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Avião vai transportar elite policial


Fábio Zambeli
Da Associação Paulista de Jornais

15/09/2008 | 07:06


O governo do Estado aposta na modernização do patrulhamento aéreo e na integração dos sistemas de inteligência para levar ao interior as tropas de elite das polícias Civil e Militar.

Segundo o secretário de Segurança Pública, Ronaldo Marzagão. o objetivo é conter o avanço do crime organizado.

O pacote de reforço aéreo idealizado pelo Estado prevê investimentos de R$ 15 milhões na ampliação da frota de helicópteros Águia e a aquisição de um avião King Air, capaz de transportar até sete membros de células especializadas da polícia para megaoperações de emergência em pontos distantes da Capital. "Com a vinda do avião, teremos uma aeronave de alta tecnologia, que desce em qualquer campo, com velocidade de 400 km/h para levar estas células", diz Marzagão.

Na inteligência, o foco de atuação é aparelhamento das polícias, com a digitalização do sistema de comunicação e a pulverização do monitoramento por câmeras por todo o território paulista.

"A câmera é um policial 24 horas por dia. É instrumento poderoso, não só de prevenção como de repressão. Estamos mandando filmes aos inquéritos policiais para que sirvam de provas nos processos judiciais."

Advogado criminalista e ex-integrante do Ministério Público, Marzagão assumiu o cargo com a missão de desfazer a imagem de desarticulação entre os agentes do Estado responsáveis pelo controle das facções criminosas - herdada pelos atritos entre seu antecessor, Saulo de Castro Abreu Filho, e o ex-secretário de Administração Penitenciária, Nagashi Furukawa. O secretário assegura que hoje "há total harmonia" entre as pastas. "Trabalhamos como instrumentos afinadíssimos. Hoje, a integração é perfeita. A colaboração é absoluta entre as secretarias."

Para ele, o PCC (Primeiro Comando da Capital) está sendo gradativamente asfixiado por ações tomadas em conjunto pela secretaria, o Ministério Público e a Justiça - especialmente no que diz respeito ao seu vigor econômico.

"Tenho a plena convicção que o Estado tem o controle sobre ações. Eu digo de forma geral, não descarto ações pontuais, porque estas podem ocorrer. Mas temos controle, sim, da situação. E penso que demos um grande salto de qualidade a partir do momento em que nós fizemos a integração cada vez maior das inteligências operacionais das polícias", garante o secretário.

APJ - Em seu discurso de posse, o senhor disse que se orgulhava da polícia de São Paulo, que considerava a mais eficiente do País. Depois de quase dois anos no cargo, o senhor acredita que a população do Estado tem a mesma sensação de segurança?

RONALDO MARZAGÃO - Em primeiro lugar, a sensação de segurança, não corresponde necessariamente à segurança que o Estado provê. Isso depende muito até de experiência das pessoas. Mas a impressão que tenho tido é que a sensação de segurança tem aumentado.

APJ - E como o trabalho da polícia pode ser aprimorado? Há metas?

MARZAGÃO - Nós pretendemos fazer com que a sensação de segurança aumente mais. Estamos trabalhando com algumas metas, como por exemplo, chegar ao fim do ano com 10 homicídios para cada 100 mil habitantes no Estado. No Interior nós temos um número muito grande de cidades que está abaixo deste índice, o que tem contribuído.

APJ - A estatística de homicídio é mais correta com referência para a segurança do cidadão?

MARZAGÃO - O homicídio representa o crime que atenta contra o bem maior que temos, que é a vida. No mapa de criminalidade, percebemos que é um crime mais comum em áreas carentes. Então, quando você combate os homicídios, ao mesmo tempo que você combate o crime que atinge o nosso bem máximo, que é a vida, você protege as comunidades carentes. Na medida em que se deixa a área de carência, aumenta o crime contra o patrimônio, contra o qual também estamos empenhados.

APJ - A interiorização do crime foi estancada? Em modalidades como seqüestro, por exemplo, havia um ‘boom' no início da década...

