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Rota dos restaurantes de São Bernardo agoniza

 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Quarentena para conter avanço do novo coronavírus amplia crise na tradicional gastronômica


Tauana Marin
Do Diário do Grande ABC

20/04/2020 | 07:00


Restaurantes tradicionais da Rota do Frango com Polenta, no bairro Demarchi, em São Bernardo, buscam alternativas para driblar a recessão diante do isolamento físico imposto pelos governos estadual e municipal, devido à pandemia causada pela Covid-19. Com a regra de ficar em casa para evitar o contágio e, consequentemente, o caos na área da saúde, os clientes que aos poucos voltavam a movimentar os restaurantes neste início de ano desapareceram outra vez, deixando não apenas os salões vazios, como os caixas dos estabelecimentos desfalcados.

Os irmãos proprietários do Santo Antônio, Odair e Ladislau Battistini, em funcionamento há 58 anos, já contabilizam cerca de R$ 200 mil a menos em caixa durante este primeiro mês de isolamento. Hoje, os 15 funcionários efetivos estão em férias. “Não temos mais de onde tirar dinheiro. Temos todas as contas para pagar, os funcionários que precisam ter seus benefícios mantidos e estamos fechados. Não estamos fazendo marmitas, porque nosso público é do Centro da cidade e os trabalhadores que poderiam consumir estão em casa. Então, para nós, o delivery não cobriria nem nossos custos”, explica Ladislau.

Segundo ele, o cenário preocupa muito, porque o local já vinha com queda no fluxo. Com a saída das empresas, a desindustrialização, o local perdeu clientela e já lutava para sobreviver. “O fim do ano foi péssimo, mas com a pequena retomada da economia, em janeiro e fevereiro, o volume de clientes melhorou muito. Só não contávamos com essa epidemia, que pegou todo mundo desprevenido”, completa Odair. Os irmãos contam que no dia 25 os funcionários voltarão e não sabem ainda o que vão fazer.

“Mesmo que pudéssemos voltar a abrir, 80% do nosso público é acima de 50 anos. Eles vão sair de suas casas mesmo sendo grupo de risco? O que podemos esperar do Dia das Mães, importante data para nós? O grande problema disso tudo é que não temos previsão de nada. Não sabemos quanto isso ainda vai durar.”

Reinaldo Demarchi, proprietário do restaurante Gaia, também já soma os prejuízos, com a queda de 70% no fluxo de clientes, mesmo com o serviço de delivery funcionando. Por causa dessa baixa, dos 14 funcionários, sete garçons estão com seus contratos de trabalho suspensos. “Contabilizar os prejuízos nesse cenário dá até medo”, define ele.

ALTERNATIVA
Há 46 anos no boulevard gastronômico, o estabelecimento comandado por Ricardo Morando Capassi, que leva seu sobrenome, precisou se readaptar diante da crise econômica causada pela pandemia. Apesar de cinco funcionários terem sido demitidos (três garçons e duas balconistas), os outros 20 unem esforços para focar o delivery – atualmente, a única opção para o estabelecimento sobreviver. “Nossa demanda triplicou. O faturamento está igual ou até um pouco maior do que quando atendíamos o público. Se antes trabalhávamos com dois motoboys, hoje temos quatro. Aos fins de semana trabalhamos com oito.” O sucesso vem do cardápio, segundo ele: cozinha variada com massas, peixes, carnes, frango e saladas. “Mas a médio e longo prazos ninguém sabe o que vai ocorrer, pois se o dinheiro do cliente acabar, ele não poderá mais consumir”, ressalta o comerciante. “Resistimos a tantas dificuldades que, apesar da incerteza, acredito que vamos superar”, conclui.

Ação de incentivo na rota é freada pela Covid-19
Após três restaurantes tradicionais, com décadas de funcionamento na Rota do Frango com Polenta – Florestal, São Francisco e São Judas –, terem fechado suas portas definitivamente, todos em menos de um ano, devido à desindustrialização do entorno, a Acisbec (Associação Comercial e Industrial de São Bernardo) lançou no início de março o Programa de Fidelidade Rota dos Restaurantes de São Bernardo, que consiste na distribuição de cartão de fidelidade para clientes que frequentam os estabelecimentos instalados na rota, que abrange os bairros Demarchi e Batistini.

“O programa foi prejudicado em função da pandemia. Tínhamos reuniões agendadas para tratar do assunto mensalmente, mas a primeira, que estava marcada para o dia 20 (hoje), foi adiada. Atualmente, alguns trabalham com o sistema delivery e outros estão fechados. Assim que for possível e a crise passar, vamos retomar a campanha”, abreviou Valter Moura, presidente da associação.

COMO FUNCIONA
Ainda segundo o programa, a cada compra acima de R$ 30, o consumidor da rota ganha selo. Ao acumular dez adesivos no seu voucher, o cliente terá o direito a refeição gratuita em um dos sete restaurantes do eixo gastronômico de São Bernardo.

A ação é promovida por alguns estabelecimentos da rota. São eles: Pinheirão Grill, Gaia Restaurante, Pingus Buffet, Para Pedro, Capassi e Santo Antônio. Para obter o benefício, o consumidor deverá ainda ter na sua cartela selos de pelo menos três desses restaurantes. Inicialmente, o programa de fidelidade ocorreria até o dia 2 de maio e poderia ser prorrogado, dependendo da demanda.

“A promoção estava dando resultados. O movimento já havia aumentado, pena que não durou muito. Ações assim chamam a clientela e fideliza”, avalia Odair Battistini, sócio-proprietário do restaurante Santo Antônio.



