com a exploração de todo o potencial da camada, considerando o preço do barril a US$ 100, é de US$ 5 a US$ 11 trilhões. Essa quantia imensurável poderá ser revertida em muitos benefícios ao Brasil, como tem dito Lula. O presidente afirmou que uma parte do dinheiro será usada para pagar a dívida educacional do País e a dívida com os mais pobres.

Contudo, o professor adverte que todo esse recurso pode causar um choque macroeconômico muito grande no Brasil. "É um dinheiro imenso, nenhum País no mundo recebeu com tanta facilidade uma quantia como essa", diz.

Synclair Guerra ressalta que esse montante deve vir acompanhado de um plano de desenvolvimento do País. "Eu vejo com preocupação a falta de uma política industrial para a aplicação desse dinheiro. Não é só investir em educação, mas também em outras áreas", diz.

"Outra coisa: acho que o País não deve exportar o óleo cru, mas sim produtos que tenham sido produzidos com o petróleo e que tenham maior valor agregado. O Brasil não deve exportar apenas a matéria-prima. Não que isso não seja rentável, mas a exportação não deve se resumir a isso", comenta o professor.

Nova companhia - O pré-sal ainda é um assunto controverso no governo, que criou uma comissão interministerial para decidir o destino dos recursos da exploração e se deve ou não criar uma nova estatal para gerir esses lucros. Na opinião do professor da UFABC, a criação de uma nova companhia petrolífera não é necessária.

"Sou favorável a deixar a exploração na mão da Petrobras. Além dela, poucas empresas no mundo têm condições tecnológicas de encarar a exploração, que é extremamente complexa e difícil. Então não tem essa de tirar da Petrobrás", acredita. "Outro problema é abrir a concessão de exploração para companhias do exterior, pois nesse caso o dinheiro não ficaria no País", adverte.

Além disso, Sinclair Guerra alerta que a riqueza do pré-sal não deve ofuscar a continuidade do desenvolvimento de fontes renováveis de energia, como os biocombustíveis.

Implicações - O assunto "pré-sal" aparece todos os dias nos noticiários e vem sendo explorado exaustivamente pela mídia. Entretanto, até que ponto o dia-a-dia das pessoas será influenciado por isso?

O professor Sinclair Guerra explica que a vida da população será afetada a longo prazo e de maneira muito indireta. "Ainda há muito trabalho a ser feito. Imagino que antes de quatro anos não teremos nada de concreto. Depois que a exploração começar a gerar lucro, haverá mais dinheiro na economia e a renda das pessoas irá melhorar", afirma.

No entanto, Guerra explica que essa mudança será gradativa. "As pessoas não vão sentir as mudanças logo de início. Elas vão saber que sua vida está melhor, mas não terão percepção de todo o processo que, lá na origem, teve início com o petróleo", conclui.

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