MARZAGÃO - Recentemente, em Sorocaba, a Polícia Civil prendeu 10 pessoas ligadas a facções. Fez isso com um trabalho muito bom de inteligência. A inteligência policial não se restringe à aquisição de equipamentos de alta tecnologia. Mas é muito importante que junto com este investimento, a gente aprofunde mais a cultura do uso da inteligência. Além de otimizar o trabalho policial, é uma forma de garantir ao cidadão os seus direitos fundamentais contra eventual arbítrio do Estado.

APJ - Mas as facções estão sob controle? Há notícias de que elas ainda têm poder de mobilização.

MARZAGÃO - Tenho a plena convicção que o Estado tem o controle sobre ações. Eu digo de forma geral, não descarto ações pontuais, porque estas podem ocorrer. Mas temos controle, sim, da situação. E penso que demos um grande salto de qualidade a partir do momento em que nós fizemos a integração cada vez maior das inteligências operacionais das polícias. O primeiro ato meu foi criar o Centro de Inteligência da Segurança Pública, em que eu trouxe para o gabinete do secretário. Um órgão integrado de Polícia Civil, Polícia Militar, Técnica e Científica, que traz uma integração da inteligência para fins estratégicos. Inclusive, com base nas informações, para que possamos direcionar a política de segurança do Estado.

APJ - O senhor acredita que é mínimo o risco de se repetirem atos como o de maio de 2006 em que o PCC impôs quase um toque de recolher no Estado?

MARZAGÃO - Eu passo uma mensagem tranqüilizadora. Não descarto ações pontuais, mas hoje a polícia paulista tem uma capacidade de mobilização, que já foi testada algumas vezes na minha gestão, que está a altura da sua grandiosidade. Logo no começo da gestão, fizemos uma mobilização da polícia e, em poucas horas, tínhamos um número expressivo de policiais e viaturas mobilizadas no Estado todo. Tínhamos 5.000 policiais e 2.500 viaturas. Com o princípio da integração operacional, estamos subindo degraus.

APJ - Há no interior uma reivindicação de mais helicópteros Águia para patrulhamento aéreo. O senhor avalia como possível o aumento da frota?

MARZAGÃO - Sem dúvida, as aeronaves são instrumentos altamente positivos para o policiamento e para a segurança pública em geral. Para o resgate também, que é um serviço importantíssimo. Em São Paulo temos 39 acidentes por dia, com duas pessoas mortas, em média. Muita gente sobrevive porque o helicóptero pousa na rua. Além disso, o helicóptero é um meio importante para conter rebeliões. O governador Serra acaba de autorizar a compra de mais três helicópteros, que aliás, já chegaram. Hoje, a frota do Estado de São Paulo, é de 19 helicópteros, incluindo as duas polícias. A polícia francesa tem 21, para você ter uma idéia. O Estado tem aviões de asa fixa pequenos. O governador também determinou a compra de um avião King-Air, de sete lugares, para que possamos levar células do Corpo de Bombeiros, do Anti-Sequestro, do Gate, ou seja, células de polícias especializadas, ao interior com rapidez.

APJ - O senhor poderia exemplificar a utilidade desta nova aeronave?

MARZAGÃO -Ano passado houve um incêndio grande em uma usina em Ourinhos. O bombeiro da região tinha medo de não conseguir conter. Então mandamos o que pudemos no avião de quatro lugares. Com uma velocidade limitada, 200 km/h. Com a vinda do novo avião, teremos uma aeronave de alta tecnologia, que desce em qualquer campo, com velocidade de 400 km/h para levar estas células. Os aviões fazem também este reconhecimento. Hoje há muita queixa de roubos rurais no interior. Temos um trabalho importante com os helicópteros de patrulhamento de áreas rurais para o planejamento de ações. O helicóptero é fundamental. A idéia é aumentar o patrulhamento aéreo.

APJ - Como o Estado tem agido para evitar os abusos que ainda são constatados na repressão policial?

MARZAGÃO - Não só pode tomar a floresta por uma árvore. Nós não temos medo de cortar na própria carne. Cortar na carne para nós não é trair companheiros. Cortar na carne e investigar suas mazelas corresponde a dar cada vez mais respeitabilidade e credibilidade à polícia. Não se pode tomar o todo pela parte. As condutas desviantes são a exceção, não a regra, na política de segurança do Estado. E as condutas desviantes têm sido punidas com rigor.



