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Impossível ficar indiferente ao MP3


Gislaine Gutierre
Do Diário do Grande ABC

14/08/2005 | 10:48


As gravadoras falam em grandes perdas financeiras. Os internautas se dividem entre abraçar de vez a nova mídia e aceitá-la com restrições. A verdade é que, quando o assunto dos apreciadores de música é MP3, ninguém fica indiferente.

Para os apreciadores do formato, a grande vantagem é ter acesso a uma infinidade de obras que talvez jamais fosse possível se a pessoa tivesse de desembolsar o preço dos CDs escolhidos. Os mais cautelosos, porém, acreditam que a música baixada pela internet ainda tem qualidade inferior à dos CDs. Além disso, perde de longe no quesito prazer, já que a versão virtual não tem o produto final completo, com caixinha e o cobiçado encarte repleto de informações que fãs e aficionados por música não dispensam. Confira a opinião de alguns internautas:

"Sou apaixonado por música desde moleque e consumidor de discos há 33 anos. Tenho aproximadamente 5 mil títulos, entre vinil e CD. Para mim é importante possuí-los em termos físicos, ver a capa, o encarte e, principalmente, ter acesso às informações da música que vou ouvir, como saber quem canta e quem toca. O MP3 serve apenas para conhecer a música, para que eu possa comprar o disco depois." Fabian Chacur, 43, jornalista e crítico de música, de São Paulo

"Até 2000 eu comprava muitos CDs, de 10 a 20 por mês. Mas como gosto muito de obras importadas, deixei de comprar por causa do aumento do dólar e parti para o MP3. Hoje costumo baixar de três a quatro álbuns por dia e já tenho uns 3 mil álbuns baixados. Estou sempre em busca das novidades, visitando sites de lojas de compras como o Amazon.com para saber o que vai ser lançado durante a semana. Infelizmente muitas vezes pego o disco por pegar, pois me falta tempo para ouvir todas as faixas, mesmo tendo no carro um rádio que toca MP3 e um shuffle (aparelho portátil que toca músicas no formato MP3)." Deive Caramello, 27, comerciante, de Santo André

"Tenho saudade de um passado próximo, quando eu e meus amigos nos reuníamos aos finais de semana para ouvir os discos novos que tínhamos comprado e discutir as letras das músicas, como as de Chico Buarque durante a censura. Era um som coletivo, estávamos todos na mesma sintonia. Hoje em dia cada um tem o seu fone de ouvido e fica isolado na sua própria freqüência. Já tentei baixar músicas da internet, mas achei muito chato e desgastante. Sem contar que isso (baixar músicas pela internet) é contra o meu negócio, pois enquanto eles baixam, eu não vendo meus discos." Luiz Calanca, 52, dono da loja de discos Baratos e Afins, fundada em 1978, em São Paulo

"Baixo músicas desde que comecei a ter internet em casa, em 1999. Não costumo baixar sempre que entro no rede, mas quando ouço algo que gosto, ou me falam de algo que parece ser bom, anoto os nomes para pegar mais tarde - principalmente se for rock alternativo estrangeiro. Acho que, para quem gosta de música, o MP3 traz muito mais vantagens do que desvantagens. Ocupa menos espaço que um CD (física e virtualmente), com a mesma qualidade e permite que você ouça aquilo que quer, podendo apagar os arquivos que não gosta." Rafael Nuzzi, 22, estudante, de São Paulo

"Baixo músicas em MP3 todos os dias e adoro. Inclusive tenho composições da minha banda disponíveis em nosso site. Acho importante que as pessoas tenham acesso e penso que o MP3 não deve ser cobrado, a não ser por uma taxa básica de manutenção, em torno de R$ 1 por música. Os artistas não perdem com o MP3, porque vendem CDs e fazem shows. Eu mesmo não deixei de comprar CDs. Ainda ouço fitas cassete, LPs e CDs. E não creio que um dia o MP3 vá substituir o CD. Isso é desespero de mercado. As gravadoras temem perder parte de seus lucros e vendem essa idéia de catástrofe." Jefferson Sooma, 29, integrante da banda K.Ram.K., de Santo André

"Já baixei algumas vezes, mas não gosto muito. Acesso uma vez a cada seis meses, por aí. Acho que o MP3 pode ser interessante para escutar no carro, até para não ter de circular com os discos originais. Mas não troco um pelo outro. Quando você compara, percebe que o CD é bem melhor; o MP3 tem uns chiados estranhos. Hoje, tenho uns 300 LPs e cerca de 8 mil CDs de blues, mas também não voltaria nem morto ao vinil. Não abro mão do CD, de pegá-lo, folhear o encarte, ler a ficha técnica. Para um colecionador como eu, não basta só ouvir, há todo um ritual." Chico Blues, 52, colecionador e produtor de blues, de São Bernardo

"Profissionalmente, uso muito o MP3. Se quero promover um artista estrangeiro, por exemplo, é muito mais fácil trabalhar com esse formato que esperar vir um CD pelo correio. O MP3 já virou um documento. Em propostas, ele segue junto com um release e uma foto do artista. Mas para o meu lazer, ainda prefiro o CD. Acho que existe uma diferença de qualidade, até porque a gente normalmente grava num computador e em uma mídia barata. E já aconteceu de eu pôr um disco de MP3 no carro e não tocar algumas faixas. Para pessoas que como eu gostam de ter o disco original, o encarte, as informações, o CD é imbatível."Sílvio Alemão, 38, músico e produtor, de São Bernardo

Colaborou Cíntia Banús



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Impossível ficar indiferente ao MP3

Gislaine Gutierre
Do Diário do Grande ABC

14/08/2005 | 10:48


As gravadoras falam em grandes perdas financeiras. Os internautas se dividem entre abraçar de vez a nova mídia e aceitá-la com restrições. A verdade é que, quando o assunto dos apreciadores de música é MP3, ninguém fica indiferente.

