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Empresas cobram
esgoto no Sertãozinho


André Vieira
Do Diário do Grande ABC

13/08/2011 | 07:30


A falta de saneamento básico preocupa as empresas que se estabeleceram há décadas no Polo do Sertãozinho, em Mauá. Sem serviço de coleta de esgoto sanitário, as indústrias temem não ter a licença de funcionamento renovada pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo.

Se por um lado são vizinhos da maior obra viária da América Latina, o Rodoanel Mário Covas, também um símbolo de modernidade, por outro, a infraestrutura pública oferecida às empresas parece que parou no tempo.

Não há na região sistema de encanamento para recolher e levar para tratamento os rejeitos produzidos nos banheiros, vestiários e refeitórios de cerca de 100 companhias, que empregam milhares de funcionários - não existe estimativa oficial, mas fala-se em cerca de 12 mil.

A Aepis (Associação das Empresas do Polo Industrial do Sertãozinho) reclama que a Prefeitura de Mauá deveria instalar sistema coletivo de saneamento.

"A parte residencial do bairro dispõe de subcoletores, que levam o esgoto para coletores centrais, mas a metade industrial não foi contemplada por esse projeto", afirmou o advogado da Aepis Marcelo Tarluto.

Sem infraestrutura pública, cada empresa é obrigada a procurar saída, instalando fossas sépticas e sumidouros, que são estruturas primárias de tratamento do esgoto.

Além de não ser o ideal para resolver o problema do saneamento básico, essas unidades ocupam espaços físicos que nem todas as empresas são capazes de disponibilizar, e também são dispendiosas.

O gasto com o projeto varia de acordo com as características e a capacidade de cada empresa. Com 350 funcionários, o presidente da Ferkoda Artefatos de Metais, Norberto Luiz Perrella, calcula em até R$ 100 mil o investimento.

"Cada companhia precisa ter o seu próprio tratamento, e entendemos que isso seja obrigação da Prefeitura. As empresas tratam os resíduos industriais, o que não temos é o saneamento básico", afirmou Perrella.

"Como tantas outras, minha companhia está preparada para descartar o esgoto desde que haja rede coletora", afirmou um empresário, que pediu para não ser identificado. "Minha licença foi renovada pela Cetesb, mas tenho essa pendência. Poderia investir na construção de sumidouros, mas o ideal seria utilizar esse dinheiro para contribuir com a criação da infraestrutura coletiva."

Para tentar viabilizar acordo, desde março, a unidade de Santo André do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo, que também atende Mauá, tem realizado reuniões entre empresários e poder público.

"As indústrias admitem até investir em conjunto, se colocam à disposição em ajudar, mas é preciso que exista um projeto elaborado pela administração, com metas e prazos definidos", afirmou a gerente regional do Ciesp, Irina Freire.

O último encontro para discutir o assunto havia sido marcado para a primeira semana de agosto, mas foi adiado pela administração, segundo o Ciesp. Outra data para renovar o debate ainda não foi determinada. 

OUTRO LADO
A Prefeitura de Mauá informou que oferece infraestrutura pública de saneamento básico ao longo da Avenida Papa João XXIII, o coração do polo.

Diferentemente do que dizem empresários, para a administração, o que falta são as empresas se conectarem à rede, que é de responsabilidade da concessionária Foz do Brasil.

O Diário percorreu a Avenida Papa João XXIII e só encontrou tampas e caixas indicando a existência de galerias de águas pluviais, por onde escoa a água da chuva, mas não pode correr o esgoto.

 

Cetesb minimiza riscos contra indústrias 

Apesar do debate ainda sem fim entre administração e a associação das indústrias, a Cetesb minimizou o temor dos empresários de terem as atividades interrompidas ou encerradas por conta de problemas de saneamento.

Segundo a companhia, "a ausência da rede coletora não é impedimento para renovação da licença ambiental." Ainda de acordo com o órgão, "a licença é renovada desde que atenda as condições estabelecidas pela Cetesb", mas não informou quais seriam.

O Polo Industrial do Sertãozinho reúne empresas diversas, como metalúrgicas, químicas, de plásticos e até transportadoras.

Além de gerar emprego e renda, as companhias abastecem os cofres do município com o recolhimento de impostos e tributos - a Aepis não soube estimar o valor.

Mesmo que não seja determinante para a instalação de indústrias, a associação entende que a falta da rede coletora é empecilho para o desenvolvimento do polo, já que a necessidade de criar meio para o tratamento do esgoto pode desestimular empresários interassados em se mudar para o Sertãozinho.

 

Polo industrial tem problemas com energia 

Não é só o encanamento por onde deveria correr para tratamento o esgoto sanitário que preocupa os empresários do Polo Industrial do Sertãozinho. Com fios e cabos que transmitem a energia elétrica, as companhias também têm problemas.

Frequentes quedas e períodos de apagões deixam as empresas no escuro, fazendo parar a produção, prolongando a jornada de trabalho dos empregados e trazendo toda a sorte de inconvenientes.

No fim de 2009, o Diário publicou reportagem mostrando os prejuízos provocados pelos blecautes. Segundo os empresários, as interrupções eram diárias e se prolongavam por intervalos de até uma hora.

A AES Eletropaulo informou que a demanda de energia elétrica "teve grande crescimento nos últimos tempos" e foi necessário adequar a carga distribuída.

Segundo a companhia, cinco projetos para melhorar a qualidade do serviço estão em andamento na região do Sertãozinho e serão concluídos em dezembro de 2012. O investimento é de R$ 27 milhões.



