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Topa-tudo canadense à ‘A Vila’


Cássio Gomes Neves
Do Diário do Grande ABC

27/11/2004 | 13:27


O conteúdo da comédia A Grande Sedução, que estreou nesta sexta em São Paulo, pode lembrar de relance o argumento de A Vila, obra-prima de M. Night Shyamalan. Do mesmo modo que o filme do diretor indiano, existe aqui uma vila empenhada em mentir e iludir para garantir sua integridade como nicho e, por conseqüência, a segurança de seus habitantes. Mas na obra do canadense Jean-François Pouliot, a mentira deságua em um veio cômico.

O cenário é Saint Marie La Mauderne, vila de pescadores que já não conta com a disposição dos mares e de compradores para exercer a pesca que lhe garantiu estabilidade gerações atrás. Praticamente todos os seus 120 habitantes vivem do seguro-desemprego provido pelo Estado. Surge a oportunidade de reviravolta quando uma empresa procura um local com as suas características para instalar uma filial.

Uma das exigências da empresa é que o lugar possua um médico local. Eis o problema: nesse puleiro de pobres-diabos que é Saint Marie, não há um que saiba pelo menos trocar curativo. Quando um médico cocainômano aparece no lugar seus habitantes agarram a oportunidade com unhas e dentes. Disfarçam a ilha para agradar ao visitante, cujos gostos eles descobrem graças a uma escuta telefônica. Inventam que são fãs de críquete (esporte do qual sequer ouviram falar), distribuem dinheiro pelas ruas para ser encontrado pelo esculápio, entre outras tramóias, mas sem apelar para o romance extorsivo – da mocinha que namora o forasteiro e é razão primeira de sua estada. E outra: a concepção de identidade e felicidade coletiva de Pouliot é atraente. Saint Marie está contente quando as chaminés de suas casas expelem fumaça, como se fosse o cigarro aceso após o sexo, sinônimo de harmonia neste caso, que seus habitantes não praticam há tempos.



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Topa-tudo canadense à ‘A Vila’

Cássio Gomes Neves
Do Diário do Grande ABC

27/11/2004 | 13:27


O conteúdo da comédia A Grande Sedução, que estreou nesta sexta em São Paulo, pode lembrar de relance o argumento de A Vila, obra-prima de M. Night Shyamalan. Do mesmo modo que o filme do diretor indiano, existe aqui uma vila empenhada em mentir e iludir para garantir sua integridade como nicho e, por conseqüência, a segurança de seus habitantes. Mas na obra do canadense Jean-François Pouliot, a mentira deságua em um veio cômico.

O cenário é Saint Marie La Mauderne, vila de pescadores que já não conta com a disposição dos mares e de compradores para exercer a pesca que lhe garantiu estabilidade gerações atrás. Praticamente todos os seus 120 habitantes vivem do seguro-desemprego provido pelo Estado. Surge a oportunidade de reviravolta quando uma empresa procura um local com as suas características para instalar uma filial.

Uma das exigências da empresa é que o lugar possua um médico local. Eis o problema: nesse puleiro de pobres-diabos que é Saint Marie, não há um que saiba pelo menos trocar curativo. Quando um médico cocainômano aparece no lugar seus habitantes agarram a oportunidade com unhas e dentes. Disfarçam a ilha para agradar ao visitante, cujos gostos eles descobrem graças a uma escuta telefônica. Inventam que são fãs de críquete (esporte do qual sequer ouviram falar), distribuem dinheiro pelas ruas para ser encontrado pelo esculápio, entre outras tramóias, mas sem apelar para o romance extorsivo – da mocinha que namora o forasteiro e é razão primeira de sua estada. E outra: a concepção de identidade e felicidade coletiva de Pouliot é atraente. Saint Marie está contente quando as chaminés de suas casas expelem fumaça, como se fosse o cigarro aceso após o sexo, sinônimo de harmonia neste caso, que seus habitantes não praticam há tempos.

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