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Valério fez lobby para Banco Rural



07/07/2005 | 00:34


Apesar de garantir aos parlamentares da CPI dos Correios que não entende nada de finanças, o publicitário Marcos Valério tinha acesso ao Banco Central e atuou como lobista da área financeira. Em 2003, primeiro ano do governo Lula, o empresário mineiro foi apresentado ao BC como representante do Banco Rural e, como tal, participou de pelo menos três reuniões no BC. Uma delas ocorreu no dia 11 de novembro, com o diretor da Dilid (Liquidação e Desestatização), Gustavo Matos do Vale, e as outras foram com o consultor da diretoria Marco Antônio Belém. Na agenda da ex-secretária do publicitário, Fernanda Karina Somaggio, consta um encontro com Belém em 25 de novembro de 2003 e um almoço em 2 de dezembro do mesmo ano. Belém confirmou que ele e Matos do Vale estiveram com o publicitário.

Em nome do Rural, Valério tentou negociar uma solução para encerrar a liquidação extrajudicial do Banco Mercantil de Pernambuco, que se arrasta há 10 anos. "O Banco Rural já tinha comprado uma parte do Mercantil e ele (Valério) queria saber informações sobre o andamento da liquidação. Foi informado da posição do BC", disse Belém, ressaltando que não tinha nenhuma ligação com o publicitário antes de ele ir ao Banco Central.

A primeira reunião, de acordo com Matos do Vale, foi agendada a pedido do então presidente do Banco Rural, José Augusto Dumont, já falecido. Dumont deveria comparecer acompanhado de Valério. Na última hora, porém, ele não apareceu e o publicitário foi sozinho identificado como representante do Banco Rural em Brasília para tratar de alternativas para suspender a liquidação do Mercantil. O Rural já havia comprado uma parte do banco pernambucano. Na massa falida que ficou sob administração do BC, restaram dívidas e alguns créditos, entre eles, títulos atrelados à variação do dólar que haviam sido dados ao BC em garantia de um empréstimo concedido no âmbito do Proer, o programa de socorro a bancos em dificuldade de caixa.

Destino – O BC e os antigos controladores do Mercantil nunca conseguiram chegar a um acordo sobre o destino desses papéis para permitir o encerramento do processo de liquidação extrajudicial. Com a desvalorização do real frente ao dólar, os ativos do banco cresceram e os ex-administradores alegam que o patrimônio atual já é suficiente para quitar as dívidas e pôr fim ao processo. No entanto, o BC exige o cumprimento da lei e quer que a valorização das garantias, no caso os títulos cambiais, sirva para cobrir a dívida com a União corrigida a juros de mercados.

Normalmente, num processo de liquidação, a TR (Taxa Referencial) é utilizada como parâmetro para corrigir as dívidas. No entanto, quando há recursos num montante superior ao passivo, a lei permite a utilização de juros de mercado ou mesmo os acertados nos contratos originais.

Como os ex-controladores do Mercantil não concordam com isso, e querem receber de volta parte do dinheiro obtido com a valorização dos títulos, criou-se um impasse. E a briga entre BC e os ex-administradores vem se arrastando nos últimos anos. Discussão semelhante também vem sendo travada com os ex-controladores dos bancos Econômico e Nacional, também em processo de liquidação.

Nesta quarta-feira, durante depoimento na CPI dos Correios, Marcos Valério disse ter participado do encontro com o falecido presidente do Banco Rural, José Augusto Dumont, e diretores do Banco Central, mas não deu detalhes. Disse apenas que se tratava de um problema do Banco Rural com o BC. "Levei o José Augusto Dumont ao BC com o deputado Virgílio Guimarães (PT-MG). Entrei calado e saí mudo, como o deputado Virgílio poderá confirmar", disse Valério. O publicitário confirmou ter agendado um encontro do Banco Rural com o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. "Não foi um encontro comercial nem financeiro."

"O Banco Rural foi informar ao ministro José Dirceu que pretendia explorar uma mina de nióbio no Amazonas", contou. Sobre os encontros com a chefe de gabinete de Dirceu, Sandra Cabral, ele repetiu a história de que só tratava de uma eventual candidatura do então tesoureiro do PT, Delúbio Soares, nas próximas eleições.