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Rota dos restaurantes de São Bernardo agoniza

Quarentena para conter avanço do novo coronavírus amplia crise na tradicional gastronômica

Tauana Marin
Do Diário do Grande ABC

20/04/2020 | 07:00


Restaurantes tradicionais da Rota do Frango com Polenta, no bairro Demarchi, em São Bernardo, buscam alternativas para driblar a recessão diante do isolamento físico imposto pelos governos estadual e municipal, devido à pandemia causada pela Covid-19. Com a regra de ficar em casa para evitar o contágio e, consequentemente, o caos na área da saúde, os clientes que aos poucos voltavam a movimentar os restaurantes neste início de ano desapareceram outra vez, deixando não apenas os salões vazios, como os caixas dos estabelecimentos desfalcados.

Os irmãos proprietários do Santo Antônio, Odair e Ladislau Battistini, em funcionamento há 58 anos, já contabilizam cerca de R$ 200 mil a menos em caixa durante este primeiro mês de isolamento. Hoje, os 15 funcionários efetivos estão em férias. “Não temos mais de onde tirar dinheiro. Temos todas as contas para pagar, os funcionários que precisam ter seus benefícios mantidos e estamos fechados. Não estamos fazendo marmitas, porque nosso público é do Centro da cidade e os trabalhadores que poderiam consumir estão em casa. Então, para nós, o delivery não cobriria nem nossos custos”, explica Ladislau.

Segundo ele, o cenário preocupa muito, porque o local já vinha com queda no fluxo. Com a saída das empresas, a desindustrialização, o local perdeu clientela e já lutava para sobreviver. “O fim do ano foi péssimo, mas com a pequena retomada da economia, em janeiro e fevereiro, o volume de clientes melhorou muito. Só não contávamos com essa epidemia, que pegou todo mundo desprevenido”, completa Odair. Os irmãos contam que no dia 25 os funcionários voltarão e não sabem ainda o que vão fazer.

“Mesmo que pudéssemos voltar a abrir, 80% do nosso público é acima de 50 anos. Eles vão sair de suas casas mesmo sendo grupo de risco? O que podemos esperar do Dia das Mães, importante data para nós? O grande problema disso tudo é que não temos previsão de nada. Não sabemos quanto isso ainda vai durar.”

Reinaldo Demarchi, proprietário do restaurante Gaia, também já soma os prejuízos, com a queda de 70% no fluxo de clientes, mesmo com o serviço de delivery funcionando. Por causa dessa baixa, dos 14 funcionários, sete garçons estão com seus contratos de trabalho suspensos. “Contabilizar os prejuízos nesse cenário dá até medo”, define ele.

ALTERNATIVA
Há 46 anos no boulevard gastronômico, o estabelecimento comandado por Ricardo Morando Capassi, que leva seu sobrenome, precisou se readaptar diante da crise econômica causada pela pandemia. Apesar de cinco funcionários terem sido demitidos (três garçons e duas balconistas), os outros 20 unem esforços para focar o delivery – atualmente, a única opção para o estabelecimento sobreviver. “Nossa demanda triplicou. O faturamento está igual ou até um pouco maior do que quando atendíamos o público. Se antes trabalhávamos com dois motoboys, hoje temos quatro. Aos fins de semana trabalhamos com oito.” O sucesso vem do cardápio, segundo ele: cozinha variada com massas, peixes, carnes, frango e saladas. “Mas a médio e longo prazos ninguém sabe o que vai ocorrer, pois se o dinheiro do cliente acabar, ele não poderá mais consumir”, ressalta o comerciante. “Resistimos a tantas dificuldades que, apesar da incerteza, acredito que vamos superar”, conclui.

Ação de incentivo na rota é freada pela Covid-19
Após três restaurantes tradicionais, com décadas de funcionamento na Rota do Frango com Polenta – Florestal, São Francisco e São Judas –, terem fechado suas portas definitivamente, todos em menos de um ano, devido à desindustrialização do entorno, a Acisbec (Associação Comercial e Industrial de São Bernardo) lançou no início de março o Programa de Fidelidade Rota dos Restaurantes de São Bernardo, que consiste na distribuição de cartão de fidelidade para clientes que frequentam os estabelecimentos instalados na rota, que abrange os bairros Demarchi e Batistini.

“O programa foi prejudicado em função da pandemia. Tínhamos reuniões agendadas para tratar do assunto mensalmente, mas a primeira, que estava marcada para o dia 20 (hoje), foi adiada. Atualmente, alguns trabalham com o sistema delivery e outros estão fechados. Assim que for possível e a crise passar, vamos retomar a campanha”, abreviou Valter Moura, presidente da associação.

COMO FUNCIONA
Ainda segundo o programa, a cada compra acima de R$ 30, o consumidor da rota ganha selo. Ao acumular dez adesivos no seu voucher, o cliente terá o direito a refeição gratuita em um dos sete restaurantes do eixo gastronômico de São Bernardo.

A ação é promovida por alguns estabelecimentos da rota. São eles: Pinheirão Grill, Gaia Restaurante, Pingus Buffet, Para Pedro, Capassi e Santo Antônio. Para obter o benefício, o consumidor deverá ainda ter na sua cartela selos de pelo menos três desses restaurantes. Inicialmente, o programa de fidelidade ocorreria até o dia 2 de maio e poderia ser prorrogado, dependendo da demanda.

“A promoção estava dando resultados. O movimento já havia aumentado, pena que não durou muito. Ações assim chamam a clientela e fideliza”, avalia Odair Battistini, sócio-proprietário do restaurante Santo Antônio.

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