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Avião vai transportar elite policial

Fábio Zambeli
Da Associação Paulista de Jornais

15/09/2008 | 07:06


O governo do Estado aposta na modernização do patrulhamento aéreo e na integração dos sistemas de inteligência para levar ao interior as tropas de elite das polícias Civil e Militar.

Segundo o secretário de Segurança Pública, Ronaldo Marzagão. o objetivo é conter o avanço do crime organizado.

O pacote de reforço aéreo idealizado pelo Estado prevê investimentos de R$ 15 milhões na ampliação da frota de helicópteros Águia e a aquisição de um avião King Air, capaz de transportar até sete membros de células especializadas da polícia para megaoperações de emergência em pontos distantes da Capital. "Com a vinda do avião, teremos uma aeronave de alta tecnologia, que desce em qualquer campo, com velocidade de 400 km/h para levar estas células", diz Marzagão.

Na inteligência, o foco de atuação é aparelhamento das polícias, com a digitalização do sistema de comunicação e a pulverização do monitoramento por câmeras por todo o território paulista.

"A câmera é um policial 24 horas por dia. É instrumento poderoso, não só de prevenção como de repressão. Estamos mandando filmes aos inquéritos policiais para que sirvam de provas nos processos judiciais."

Advogado criminalista e ex-integrante do Ministério Público, Marzagão assumiu o cargo com a missão de desfazer a imagem de desarticulação entre os agentes do Estado responsáveis pelo controle das facções criminosas - herdada pelos atritos entre seu antecessor, Saulo de Castro Abreu Filho, e o ex-secretário de Administração Penitenciária, Nagashi Furukawa. O secretário assegura que hoje "há total harmonia" entre as pastas. "Trabalhamos como instrumentos afinadíssimos. Hoje, a integração é perfeita. A colaboração é absoluta entre as secretarias."

Para ele, o PCC (Primeiro Comando da Capital) está sendo gradativamente asfixiado por ações tomadas em conjunto pela secretaria, o Ministério Público e a Justiça - especialmente no que diz respeito ao seu vigor econômico.

"Tenho a plena convicção que o Estado tem o controle sobre ações. Eu digo de forma geral, não descarto ações pontuais, porque estas podem ocorrer. Mas temos controle, sim, da situação. E penso que demos um grande salto de qualidade a partir do momento em que nós fizemos a integração cada vez maior das inteligências operacionais das polícias", garante o secretário.

APJ - Em seu discurso de posse, o senhor disse que se orgulhava da polícia de São Paulo, que considerava a mais eficiente do País. Depois de quase dois anos no cargo, o senhor acredita que a população do Estado tem a mesma sensação de segurança?

RONALDO MARZAGÃO - Em primeiro lugar, a sensação de segurança, não corresponde necessariamente à segurança que o Estado provê. Isso depende muito até de experiência das pessoas. Mas a impressão que tenho tido é que a sensação de segurança tem aumentado.

APJ - E como o trabalho da polícia pode ser aprimorado? Há metas?

MARZAGÃO - Nós pretendemos fazer com que a sensação de segurança aumente mais. Estamos trabalhando com algumas metas, como por exemplo, chegar ao fim do ano com 10 homicídios para cada 100 mil habitantes no Estado. No Interior nós temos um número muito grande de cidades que está abaixo deste índice, o que tem contribuído.

APJ - A estatística de homicídio é mais correta com referência para a segurança do cidadão?

MARZAGÃO - O homicídio representa o crime que atenta contra o bem maior que temos, que é a vida. No mapa de criminalidade, percebemos que é um crime mais comum em áreas carentes. Então, quando você combate os homicídios, ao mesmo tempo que você combate o crime que atinge o nosso bem máximo, que é a vida, você protege as comunidades carentes. Na medida em que se deixa a área de carência, aumenta o crime contra o patrimônio, contra o qual também estamos empenhados.

APJ - A interiorização do crime foi estancada? Em modalidades como seqüestro, por exemplo, havia um ‘boom' no início da década...