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Empresas cobram
esgoto no Sertãozinho

André Vieira
Do Diário do Grande ABC

13/08/2011 | 07:30


A falta de saneamento básico preocupa as empresas que se estabeleceram há décadas no Polo do Sertãozinho, em Mauá. Sem serviço de coleta de esgoto sanitário, as indústrias temem não ter a licença de funcionamento renovada pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo.

Se por um lado são vizinhos da maior obra viária da América Latina, o Rodoanel Mário Covas, também um símbolo de modernidade, por outro, a infraestrutura pública oferecida às empresas parece que parou no tempo.

Não há na região sistema de encanamento para recolher e levar para tratamento os rejeitos produzidos nos banheiros, vestiários e refeitórios de cerca de 100 companhias, que empregam milhares de funcionários - não existe estimativa oficial, mas fala-se em cerca de 12 mil.

A Aepis (Associação das Empresas do Polo Industrial do Sertãozinho) reclama que a Prefeitura de Mauá deveria instalar sistema coletivo de saneamento.

"A parte residencial do bairro dispõe de subcoletores, que levam o esgoto para coletores centrais, mas a metade industrial não foi contemplada por esse projeto", afirmou o advogado da Aepis Marcelo Tarluto.

Sem infraestrutura pública, cada empresa é obrigada a procurar saída, instalando fossas sépticas e sumidouros, que são estruturas primárias de tratamento do esgoto.

Além de não ser o ideal para resolver o problema do saneamento básico, essas unidades ocupam espaços físicos que nem todas as empresas são capazes de disponibilizar, e também são dispendiosas.

O gasto com o projeto varia de acordo com as características e a capacidade de cada empresa. Com 350 funcionários, o presidente da Ferkoda Artefatos de Metais, Norberto Luiz Perrella, calcula em até R$ 100 mil o investimento.

"Cada companhia precisa ter o seu próprio tratamento, e entendemos que isso seja obrigação da Prefeitura. As empresas tratam os resíduos industriais, o que não temos é o saneamento básico", afirmou Perrella.

"Como tantas outras, minha companhia está preparada para descartar o esgoto desde que haja rede coletora", afirmou um empresário, que pediu para não ser identificado. "Minha licença foi renovada pela Cetesb, mas tenho essa pendência. Poderia investir na construção de sumidouros, mas o ideal seria utilizar esse dinheiro para contribuir com a criação da infraestrutura coletiva."

Para tentar viabilizar acordo, desde março, a unidade de Santo André do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo, que também atende Mauá, tem realizado reuniões entre empresários e poder público.

"As indústrias admitem até investir em conjunto, se colocam à disposição em ajudar, mas é preciso que exista um projeto elaborado pela administração, com metas e prazos definidos", afirmou a gerente regional do Ciesp, Irina Freire.

O último encontro para discutir o assunto havia sido marcado para a primeira semana de agosto, mas foi adiado pela administração, segundo o Ciesp. Outra data para renovar o debate ainda não foi determinada. 

OUTRO LADO
A Prefeitura de Mauá informou que oferece infraestrutura pública de saneamento básico ao longo da Avenida Papa João XXIII, o coração do polo.

Diferentemente do que dizem empresários, para a administração, o que falta são as empresas se conectarem à rede, que é de responsabilidade da concessionária Foz do Brasil.

O Diário percorreu a Avenida Papa João XXIII e só encontrou tampas e caixas indicando a existência de galerias de águas pluviais, por onde escoa a água da chuva, mas não pode correr o esgoto.

 

Cetesb minimiza riscos contra indústrias 

Apesar do debate ainda sem fim entre administração e a associação das indústrias, a Cetesb minimizou o temor dos empresários de terem as atividades interrompidas ou encerradas por conta de problemas de saneamento.

Segundo a companhia, "a ausência da rede coletora não é impedimento para renovação da licença ambiental." Ainda de acordo com o órgão, "a licença é renovada desde que atenda as condições estabelecidas pela Cetesb", mas não informou quais seriam.

O Polo Industrial do Sertãozinho reúne empresas diversas, como metalúrgicas, químicas, de plásticos e até transportadoras.

Além de gerar emprego e renda, as companhias abastecem os cofres do município com o recolhimento de impostos e tributos - a Aepis não soube estimar o valor.

Mesmo que não seja determinante para a instalação de indústrias, a associação entende que a falta da rede coletora é empecilho para o desenvolvimento do polo, já que a necessidade de criar meio para o tratamento do esgoto pode desestimular empresários interassados em se mudar para o Sertãozinho.

 

Polo industrial tem problemas com energia 

Não é só o encanamento por onde deveria correr para tratamento o esgoto sanitário que preocupa os empresários do Polo Industrial do Sertãozinho. Com fios e cabos que transmitem a energia elétrica, as companhias também têm problemas.

Frequentes quedas e períodos de apagões deixam as empresas no escuro, fazendo parar a produção, prolongando a jornada de trabalho dos empregados e trazendo toda a sorte de inconvenientes.

No fim de 2009, o Diário publicou reportagem mostrando os prejuízos provocados pelos blecautes. Segundo os empresários, as interrupções eram diárias e se prolongavam por intervalos de até uma hora.

A AES Eletropaulo informou que a demanda de energia elétrica "teve grande crescimento nos últimos tempos" e foi necessário adequar a carga distribuída.

Segundo a companhia, cinco projetos para melhorar a qualidade do serviço estão em andamento na região do Sertãozinho e serão concluídos em dezembro de 2012. O investimento é de R$ 27 milhões.

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