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Valério fez lobby para Banco Rural


07/07/2005 | 00:34


Apesar de garantir aos parlamentares da CPI dos Correios que não entende nada de finanças, o publicitário Marcos Valério tinha acesso ao Banco Central e atuou como lobista da área financeira. Em 2003, primeiro ano do governo Lula, o empresário mineiro foi apresentado ao BC como representante do Banco Rural e, como tal, participou de pelo menos três reuniões no BC. Uma delas ocorreu no dia 11 de novembro, com o diretor da Dilid (Liquidação e Desestatização), Gustavo Matos do Vale, e as outras foram com o consultor da diretoria Marco Antônio Belém. Na agenda da ex-secretária do publicitário, Fernanda Karina Somaggio, consta um encontro com Belém em 25 de novembro de 2003 e um almoço em 2 de dezembro do mesmo ano. Belém confirmou que ele e Matos do Vale estiveram com o publicitário.

Em nome do Rural, Valério tentou negociar uma solução para encerrar a liquidação extrajudicial do Banco Mercantil de Pernambuco, que se arrasta há 10 anos. "O Banco Rural já tinha comprado uma parte do Mercantil e ele (Valério) queria saber informações sobre o andamento da liquidação. Foi informado da posição do BC", disse Belém, ressaltando que não tinha nenhuma ligação com o publicitário antes de ele ir ao Banco Central.

A primeira reunião, de acordo com Matos do Vale, foi agendada a pedido do então presidente do Banco Rural, José Augusto Dumont, já falecido. Dumont deveria comparecer acompanhado de Valério. Na última hora, porém, ele não apareceu e o publicitário foi sozinho identificado como representante do Banco Rural em Brasília para tratar de alternativas para suspender a liquidação do Mercantil. O Rural já havia comprado uma parte do banco pernambucano. Na massa falida que ficou sob administração do BC, restaram dívidas e alguns créditos, entre eles, títulos atrelados à variação do dólar que haviam sido dados ao BC em garantia de um empréstimo concedido no âmbito do Proer, o programa de socorro a bancos em dificuldade de caixa.

Destino – O BC e os antigos controladores do Mercantil nunca conseguiram chegar a um acordo sobre o destino desses papéis para permitir o encerramento do processo de liquidação extrajudicial. Com a desvalorização do real frente ao dólar, os ativos do banco cresceram e os ex-administradores alegam que o patrimônio atual já é suficiente para quitar as dívidas e pôr fim ao processo. No entanto, o BC exige o cumprimento da lei e quer que a valorização das garantias, no caso os títulos cambiais, sirva para cobrir a dívida com a União corrigida a juros de mercados.

Normalmente, num processo de liquidação, a TR (Taxa Referencial) é utilizada como parâmetro para corrigir as dívidas. No entanto, quando há recursos num montante superior ao passivo, a lei permite a utilização de juros de mercado ou mesmo os acertados nos contratos originais.

Como os ex-controladores do Mercantil não concordam com isso, e querem receber de volta parte do dinheiro obtido com a valorização dos títulos, criou-se um impasse. E a briga entre BC e os ex-administradores vem se arrastando nos últimos anos. Discussão semelhante também vem sendo travada com os ex-controladores dos bancos Econômico e Nacional, também em processo de liquidação.

Nesta quarta-feira, durante depoimento na CPI dos Correios, Marcos Valério disse ter participado do encontro com o falecido presidente do Banco Rural, José Augusto Dumont, e diretores do Banco Central, mas não deu detalhes. Disse apenas que se tratava de um problema do Banco Rural com o BC. "Levei o José Augusto Dumont ao BC com o deputado Virgílio Guimarães (PT-MG). Entrei calado e saí mudo, como o deputado Virgílio poderá confirmar", disse Valério. O publicitário confirmou ter agendado um encontro do Banco Rural com o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. "Não foi um encontro comercial nem financeiro."

"O Banco Rural foi informar ao ministro José Dirceu que pretendia explorar uma mina de nióbio no Amazonas", contou. Sobre os encontros com a chefe de gabinete de Dirceu, Sandra Cabral, ele repetiu a história de que só tratava de uma eventual candidatura do então tesoureiro do PT, Delúbio Soares, nas próximas eleições.

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