MARZAGÃO - Recentemente, em Sorocaba, a Polícia Civil prendeu 10 pessoas ligadas a facções. Fez isso com um trabalho muito bom de inteligência. A inteligência policial não se restringe à aquisição de equipamentos de alta tecnologia. Mas é muito importante que junto com este investimento, a gente aprofunde mais a cultura do uso da inteligência. Além de otimizar o trabalho policial, é uma forma de garantir ao cidadão os seus direitos fundamentais contra eventual arbítrio do Estado.

APJ - Mas as facções estão sob controle? Há notícias de que elas ainda têm poder de mobilização.

MARZAGÃO - Tenho a plena convicção que o Estado tem o controle sobre ações. Eu digo de forma geral, não descarto ações pontuais, porque estas podem ocorrer. Mas temos controle, sim, da situação. E penso que demos um grande salto de qualidade a partir do momento em que nós fizemos a integração cada vez maior das inteligências operacionais das polícias. O primeiro ato meu foi criar o Centro de Inteligência da Segurança Pública, em que eu trouxe para o gabinete do secretário. Um órgão integrado de Polícia Civil, Polícia Militar, Técnica e Científica, que traz uma integração da inteligência para fins estratégicos. Inclusive, com base nas informações, para que possamos direcionar a política de segurança do Estado.

APJ - O senhor acredita que é mínimo o risco de se repetirem atos como o de maio de 2006 em que o PCC impôs quase um toque de recolher no Estado?

MARZAGÃO - Eu passo uma mensagem tranqüilizadora. Não descarto ações pontuais, mas hoje a polícia paulista tem uma capacidade de mobilização, que já foi testada algumas vezes na minha gestão, que está a altura da sua grandiosidade. Logo no começo da gestão, fizemos uma mobilização da polícia e, em poucas horas, tínhamos um número expressivo de policiais e viaturas mobilizadas no Estado todo. Tínhamos 5.000 policiais e 2.500 viaturas. Com o princípio da integração operacional, estamos subindo degraus.

APJ - Há no interior uma reivindicação de mais helicópteros Águia para patrulhamento aéreo. O senhor avalia como possível o aumento da frota?

MARZAGÃO - Sem dúvida, as aeronaves são instrumentos altamente positivos para o policiamento e para a segurança pública em geral. Para o resgate também, que é um serviço importantíssimo. Em São Paulo temos 39 acidentes por dia, com duas pessoas mortas, em média. Muita gente sobrevive porque o helicóptero pousa na rua. Além disso, o helicóptero é um meio importante para conter rebeliões. O governador Serra acaba de autorizar a compra de mais três helicópteros, que aliás, já chegaram. Hoje, a frota do Estado de São Paulo, é de 19 helicópteros, incluindo as duas polícias. A polícia francesa tem 21, para você ter uma idéia. O Estado tem aviões de asa fixa pequenos. O governador também determinou a compra de um avião King-Air, de sete lugares, para que possamos levar células do Corpo de Bombeiros, do Anti-Sequestro, do Gate, ou seja, células de polícias especializadas, ao interior com rapidez.

APJ - O senhor poderia exemplificar a utilidade desta nova aeronave?

MARZAGÃO -Ano passado houve um incêndio grande em uma usina em Ourinhos. O bombeiro da região tinha medo de não conseguir conter. Então mandamos o que pudemos no avião de quatro lugares. Com uma velocidade limitada, 200 km/h. Com a vinda do novo avião, teremos uma aeronave de alta tecnologia, que desce em qualquer campo, com velocidade de 400 km/h para levar estas células. Os aviões fazem também este reconhecimento. Hoje há muita queixa de roubos rurais no interior. Temos um trabalho importante com os helicópteros de patrulhamento de áreas rurais para o planejamento de ações. O helicóptero é fundamental. A idéia é aumentar o patrulhamento aéreo.

APJ - Como o Estado tem agido para evitar os abusos que ainda são constatados na repressão policial?

MARZAGÃO - Não só pode tomar a floresta por uma árvore. Nós não temos medo de cortar na própria carne. Cortar na carne para nós não é trair companheiros. Cortar na carne e investigar suas mazelas corresponde a dar cada vez mais respeitabilidade e credibilidade à polícia. Não se pode tomar o todo pela parte. As condutas desviantes são a exceção, não a regra, na política de segurança do Estado. E as condutas desviantes têm sido punidas com rigor.

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