Para os apreciadores do formato, a grande vantagem é ter acesso a uma infinidade de obras que talvez jamais fosse possível se a pessoa tivesse de desembolsar o preço dos CDs escolhidos. Os mais cautelosos, porém, acreditam que a música baixada pela internet ainda tem qualidade inferior à dos CDs. Além disso, perde de longe no quesito prazer, já que a versão virtual não tem o produto final completo, com caixinha e o cobiçado encarte repleto de informações que fãs e aficionados por música não dispensam. Confira a opinião de alguns internautas:

"Sou apaixonado por música desde moleque e consumidor de discos há 33 anos. Tenho aproximadamente 5 mil títulos, entre vinil e CD. Para mim é importante possuí-los em termos físicos, ver a capa, o encarte e, principalmente, ter acesso às informações da música que vou ouvir, como saber quem canta e quem toca. O MP3 serve apenas para conhecer a música, para que eu possa comprar o disco depois." Fabian Chacur, 43, jornalista e crítico de música, de São Paulo

"Até 2000 eu comprava muitos CDs, de 10 a 20 por mês. Mas como gosto muito de obras importadas, deixei de comprar por causa do aumento do dólar e parti para o MP3. Hoje costumo baixar de três a quatro álbuns por dia e já tenho uns 3 mil álbuns baixados. Estou sempre em busca das novidades, visitando sites de lojas de compras como o Amazon.com para saber o que vai ser lançado durante a semana. Infelizmente muitas vezes pego o disco por pegar, pois me falta tempo para ouvir todas as faixas, mesmo tendo no carro um rádio que toca MP3 e um shuffle (aparelho portátil que toca músicas no formato MP3)." Deive Caramello, 27, comerciante, de Santo André

"Tenho saudade de um passado próximo, quando eu e meus amigos nos reuníamos aos finais de semana para ouvir os discos novos que tínhamos comprado e discutir as letras das músicas, como as de Chico Buarque durante a censura. Era um som coletivo, estávamos todos na mesma sintonia. Hoje em dia cada um tem o seu fone de ouvido e fica isolado na sua própria freqüência. Já tentei baixar músicas da internet, mas achei muito chato e desgastante. Sem contar que isso (baixar músicas pela internet) é contra o meu negócio, pois enquanto eles baixam, eu não vendo meus discos." Luiz Calanca, 52, dono da loja de discos Baratos e Afins, fundada em 1978, em São Paulo

"Baixo músicas desde que comecei a ter internet em casa, em 1999. Não costumo baixar sempre que entro no rede, mas quando ouço algo que gosto, ou me falam de algo que parece ser bom, anoto os nomes para pegar mais tarde - principalmente se for rock alternativo estrangeiro. Acho que, para quem gosta de música, o MP3 traz muito mais vantagens do que desvantagens. Ocupa menos espaço que um CD (física e virtualmente), com a mesma qualidade e permite que você ouça aquilo que quer, podendo apagar os arquivos que não gosta." Rafael Nuzzi, 22, estudante, de São Paulo

"Baixo músicas em MP3 todos os dias e adoro. Inclusive tenho composições da minha banda disponíveis em nosso site. Acho importante que as pessoas tenham acesso e penso que o MP3 não deve ser cobrado, a não ser por uma taxa básica de manutenção, em torno de R$ 1 por música. Os artistas não perdem com o MP3, porque vendem CDs e fazem shows. Eu mesmo não deixei de comprar CDs. Ainda ouço fitas cassete, LPs e CDs. E não creio que um dia o MP3 vá substituir o CD. Isso é desespero de mercado. As gravadoras temem perder parte de seus lucros e vendem essa idéia de catástrofe." Jefferson Sooma, 29, integrante da banda K.Ram.K., de Santo André

"Já baixei algumas vezes, mas não gosto muito. Acesso uma vez a cada seis meses, por aí. Acho que o MP3 pode ser interessante para escutar no carro, até para não ter de circular com os discos originais. Mas não troco um pelo outro. Quando você compara, percebe que o CD é bem melhor; o MP3 tem uns chiados estranhos. Hoje, tenho uns 300 LPs e cerca de 8 mil CDs de blues, mas também não voltaria nem morto ao vinil. Não abro mão do CD, de pegá-lo, folhear o encarte, ler a ficha técnica. Para um colecionador como eu, não basta só ouvir, há todo um ritual." Chico Blues, 52, colecionador e produtor de blues, de São Bernardo

"Profissionalmente, uso muito o MP3. Se quero promover um artista estrangeiro, por exemplo, é muito mais fácil trabalhar com esse formato que esperar vir um CD pelo correio. O MP3 já virou um documento. Em propostas, ele segue junto com um release e uma foto do artista. Mas para o meu lazer, ainda prefiro o CD. Acho que existe uma diferença de qualidade, até porque a gente normalmente grava num computador e em uma mídia barata. E já aconteceu de eu pôr um disco de MP3 no carro e não tocar algumas faixas. Para pessoas que como eu gostam de ter o disco original, o encarte, as informações, o CD é imbatível."Sílvio Alemão, 38, músico e produtor, de São Bernardo

Colaborou Cíntia Banús

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